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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Exercícios sobre intertextualidade


1)   (Uff 2011)  Modinha do exílio
           
            Os moinhos têm palmeiras
            Onde canta o sabiá.
            Não são artes feiticeiras!
            Por toda parte onde eu vá,
            Mar e terras estrangeiras,
            Posso ver mesmo as palmeiras
            Em que ele cantando está.
            Meu sabiá das palmeiras
            Canta aqui melhor que lá.
            Mas, em terras estrangeiras,
            E por tristezas de cá,
            Só à noite e às sextas-feiras.
            Nada mais simples não há!
            Canta modas brasileiras.
            Canta – e que pena me dá!
                                  
                                               (Ribeiro Couto)

 Os versos dos poetas modernistas e românticos apresentam relação de intertextualidade com o poema de Ribeiro Couto, EXCETO em uma alternativa. Assinale-a.
a) “Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei” (Manuel Bandeira)   
b) “Dá-me os sítios gentis onde eu brincava / Lá na quadra infantil; / Dá que eu veja uma vez o céu da pátria, / O céu do meu Brasil!” (Casimiro de Abreu)   
c) “Minha terra tem macieiras da Califórnia / onde cantam gaturamos de Veneza. / Os poetas da minha terra / são pretos que vivem em torres de ametista,” (Murilo Mendes)   
d) “Ouro terra amor e rosas / Eu quero tudo de lá / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá” (Oswald de Andrade)   
e) “Em cismar, sozinho, à noite, / Mais prazer eu encontro lá; / Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.” (Gonçalves Dias)   
  
2)  (Fuvest 2010)  Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um “libertas quae sera tamen”*
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!
 (Vinícius de Moraes, “Pátria minha”, Antologia poética.)

*A frase em latim traduz-se, comumente, por “liberdade ainda que tardia”.

Considere as seguintes afirmações:
 I. O diálogo com outros textos (intertextualidade) é procedimento central na composição da estrofe.
II. O espírito de contradição manifesto nos versos indica que o amor da pátria que eles expressam não é oficial nem conformista.
III. O apego do eu lírico à tradição da poesia clássica patenteia-se na escolha de um verso latino como núcleo da estrofe.

Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.   
b) II, apenas.   
c) I e II, apenas.   
d) II e III, apenas.   
e) I, II e III.   

3)TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Você sabia que com pouco esforço é possível ajudar o planeta e o seu bolso?
Ao usarmos a energia elétrica para aparelhos eletrônicos e lâmpadas também emitimos gás carbônico, um dos principais gases do efeito estufa. Atitudes simples como trocar lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes e puxar da tomada os aparelhos que não estão em uso reduzirão a sua conta de luz e as nossas emissões de CO2 na atmosfera.

(Planeta sustentável: conhecimento por um mundo melhor)

  (Mackenzie 2010)  Assinale a alternativa que indica recurso empregado no texto.
a) Intertextualidade, já que se pode notar apropriação explícita e marcada, por meio de citações, de trechos de outros textos.   
b) Conotação, uma vez que o texto emprega em toda a sua extensão uma linguagem que adota tom pessoal e subjetivo.   
c) Ironia, observada no emprego de expressões que conduzem o leitor a outra possibilidade de interpretação, sempre crítica.   
d) Denotação, pois há a utilização objetiva de palavras e expressões que destacam a presença da função referencial.   
e) Metalinguagem, uma vez que a linguagem adotada serve exclusivamente para tratar da própria linguagem.   
  

4) Ideologia

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do “Grand Monde”

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver

O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver

(CAZUZA e ROBERTO FREJAT - 1988)

 E as ilusões estão todas perdidas (v. 3)
Esse verso pode ser lido como uma alusão a um livro intitulado Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac.
Tal procedimento constitui o que se chama de:
a) metáfora   
b) pertinência   
c) pressuposição   
d) intertextualidade   
  
5) (Ueg 2008)  Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta.
            (Disponível em: Acesso em: 19 set. 2007.)

