terça-feira, 19 de junho de 2012

Recorde de inscrições no ENEM 2012

      O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) bateu um recorde de inscrições, com 6.497.466 candidatos, informou o Ministério da Educação em nota divulgada neste sábado em seu site. Segundo a pasta, São Paulo, com 1.068.517 candidatos, é o Estado com o maior número de inscritos, seguido por  Minas Gerais (723.644), Rio de Janeiro (474.046), Bahia (458.101) e Rio Grande do Sul (394.641).
       As provas serão aplicadas nos dias 3 e 4 de novembro. No primeiro dia do exame, os participantes terão quatro horas e meia para responder as questões de ciências humanas e da natureza. No segundo, será a vez das provas de matemática e linguagens, além da redação, com um total de cinco horas e meia de duração. A divulgação do gabarito está prevista para o dia 7 de novembro, e o resultado final deve sair em 28 de dezembro.
      Desde 2009, o Enem ganhou mais importância porque passou a ser usado por instituições públicas de ensino superior como critério de seleção em substituição aos vestibulares tradicionais. A prova também é pré-requisito para quem quer participar de programas de acesso ao ensino superior, como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Ciência sem Fronteiras.


(Fonte: UOL Educação - 16/6/12)

domingo, 17 de junho de 2012

11º tema de redação 2012 - Envelhecimento populacional

"O Brasil não é mais um país de jovens, assim todos teremos nossa vida cada vez mais alterada por essa progressiva capacidade de viver mais."

A partir do tema acima proposto, desenvolva uma dissertação discutindo a longevidade e suas implicações sociais, biológicas e afetivas. Ampare-se também no comentário abaixo:

" O Brasil envelhece. No passar do último século, aumentamos de 33,4 para 64,8 anos nossa expectativa de vida. Fruto das melhores condições atuais de infraestrutura, alimentação, saúde e conhecimento, a longevidade já atinge 13 milhões de pessoas. Trata-se, sem dúvida, de uma conquista, mas ainda se percebe um despreparo do país para lidar com este fato. Aposentadoria insuficiente, preconceito, inatividade, limitações, descaso público, tudo isso representa bem a realidade local de muitos idosos. É preciso o país compreender que viver mais só tem valor se se viver melhor. Desta forma, família, governo e sociedade devem se unir para garantir dignidade à pessoa idosa, com quem conviveremos cada vez mais em nossos círculos. Não dá para escapar a este novo contexto. Plásticas faciais e tinta no cabelo não disfarçam mais aquilo que vem com a idade e que nossos olhos precisam ver."  (Professora Lou)

Coruja da semana - nº 6


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Exercícios sobre Figuras de Linguagem



1) Nos versos: “Bomba atômica que aterra / Pomba atônita da paz / Pomba tonta, bomba atômica…” A repetição de determinados elemento fônicos é um recurso estilístico denominado:
a)onomatopeia
b) sinédoque
c) aliteração 
d) metonímia
e) metáfora

2) Leia atentamente os períodos:
  1. Vários de nós ficamos surpresos.
  2. Essa gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de tudo.
  3. Tua mãe, não há idade nem desgraça que lhe transforme o sorriso.
  4. Entre elas, alguém estava envergonhada.
Os períodos aça contêm, respectiva e sucessivamente, as seguintes figuras de sintaxe:
a) silepse de pessoa, silepse de gênero, anacoluto, silepse de número.
b) anacoluto, anacoluto, silepse de pessoa, silepse de número
c) silepse de número, silepse de pessoa, silepse de gênero, anacoluto
d) silepse de pessoa, silepse de número, anacoluto, silepse de gênero
e) silepse de gênero, anacoluto, anacoluto, silepse de pessoa


3)  Identifique os recursos estilísticos empregados no trecho:
Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos”. (Machado de Assis)


a) anáfora, comparação, zeugma
b) metáfora, antítese, elipse
c) antítese, zeugma, silepse
d) pleonasmo, antítese, silepse
e) anáfora, antítese, silepse


4)  (FUVEST) A figura de linguagem empregada nos versos em destaque é:
Quando a Indesejada das gentes chegar / (Não sei se dura ou caroável) / Talvez eu tenha medo. / Talvez sorria, ou diga: / - Alô, iniludível!” (Manuel Bandeira)
a) metáfora
b) eufemismo
c) catacrese
d) pleonasmo
e) paradoxo

