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sábado, 31 de março de 2012

Libertinagem - Exercícios de Interpretação

1. (FUVEST) Leia o poema de Manuel Bandeira para responder ao teste.



Não sei dançar


Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...

Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.


Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.

Sobre os versos transcritos, assinale a alternativa incorreta:

(A) A melancolia do eu-lírico é apenas aparente: interiormente ele se identifica com a atmosfera festiva do carnaval, como se percebe no tom exclamativo de "Eu tomo alegria!"
(B) A perda dos familiares e da saúde são aspectos autobiográficos do autor presentes no texto.
(C) A alegria do carnaval é meio de evasão para eu-lírico, que procura alienar-se de seu sofrimento.
(D) O último verso transcrito associa-se ao título do poema, pois o eu-lírico não participa, de fato, do baile de carnaval.
(E) O eu-lírico revela, em tom bem-humorado e descompromissado, ser uma pessoa exageradamente sensível.

2. (FUVEST) Em Libertinagem, Manuel Bandeira manifesta profunda simpatia pelos marginalizados, que, por razões históricas ou condição econômica, representam os desvalidos. Assinale a alternativa em que o poema indicado não serve de exemplo para essa afirmação:
(A) “ Irene no céu”.
(B) “Camelôs”.
(C) “ Mangue”.
(D) “Profundamente”.
(E) “Poema retirado de uma notícia de Jornal”.

3. (FUVEST) Macumba de Pai Zusé

Na macumba do Encantado
Nego véio pai de santo fez mandinga
No palacete de Botafogo
Sangue de branca virou água
Foram vê estava morta! (Libertinagem, Manuel Bandeira)

É correto afirmar que, neste poema de Manuel Bandeira,
(A) emprega-se a modalidade do poema-piada, típica da década de 20, com o fim de satirizar os costumes populares.
(B) usam-se os recursos sonoros (ritmo e metro regulares, redondilha menor) para representar a cultura branca, e os recursos visuais (imagens, cores), para caracterizar a religião afro-brasileira.
(C) mesclam-se duas variedades linguísticas: uma que se aproxima da língua escrita culta e outra que mimetiza uma modalidade da língua oral, popular.
(D) manifesta-se a contradição entre dois tipos de práticas religiosas, representadas pelas oposições negro x branco, macumba x pai de santo, nego véio x Encantado.
(E) expressa-se a tendência modernista de encarar a cultura popular como manifestação do atraso nacional, a ser superado pela modernização.

4. (FUVEST) Teresa
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que
[o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas. (Libertinagem, Manuel Bandeira)

Em relação às imagens que compõem a figura feminina, no texto de Bandeira, só não se pode afirmar que:
(A) acentuam realisticamente os aspectos grotescos da mulher.
(B) destacam o estranhamento sentido pelo eu-lírico diante de uma visão surpreendente.
(C) constituem deliberado deboche das imagens consagradas pela literatura tradicional.
(D) dessacralizam o ideal de amor arrebatador.
(E) podem ser atribuídas à postura iconoclasta dos modernistas de 22.

5. (POLI) Leia, abaixo, um poema de Manuel Bandeira.
Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão
[sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


A respeito do poema e da proposta poética que o autor assume em Libertinagem não podemos afirmar:
(A) O poema assume apenas a proposta de libertação da forma poética, em versos livres e brancos.
(B) A partir do título notamos uma proposta de redimensionar o assunto da poesia, uma vez que o cotidiano pode assumir uma dimensão poética, na medida em que é reinventado em linguagem e ritmo.
(C) O segundo verso do poema, iniciado pela construção uma noite, sugere que o que João Gostoso viveu naquela noite, Bebeu/ Cantou/ Dançou, foi uma exceção em sua rotina.
(D) Podemos entender que o tamanho do primeiro e do último versos do poema exprimem um grande número de dificuldades vividas pelo personagem e contrastam com os versos curtos Bebeu/ Cantou/ Dançou que apontam os momentos de alívio como raros na vida dele.
(E) A omissão do número do barracão em que João Gostoso morava confere a ele um caráter de personagem tipo, isto é, representa várias pessoas que vivem em mesma situação.