Durante a Ditadura Militar, a censura política funcionou como uma mordaça à liberdade de expressão no Brasil. Em função disso, artistas de diversas tendências usaram a sua criatividade na produção de obras de forte apelo político, mas que, ao mesmo tempo, preservavam a beleza estética. Um exemplo é a canção "Cálice", composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, em 1973. Sobre a expressividade poética e política dessa canção, é INCORRETO afirmar:
a) Ela explora o duplo sentido que se pode verificar na leitura do vocábulo "cálice", em razão da identidade fônica entre esta palavra e a forma verbal do verbo "calar", na terceira pessoa do imperativo.   
b) Percebe-se a manifestação de uma intertextualidade entre os três primeiros versos e o contexto bíblico da crucificação de Cristo.   
c) "Bebida amarga", no contexto da canção, metaforiza o contexto sócio-histórico em que ela foi composta.   
d) A canção é um exemplo da bossa nova, um gênero musical que tentou extirpar qualquer influência norte-americana na música popular brasileira.   
  
6) (Uff 2007)  A modernidade tem-se utilizado de meios expressionais que dialogam com diversas linguagens, produzindo pela intertextualidade novos sentidos e novos diálogos. Identifique o comentário pertinente sobre a ressignificação promovida pela intertextualidade dos fragmentos que se seguem.

a)         Amor é fogo que arde sem se ver.
            É ferida que dói e não se sente.
            É um contentamento descontente.
            É dor que desatina sem doer.
            Luís Vaz de Camões

            O amor é o fogo que arde sem se ver.
            É ferida que dói e não se sente.
            É um contentamento descontente.
            É dor que desatina sem doer.
            Ainda que eu falasse a língua dos homens.
            E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.
            Legião Urbana, "Monte Castelo"

Os versos de "Monte Castelo" retomam três fontes distintas que remetem ao local de resistência (título da canção), à necessidade imperiosa do sentimento fraterno (Apóstolo Paulo) e ao caráter contemplativo e dócil da vivência amorosa (Camões). 
  
b)         Quando nasci, um anjo torto
            desses que vivem na sombra
            Disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
            Carlos Drummond de Andrade, "Poema das sete faces"

            Quando nasci um anjo esbelto,
            desses que tocam trombeta, anunciou:
            vai carregar bandeira.
            Cargo muito pesado pra mulher,
            esta espécie ainda envergonhada.
           Adélia Prado, "Com licença poética"

Os versos de Adélia Prado retomam a imagem do "anjo", reproduzindo o caráter de aceitação do papel da mulher no contexto social.   

c)         Nosso céu tem mais estrelas,
            Nossas várzeas têm mais flores
            Nossos bosques têm mais vida,
            Nossa vida mais amores.
            Gonçalves Dias

            Nossas várzeas têm mais flores
            nossas flores mais pesticidas.
            Só se banham em nossos rios
            Desinformados e suicidas.
           Luiz FernandoVeríssimo

O fragmento retomado por Veríssimo - versos de "Canção do Exílio" - situa a realidade em que se insere, sob o ponto de vista crítico, confrontando-se à visão ufanista do Romantismo.   

d)         Conselho se fosse bom, as pessoas
            não dariam, venderiam.
            Vá dormir que a dor passa.
            Quem espera sempre alcança.
            Provérbios e ditos populares.

            Ouça um bom conselho
            Que eu lhe dou de graça
            Inútil dormir que a dor não passa
            Espere sentado
            Ou você se cansa
            Está provado, quem espera nunca alcança.
           Chico Buarque, "Bom conselho"

O fragmento de "Bom conselho" reforça pela linguagem poética o caráter moralista e educativo desses provérbios.   

e) A feição deles é serem pardos, maneira d'avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como também em mostrar o rosto  Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha a el-rei d. Manuel

            Senhor: Escrevo esta carta para vos dar conta dos sucessos da terra de Vera Cruz desde o dia de seu achamento até a construção desta Brasília onde agora me encontro. Eu a tenho, Senhor, por derradeiro feito e última louçania da gente de cepa e me empenharei em bem descrevê-la, nada pondo ou tirando para aformosear nem para enfear, mas só praticando do que vi, ouvi ou me pareceu.
            Segunda Carta de Pero Vaz de Caminha, a El Rei, escrita da Novel Cidade de Brasília com a data de 21 de abril de 1960. (Por Darcy Ribeiro)

O fragmento da carta de Darcy Ribeiro retoma o estilo detalhista e inventivo de Pero Vaz de Caminha, ao construir a imagem do Brasil segundo o olhar europeu.   
  