5) Em cada um dos períodos abaixo ocorre uma silepse. Marque a alternativa que classifica corretamente cada uma delas.
  1. “Está uma pessoa ouvindo missa, meia-hora o cansa e atormenta e faz romper em murmurações”.
  2. “E todos assim nos distraímos nesses preparativos”. (Aníbal Machado)
  3. “A multidão vai subindo, subiram, subiram mais”. (Murilo Mendes)
a) gênero, número, número
b) pessoa, número, pessoa
c) gênero, pessoa, pessoa
d) gênero, pessoa, número
e) pessoa, número, gênero

6)  (UFPE)
Assinale a alternativa em que o autor NÃO utiliza prosopopéia.
a) “A luminosidade sorria no ar: exatamente isto. Era um suspiro do mundo.” (Clarice Lispector)
b) “As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, se dissolvem…” (Drummond)
c) “Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu.” (Clarice Lispector)
d) “A poesia vai à esquina comprar jornal”. (Ferreira Gullar)
e) “Meu nome é Severino, Não tenho outro de pia”. (João Cabral de Melo Neto)

7  (UFPE) Nos enunciados abaixo, a palavra destacada NÃO tem sentido conotativo em:
a) A comissão técnica está dissolvida. Do goleiro ao ponta-esquerda.
b) Indispensável à boa forma, o exercício físico detona músculos e ossos, se mal praticado.
c) O melhor tenista brasileiro perde o jogo, a cabeça e o prestígio em Roland Garros.
d) Sob a mira da Justiça, os sorteios via 0900 engordam o caixa das principais emissoras.
e) Alta nos juros atropela sonhos da classe média.


8) (UFPI) Em: “... ante os olhos namorados (apaixonados) de João Magalhães...”, o autor usou a parte (olhos) pelo todo (João Magalhães), valendo-se de uma figura de palavra chamada:
a) prosopopéia
b) catacrese
c) sinédoque
d) metáfora
e) comparação

9) (UF Viçosa) Assinale a figura de linguagem encontrada na frase: “Minha cidade toda se enfeitou / Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor.”
a) prosopopeia

b) comparação
c) metáfora
 d) pleonasmo
e) anacoluto


10)  Assinale, nas alternativas abaixo, a figura contida, respectivamente em: “seus olhos são como espelhos d’água” e
“...seus cabelos são fios de ouro...”
a) sinédoque e pleonasmo
b) eufemismo e metáfora
c) catacrese e pleonasmo
d) comparação e metáfora
e) metáfora e comparação



Respostas:
1.c
2.d
3.e
4.b
5.d
6.e
7.c
8.c
9.a
10.d

quinta-feira, 7 de junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Apelo - Dalton Trevisan



Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate 
 meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Semana 8: Dúvidas no uso do Português?

A festa começa às 8hrs. ou às 8h?



As abreviaturas do sistema métrico não têm plural nem são seguidas de ponto. Assim: 8h, 2km, 5m, 10kg. Para minutos a abreviatura é min: 10h30min. Também se escreve, como nos relógios digitais, 10:30h.


A moça deu a luz a gêmeos ou deu à luz gêmeos?


A expressão é dar à luz – o filho é objeto direto e luz, no sentido de “vida”, objeto indireto: A moça deu à luz gêmeos. Em dois meses ela dará à luz. Também não é próprio dizer (embora faça sentido): Deu a luz a gêmeos.


A nível de diretoria ou Em nível de diretoria?


Em nível de diretoria é o melhor, pois a preposição a não deve ser usada para indicar “lugar em”. A expressão a nível de é um galicismo (ou seja, é imitada do francês) e tem sido empregada abusivamente, aplicada a situações em que é totalmente impróprio falar de níveis, ou seja, de planos ou alturas relativas, ainda que se trate de metáfora. Assim, é descabido dizer coisas como A nível de escola, ela tem tido sucesso. Mais adequado seria dizer Na escola ela tem tido sucesso ou ela tem tido sucesso nos estudos.


A questão não tem nada haver ou a ver com você?