6. (FUVEST) ORAÇÃO A TERESINHA DO MENINO JESUS

Perdi o jeito de sofrer.
Ora essa.
Não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza.
Quero alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!
Santa Teresa não, Teresinha…
Teresinha... Teresinha…
Teresinha do Menino Jesus.
(…) (Manuel Bandeira, Libertinagem)

Sobre este trecho do poema, só NÃO é correto afirmar o que está em:
(A) Ao preferir Teresinha a Santa Teresa, o eu-lírico manifesta um desejo de maior intimidade com o sagrado, traduzida, por exemplo, no diminutivo e na omissão da palavra “Santa”.
(B) O feitio de oração que caracteriza estes versos não é caso único em Libertinagem nem é raro na poesia de Bandeira.
(C) Embora com feitio de oração, estes versos utilizam principalmente a variedade coloquial da linguagem.
(D) Em “do Menino Jesus”, qualificativo de Teresinha, pode-se reconhecer um eco da predileção de Bandeira pelo tema da infância, recorrente em Libertinagem e no conjunto de sua poesia.
(E) Apesar de seu feitio de oração, estes versos manifestam intenção desrespeitosa e mesmo sacrílega em relação à religião estabelecida.

7. (FUVEST) PROFUNDAMENTE
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Náo ouvi mais vozes nem risos
(...)
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totânio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?


— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente. (Manuel Bandeira, Libertinagem.)

No conhecido poema de Bandeira, aqui parcialmente reproduzido, a experiência do afastamento da festa de São João:
(A) é de ordem subjetiva e ocorre, primordialmente, no plano do sonho e da imaginação.
(B) reflete, em chave saudosista, o tradicionalismo que caracterizou a geração modernista de 1922.
(C) se dá predominantemente no plano do tempo e encaminha uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas humanas.
(D) assume feição abstrata, na medida em que evita assimilar os dados da percepção sensível, registrados pela visão e pela audição.
(E) é figurada poeticamente segundo o princípio estético que prevê a separação nítida de prosa e poesia.

8. (FUVEST) Leia os versos de Poética, de Manuel Bandeira:
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e
[manifestações de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho
[vernáculo de um vocábulo

Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barabarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
(...)


Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero saber do lirismo que não é libertação.

Nos versos transcritos de Poética, de Manuel Bandeira, pode-se identificar a:
I. afirmação de um novo conceito estético, que propõe a rejeição de todos os métodos tradicionais de composição poética.
II. condenação da linguagem acadêmica, erudita, beletrista, valorizada pelo Parnasianismo.
III. proposição de substituição de fórmulas poéticas tradicionais por formas livres, espontâneas que garantam harmonia e comedimento de expressão.
IV. recusa à dissociação entre a espontaneidade do sentimento e da expressão lingüística.

Está correto o que se afirma em:
(A) I e II.
(B) II e III.
(C) I e IV.
(D) II e IV.
(E) III e IV.



9. (PUC-SP) Pensão Familiar
Jardim da pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos.
O sol acaba de crestar as boninas que murcharam.
Os girassóis
amarelo!
resistem.
E as dálias, rechonchudas, plebéias, dominicais.
Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurante — Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
— É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.

O poema acima é de Manuel Bandeira e integra a obra Libertinagem. Do ponto de vista de sua construção, NÃO se pode afirmar que:
(A) é enfaticamente descritivo na primeira parte e caracteriza o cenário natural, valendo-se, principalmente de frases nominais.
(B) sugere atmosfera afetuosa e terna caracterizada pelo uso expressivo do diminutivo.
(C) opera o procedimento narrativo de tal forma a conciliá-lo com o descritivo, sem, no entanto, reduzi-lo a um mero pano de fundo.
(D) carece de exploração visual e perde poeticidade em deslizes semânticos e sintáticos.
(E) ilumina e colore o poema e a página, que se contaminam pela força invasora do amarelo.

10. Poética ressalta e propõe:
(A)a liberdade de expressão;
(B)a construção poética por meio da sintaxe normativa;
(C)a vida versus a morte;
(D)a descrição do cotidiano;
(E)as reminiscências da infância.


Gabarito: A, D, C, A, A, E, C, A, D, A

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