7) (Pucpr 2006)  Leia o poema:

podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano

O poeta Paulo Leminski neste poema usa de procedimento redundante em sua obra. Assinale a alternativa que identifica esse procedimento:
a) intertextualidade.   
b) ironia.   
c) crítica à sociedade de massa.   
d) fuga à realidade.   
e) desejo de viver intensamente.   

8) Clonagem

Parabenizo o jornalista Marcelo Leite pelo artigo "O conto das células de cordão" (Mais!, pag. 18,18/7).

A tecnologia de congelamento de células de cordão é muito bem dominada por alguns serviços médicos no Brasil há vários anos. Logo, seria natural que migrássemos para esse campo. Mas, mesmo sendo factível a sua introdução, ficamos convencidos de que essa seria uma área que só deveria ser implantada por instituições (preferencialmente públicas) responsáveis pelo tratamento de um grande contingente de pacientes, pois só com um cadastro nacional abrangente poderiam ser atendidos aqueles com indicação de transplante de medula óssea que não tivessem doadores relacionados disponíveis.
Infelizmente, foi com muito pesar que vi a proliferação de bancos de cordão voltados ao possível atendimento dos próprios doadores do cordão (crianças saudáveis e provenientes de famílias com bons recursos financeiros), uma prática totalmente desnecessária com pouca repercussão do ponto de vista da saúde pública.
Foi por esse motivo que nunca nos aventuramos nessa área.
Silvano Wendel, diretor médico do banco de sangue do Hospital Sírio-Libanês (São Paulo-SP)
FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 23 jul. 2004, p. A3, Painel do Leitor.

 O título do artigo de Marcelo Leite "O conto das células de cordão" resume a tese de que a prática de doação de cordão umbilical não tem favorecido aqueles que realmente necessitam de transplante de medula. O sentido construído no título é alcançado pelo recurso de:
a) inversão, construída pelo emprego das palavras "células" e "conto".   
b) oposição, provocada pelo uso da palavra "cordão" que tem duplo sentido.   
c) paródia, construída pela explicação do que vêm a ser as células de cordão.   
d) intertextualidade, marcada pelo uso de termos que recuperam elementos dos contos de fadas.   
e) contradição, provocada pelo uso dos termos "cordão" e "células" que remetem a domínios diferentes.   
  
9)  (Pucmg 2003)  Leia os versos abaixo, parte do "Poema de Sete Faces", de "Alguma Poesia":

"Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração."

Se considerarmos que Tomás Antônio Gonzaga é autor do verso "Eu tenho um coração maior que o mundo", podemos afirmar que, nos dois versos de Drummond acima transcritos, existe:
a) mera cópia do verso de Tomás Antônio Gonzaga.   
b) plágio visível do verso de Tomás Antônio Gonzaga.   
c) intertextualidade flagrante com o verso de Tomás Antônio Gonzaga.   
d) apropriação indevida do verso de Tomás Antônio Gonzaga.   
  
10)  (Fuvest 2001)  Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a "Canção do Exílio".
Como era mesmo a "Canção do Exílio"?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!
            (Carlos Drummond de Andrade, "Europa, França e Bahia", ALGUMA POESIA)

Neste excerto, a citação e a presença de trechos.............. constituem um caso de..............

Os espaços pontilhados da frase acima deverão ser preenchidos, respectivamente, com o que está em:
a)  do famoso poema de Álvares de Azevedo / discurso indireto.   
b)  da conhecida canção de Noel Rosa / paródia.   
c)  do célebre poema de Gonçalves Dias/ intertextualidade.   
d)  da célebre composição de Villa-Lobos/ ironia.   
e)  do famoso poema de Mário de Andrade / metalinguagem.   
  