A forma das locuções é não ter nada (ou ter tudo) a ver (ou que ver) com ... Usa-se também de forma absoluta: ter tudo a (que) que, não ter nada a (que) ver. São coloquialismos brasileiros, pouco presentes na linguagem escrita.


A seção foi suspensa ou A sessão foi suspensa?


A palavra sessão tem a mesma raiz do verbo que em latim significa “sentar-se”. Originalmente, indicava o período em que ocorria um evento que reunia pessoas sentadas. Seção, que também se escreve secção, tem a mesma raiz do verbo seccionar, que significa “cortar, dividir”. A mesma raiz, sec, encontra-se nas palavras secante (em geometria), setor (sector), sectário, seccional, secessão, etc., todas envolvendo o sentido de “divisão”. Portanto, seção significa “divisão, parte”, podendo referir-se a uma publicação (seção de classificados, num jornal), obra escrita (capítulo dividido em duas seções), empresa (seção de cosméticos de uma loja ou fábrica), etc. Assim, se um espetáculo foi cancelado, escreve-se que a sessão foi suspensa, mas se o espaço dedicado aos esportes não é mais publicado num jornal, escreve-se que a seção foi suspensa. Não confundir com cessão, “ato de ceder”: A cessão do imóvel foi registrada em cartório.


Andou por todo país ou por todo o país?


Seguido de artigo, todo significa “inteiro”: Andou por todo o país; Toda a turma chegou. Sem o artigo, todo significa “cada, qualquer”: Todo homem é mortal. Posposto ao substantivo, todo significa sempre “inteiro”: Trabalho todo dia e o dia todo.


As pessoas esperavam-o ou esperavam-no?


Quando o verbo termina em -m, -ão ou -õe, os pronomes o(s) e a(s) são precedidos de n: Esperavam-no, dão-no, convidam-nas, põe-nos.


Chegou a ou há duas horas?


Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas (tempo passado) e partirá daqui a cinco minutos (tempo futuro). O atirador estava a pouco menos de 12 metros (distância).
* Observe que, como há indica passado, é redundante a expressão Há dois anos atrás.


Coisas que o dinheiro não trás ou não traz?


Na conjugação do verbo trazer nunca ocorre s: Coisas que o dinheiro não traz. Com s e acento agudo se escreve a preposição ou advérbio trás e, portanto, atrás, atraso, atrasar: banco de trás, andar atrás de algo, chegar atrasado.


É difícil para eu esquecer ou É difícil para mim esquecer?


Mim, no caso, não é sujeito de esquecer, mas complemento de difícil, que rege a preposição para (difícil para mim). A frase, em outra ordem, é Esquecer é difícil para mim. Não confundir com casos em que eu é sujeito do infinitivo: livros para eu ler.


É hora dele chegar ou de ele chegar?


O raciocínio dos gramáticos para vetar, neste caso, a contração da preposição com o pronome é o seguinte: o de não se refere a ele (não se trata de hora dele), mas ao infinitivo chegar (hora de chegar), sendo ele o sujeito. Como o sujeito não deve ser preposicionado, não se deve contrair a preposição com o pronome-sujeito ou com artigo que anteceda o sujeito: É hora de ele chegar, Apesar de o amigo tê-lo convidado... (aqui, o amigo é sujeito de ter convidado).
É proibida entrada ou É proibido entrada?


Se o sujeito não estiver determinado (acompanhado de artigo ou pronome), não se faz a concordância genérica do predicativo: É proibido entrada; Água é bom para a saúde; É necessário ferramentas. Se houver determinação, faz-se a concordância: É proibida a entrada; A água é boa para a saúde; São necessárias estas ferramentas.


Ela mesmo? ou Ela mesma arrumou a sala?


Quando equivale a próprio, mesmo é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala;As vítimas mesmas reclamaram. Como advérbio significa até, também, de fato, exatamente, e é invariável: Mesmo as amigas a deixaram; Foi mesmo uma boa notícia.


Ele foi um dos que chegou ou um dos que chegaram antes?


Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (em outra ordem: Dos que chegaram antes, ele foi um). Pode-se usar apenas dos que: Era dos que mais vibravam com a vitória.


Em vez de entrar, saiu ou Ao invés de entrar, saiu?