Gabarito:  
1) a
b) c
c) d
4) d
5) d
6) c
7) b
8) d
9) c
10) c


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Simulado baseado em questões da FUVEST


1) Das vãs sutilezas

Os homens recorrem por vezes a sutilezas fúteis e vãs para atrair nossa atenção. (...) Aprovo a atitude daquele personagem a quem apresentaram um homem que com tamanha habilidade atirava um grão de alpiste que o fazia passar pelo buraco de uma agulha sem jamais errar o golpe. Tendo pedido ao outro que lhe desse uma recompensa por essa habilidade excepcional, atendeu o solicitado, de maneira prazenteira e justa a meu ver, mandando entregar-lhe três medidas de alpiste a fim de que pudesse continuar a exercer tão nobre arte. É prova irrefutável da fraqueza de nosso julgamento apaixonarmo-nos pelas coisas só porque são raras e inéditas, ou ainda porque apresentam alguma dificuldade, muito embora não sejam nem boas nem úteis em si.(Montaigne, Ensaios.)


O texto revela, em seu desenvolvimento, a seguinte estrutura:                                              
a) formulação de uma tese; ilustração dessa tese por meio de uma narrativa; reiteração e expansão da tese inicial.
 b) formulação de uma tese; refutação dessa tese por meio de uma narrativa; formulação de uma nova tese, inspirada pela narrativa.                                                                                           
c) desenvolvimento de uma narrativa; formulação de tese inspirada nos fatos dessa narrativa; demonstração dessa tese.
d) segmento narrativo introdutório; desenvolvimento da narrativa; formulação de uma hipótese inspirada nos fatos narrado                                                                                                
e)segmento dissertativo introdutório; desenvolvimento de uma descrição; rejeição da tese introdutória.

2) Podemos afirmar que,  na obra D. Casmurro, Machado de Assis:
 a) defende a tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu desde o início como uma futura adúltera.
 b) defende a tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina a futura tragédia.
c) não defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia final.
d) defende a tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação de Capitu.
e) não defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação entre o meio e o fim trágico dos personagens.

3) Teu romantismo bebo, ó minha lua,

A teus raios divinos me abandono,

Torno-me vaporoso... e só de ver-te

Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.

(Álvares de Azevedo, "Luar de verão", Lira dos vinte anos)
Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a:
a) ironia romântica.
b) tendência romântica ao misticismo.
c) melancolia romântica.
d)  aversão dos românticos à natureza.
e) fuga romântica para o sonho.  
              
4) A chamada Lei do Agrotóxico (n. 7.802, de 11/06/89) determina que os rótulos dos produtos não contenham afirmações ou imagens que possam induzir o usuário a erro quanto a sua natureza, composição, segurança, eficácia e uso. Também proíbe declarações sobre a inocuidade, tais como "seguro", "não venenoso", "não tóxico", mesmo que complementadas por afirmações do tipo "quando utilizado segundo as instruções". Em face das proibições da Lei, a compreensão da frase: "Cuidado, este produto pode ser tóxico".                                                                                                                                    a) precisa levar em consideração que a condição suficiente para que um produto possa ser tóxico é sua ingestão, inalação ou contato com a pele e não sua composição.              
b) exige cautela, pois a expressão "pode ser" pressupõe "pode não ser", permitindo a interpretação de que se trata de um produto "seguro", "não venenoso", "não tóxico".               c) precisa levar em consideração que a expressão "pode ser" elimina o sentido de "pode não ser", consistindo em um alerta ao usuário sobre a inocuidade dos produtos.                              d) exige admitir que a condição necessária para que um produto seja tóxico é a sua composição, induzindo o usuário a erro quanto à inocuidade e ao mau uso dos produtos.                                                                                                                                 e) precisa ser complementada com a consideração de que a segurança no manuseio dos agrotóxicos elimina sua toxicidade, bem como eventuais riscos de intoxicação.

5) Dos recursos linguísticos presentes nos quadrinhos, o que contribui de modo mais decisivo para o efeito de humor é a 

 a) pergunta que está subentendida no primeiro quadrinho.
b) primeira fala do primeiro quadrinho.
c) falta de sentido do diálogo entre candidato e cabo eleitoral.
d) utilização de "Fulano", "Beltrano" e "Sicrano" como nomes próprios.
e) ambiguidade que ocorre no uso da expressão "pelas costas".

 6)  A respeito de Pe. Antônio Vieira, pode-se afirmar:                                                                                                                                    a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocupou de problemas locais.                                                                                                                                     b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava.                                 c)Dada sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos mundanos.                       d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-o para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais.                                                                                                                               e)Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos.