Ao invés de entrar, saiu. A locução ao invés de significa “ao contrário, ao revés”: Ao invés de baixar, o preço subiu. Em vez de significa “em lugar de”: Em vez de ir ao cinema, foi ao teatro. Atenção: pode-se usar em vez de nos dois casos (oposição e substituição), enquanto ao invés de só cabe quando se trata de oposição. Portanto, pode-se dizer Em vez de entrar, saiu ou Em vez de chorar, riu, embora nessas frases fosse mais preciso o uso de ao invés de.


Escrever a tinta ou Escrever à tinta?


Ambos se admitem, pois se trata de uma expressão adverbial feminina de meio ou instrumento. O acento grave, indicativo de crase, é empregado, no caso, apenas para efeito de clareza, permitindo, por exemplo, distinguir matar a fome, no sentido de “comer” (fome é objeto de matar), de matar à fome, que significa “matar de fome” (fome é o instrumento ou meio de matar). O acento é dispensável porque a preposição a, na verdade, não sofre crase (fusão) com o artigo a, já que este não está presente – o que se comprova com a observação de que o masculino, na mesma situação, não se acompanha de artigo: escrever a lápis, não ao lápis. Portanto, nestas locuções femininas, apesar de não ocorrer crase, pode-se usar ou não o acento grave (desenhar a mão ou à mão), mas nunca se usa tal acento em locuções adverbiais masculinas (andar a pé, andar a cavalo).


Esse sapato ou Este sapato?


Este (esta, isto) indica o que está próximo de quem fala. Esse (essa, isso) indica o que está próximo da pessoa com quem se fala. Portanto, este sapato é o que estou vestindo ou está perto de mim; esse sapato é o do meu interlocutor ou o que está perto dele. Este indica o presente (este ano em curso) ou o que está adiante ou a seguir (estes exemplos que vou apresentar). Esse indica o passado (esse ano que se encerrou), o que ficou para trás (esses exemplos que apresentei).
* Note-se que, na língua falada, só em registro formal se mantém essa oposição. Na linguagem coloquial brasileira de registro informal, houve uma neutralização (um apagamento) da diferença, pois o grupo consonantal -st- é normalmente pronunciado como -ss-. Em conseqüência, os pronomes esse/essa/isso assumiram as funções antes reservadas a este/esta/isto, daí decorrendo as dúvidas quanto ao emprego de uns ou outros na escrita.


Fazem dois anos ou Faz dois anos?


Fazer, quando exprime tempo, é impessoal, ou seja, não tem sujeito. Portanto, deve-se manter na terceira pessoa do singular:  Faz dois anos que nos conhecemos, Ontem fez quinze dias que aconteceu o acidente.
* Em tempos compostos e locuções verbais formados por verbos impessoais, o verbo auxiliar deve também ser mantido na forma impessoal (terceira pessoa do singular). Assim: Vai fazer cinco anos que a família se mudou, Deve fazer alguns meses que eles não se falam.


Ficou sobre ou sob a mira do assaltante?


Sob, “embaixo de”, é antônimo de sobre. O correto é: Ficou sob a mira do assaltante; Escondeu-se sob a cama; A orquestra tocou sob a regência do maestro X.  Sobre equivale a “em cima de” ou “a respeito de”: Estava sobre o telhado; Falou sobre as eleições.


Há dez anos atrás ou Há dez anos?


Na formação de expressões temporais, o verbo haver é impessoal e tem a acepção de passar-se, ter decorrido, ser decorrido: Há décadas não se usam tais trajes. Portanto, há redundância no acréscimo de atrás ou de qualquer outra palavra que denote tempo decorrido em tais expressões. Para evitar redundância, deve-se usar apenas há dez anos ou dez anos atrás.


Houveram problemas ou Houve problemas?


O verbo haver, no sentido de “existir”, é impessoal, ou seja, não tem sujeito e deve aparecer sempre na terceira pessoa do singular. Portanto, a forma correta é Houve problemas, sendo problemas o complemento (objeto) do verbo, não seu sujeito. A flexão indevida de haver é muito freqüente no Brasil, mas nunca ocorre quando o verbo se encontra no presente, só em outros tempos. Com efeito, ninguém diria Hão dificuldades, mas dizem, equivocadamente, Haviam ou Haverão dificuldades.
* Atenção: se se tratar de locução verbal, o verbo auxiliar será afetado pela mesma impessoalidade, ou seja, deverá sempre ser flexionado no singular: Deve haver mais candidatos, Poderá haver outras exigências.


Ir de encontro ao sucesso ou ao encontro do sucesso?


Trata-se de expressões antônimas: ao encontro de significa “em busca de”; de encontro a significa “em oposição a, para chocar-se com”. Portanto, se o sentido é o de ir à procura, deve-se dizer ir ao encontro do sucesso.


Mal cheiro ou Mau cheiro?


Mal é advérbio e opõe-se a bem. Mau é adjetivo e opõe-se a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mau humor (bom humor), mal-humorado (bem-humorado), mal-intencionado (bem-intencionado), mal-estar (bem-estar). Os advérbios, do ponto de vista mórfico, são invariáveis, portanto: mal-humorados, mal-estares, mal-educadas.
* Em contrapartida, os adjetivos concordam em gênero e número com os substantivos a que se referem: maus cheiros, más-criações, maus elementos.


Meu óculos quebrou ou Meus óculos quebraram?


Têm-se vulgarizado no português coloquial brasileiro as formas meu óculos, um óculos, o que constitui discordância de número. Assim, segundo a norma culta da língua portuguesa, são corretas as formas: Meus óculos quebraram; Aquela loja vende uns óculos bons; Encontrou um par de óculos.


Namorar com Alguém ou Namorar Alguém?


Na tradição da língua, o verbo namorar é transitivo direto, ou seja, seu complemento não deve acompanhar-se de preposição. Assim, os chamados “puristas” condenam a construção namorar com ela, pois o “correto” seria namorá-la. Ocorre, porém, que namorar com é o mais usual no Brasil, aparecendo mesmo em escritores recentes. Portanto, quem quiser falar conforme a língua-padrão tradicional dirá namorá-lo(a); quem não quiser fugir dos hábitos coloquiais brasileiros dirá namorar com ele (ela).


Obrigado ou Obrigada?


Obrigado(a) é a forma reduzida de Estou obrigado(a) a você, ou seja, devo obrigação a você. Portanto, o adjetivo (particípio do verbo obrigar) deve concordar em gênero e número com o sujeito, de que é predicativo. Assim, uma mulher dirá Obrigada. Se se tratar de vários homens ou homens e mulheres, impõe-se o plural Obrigados; se forem apenas mulheres, Obrigadas.


Onde vou ou Aonde vou?


Aonde deve ser usado com verbos de movimento, que “regem” a preposição a: aonde vou, aonde chegaremos. Já onde apenas com verbos de estado, como onde estou.

Pedido à ele ou Pedido a ele?


Crase é “fusão” de duas vogais iguais, geralmente da preposição a com o artigo definido feminino (a). O acento grave sobre o a não é crase, mas indica a ocorrência de crase. Teremos à antes de palavra feminina se antes de equivalente masculino tivermos ao (preposição + artigo masculino). Assim: “pedido a ele” / “pedido a ela” (sem crase), mas “ir ao quarto” / “ir à sala”; “menção ao autor” / “menção à autora”; “referente ao rapaz” / “referente à moça”; “quanto ao problema” / “quantoà questão”.
* Importante: O à é produto de dois aa que se fundiram, na escrita como na pronúncia. Portanto, não é correto pronunciar o a craseado como aa. Não obstante, encontram-se, no Brasil, pessoas instruídas que assim pronunciam, sem consciência do hiperurbanismo que cometem. (Hiperurbanismo é ultracorreção, ou seja, erro que resulta da preocupação desorientada de acertar.)

Porque você foi? ou Por que você foi?


Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado, tanto nas orações interrogativas diretas quanto nas indiretas: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que (razão) você se atrasou. 
Quando no fim do período, usa-se por quê, com acento circunflexo: Você se atrasou, por quê?
Porque é conjunção subordinativa causal e equivale a pois, uma vez que, pelo fato de que: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado. / Fui porque me pediram. / Você faltou porque choveu?
Quando empregado como substantivo, usa-se a forma porquê: Quis saber o porquê disso. / Explique-me todos os porquês deste fracasso.


Preferia ir do que ficar ou Preferia ir a ficar?


Segundo a norma culta, o verbo preferir rege a preposição a: Preferia ir a ficar. Como seu sentido é “levar à frente, pôr em primeiro lugar”, condena-se e se considera vulgarismo a construção preferir do que, assim como a intensificação do verbo antes, mais ou até (“prefiro até morrer do que viver”, diz famosa canção). Tais fraseios, no entanto, aparecem em alguns escritores notáveis, portugueses e brasileiros, antigos e modernos.
* Preferível segue a mesma norma: É preferível ir a ficar.


Que seje ou seja feliz?


O presente do subjuntivo de ser e estar é seja e esteja:  Que seja feliz. Que esteja (e nunca “esteje”) alerta.


Saia, se não eu grito ou senão eu grito?


Senão significa “de outro modo”, “do contrário” (Saia, senão eu grito), “a não ser” (Nada faziam senão dormir), “mas” (“Não era prata, senão ferro”). Com o sentido de “defeito, mácula” e em geral com artigo (o, um), pode ser substantivo (Não havia um senão em sua vida).


Se você o ver ou se você o vir?


O futuro do subjuntivo (se eu comprar, quando ele for) forma-se a partir do pretérito perfeito do indicativo. Encontra-se o radical do perfeito retirando-se a terminação –ste da segunda pessoa do singular. No caso do verbo ser, o perfeito é fui, fo-ste. Daí o futuro do subjuntivo (quando/se eu) fo-r, (tu) fo-res, (ele) fo-r, (nós) fo-rmos, (vós) fo-rdes, (eles) fo-rem. No caso de ver, o perfeito é vi,vi-ste. Daí o futuro do subjuntivo vi-r, vi-res, vi-r, vi-rmos, vi-rdes, vi-rem. Quanto ao verbo vir, cujo perfeito é vim, vie-ste, o futuro do subjuntivo é vier, vieres... Assim, o correto é se você o vir; quando eu vier; quando ele disser; se eles estiverem.


Temos menas razões ou menos razões de estar felizes?


Menos, seja como advérbio (choveu menos), seja como preposição (tudo, menos isso), seja como pronome (mais sol e menos chuva), seja como substantivo (o menos é preferível ao mais), é uma palavra invariável. O vulgarismo menas, em função pronominal, “concordando” em gênero com o substantivo seguinte (“isso é menas verdade”), é um caso de hiperurbanismo ou ultracorreção. Ou seja, para evitar uma forma que lhe parece estranha ou errada (como se em menos fé houvesse erro de concordância), o falante inculto a substitui por outra que lhe parece mais correta ou mais culta (“menas fé”).


Tinha chego ou tinha chegado atrasado?


Chego é forma inepta do particípio de chegar, que só tem forma plena (chegado), e não a forma contrata (como aceito, de aceitar). Portanto, o correto é: Tinha chegado atrasado. Dê uma chegada (não um chego) aqui.


Venda à prazo ou Venda a prazo?


Como a crase é a contração da preposição a com o artigo feminino a, não se usa crase diante de palavras masculinas: a prazo, a pé, a cavalo, a lápis. Nessas expressões, o a é simplesmente preposição. A exceção se dá quando está subentendida a palavra moda: Escrevia à (moda de) Machado de Assis, Usava salto à (moda de) Luís XV.


Ver documentos em anexo ou anexos?


Anexo, sendo adjetivo (do particípio de anexar, cuja forma plena é anexado), deve concordar com o substantivo a que se refere: documentos anexos, certidões anexas, isto é, que foram anexados ou anexadas. Trata-se não só de correção, mas também de precisão, pois quando, por exemplo, juntamos documentos a uma carta, não os estamos enviando em outro compartimento, anexo (caso em que se justificaria a expressão adverbial em anexo), mas os colocamos no mesmo envelope, juntamente com a carta, ou seja, anexos a ela.


(Fonte: www.objetivo.br)



domingo, 3 de junho de 2012

Intolerância Religiosa - Drauzio Varella

O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso
SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.
A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.
Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.
Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.
Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.
Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.
Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?
Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?
Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?
O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.
Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.
Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.
O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.
Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.
Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.

(Fonte: Drauzio Varella - Folha de S. Paulo - 21/4/12)

Coruja da Semana - nº 5