Leia o texto abaixo e responda às questões 7 e 8

"Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertanejo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia.
Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada e foi consultar a mulher. Sinha Vitória mandou os meninos para o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio notou que as operações de Sinha Vitória, como de costume, diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros.
Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim senhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria!
O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que o vaqueiro fosse procurar serviço noutra fazenda.
Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à toa, pedia desculpa. Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar questão com gente rica? Bruto, sim senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância da mulher, provavelmente devia ser ignorância da mulher. Até estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia desculpa e jurava não cair noutra.
O amo abrandou, e Fabiano sai de costas, o chapéu varrendo o tijolo. Na porta, virando-se, enganchou as rosetas das esporas, afastou-se tropeçando, os sapatões de couro cru batendo no chão como cascos.
Foi até a esquina, parou, tomou fôlego. Não deviam tratá-lo assim. Dirigiu-se ao quadro lentamente. Diante da bodega de seu Inácio virou o rosto e fez uma curva larga. Depois que acontecera aquela miséria, temia passar ali. Sentou-se numa calçada, tirou do bolso o dinheiro, examinou-o, procurando adivinhar quanto lhe tinham furtado. Não podia dizer em voz alta que aquilo era um furto, mas era. Tomavam-lhe o gado quase de graça e ainda inventavam juro. Que juro! O que havia era safadeza."
                                                    (Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1974.)

O texto, assim como todo o livro de que foi extraído, está escrito em terceira pessoa. No entanto, o recurso frequente ao discurso indireto livre, com a ambiguidade que lhe é característica, permite ao autor explorar o filete da escavação interior, na expressão de Antonio Cândido.
7) Assinale a alternativa em que a passagem é nitidamente um discurso indireto livre:
 a) Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia.
 b) Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano.
 c) Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos.
 d) Passar a vida inteira assim no todo, entregando o que era dele de mão beijada.
 e) O amo abrandou, e Fabiano saiu de costas, o chapéu varrendo o chão.

8) O texto, no seu conjunto, revela que Fabiano:                                                                                 a) ousou enfrentar o branco provando-lhe que as contas dele estavam erradas.                         b) ao perceber que era lesado, defendeu com êxito seus direitos.
c) conscientizou-se de que era vítima da safadeza, e conseguiu justiça
d) concluiu que era explorado na venda do gado e nas contas.
e) indignou-se com a situação, mas voltou às boas com o patrão.

9)  O HACKER E A LITERATURA
Para conceder liberdade provisória a três jovens detidos sob a acusação de praticar crimes pela Internet, um juiz federal do Rio Grande do Norte determinou uma condição inédita: que os rapazes leiam e resumam, a cada três meses, dois clássicos da literatura. As primeiras obras escolhidas foram “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, conto de Guimarães Rosa, e Vidas Secas, romance de Graciliano Ramos.  (Folha de S. Paulo, Cotidiano, 23/04/2008)


Quando o juiz pronunciou a sentença, a primeira reação dele foi de revolta. Preferível a cadeia, disse para os pais e para o advogado. De nada adiantaram os argumentos deles, segundo os quais a decisão do magistrado tinha sido a melhor possível e, mais, um grande avanço na tradição judiciária.
Foi uma revelação, uma experiência pela qual nunca tinha passado antes. De repente, estava descobrindo um novo mundo, um mundo que sempre lhe fora desconhecido. Vidas Secas simplesmente o fez chorar. Leu outros livros de Graciliano e Guimarães Rosa. Leu poemas de Bandeira e João Cabral. E de repente estava decidido: queria dedicar sua vida à literatura. Foi aprovado em Letras, fez o curso, tornou-se professor – leciona na universidade.
Ah, sim, ele tem um sonho: gostaria de ser um ficcionista. Tem na cabeça o projeto de um romance. É a história de um hacker que, entrando num site, descobre uma história tão emocionante que muda sua vida. Uma história como Graciliano Ramos escreveria, se, claro, ele fosse um ex-hacker.            (Adaptado de Moacyr Scliar, Folha de S. Paulo, 28/04/2008)
Esses dois textos, uma vez interrelacionados, estabelecem um diálogo entre
a) dois discursos ficcionais que tratam do mesmo fato.
 b) dois fragmentos dissertativos que desenvolvem a mesma tese.
 c) dois discursos ficcionais que tratam de fatos semelhantes.
 d) um discurso informativo e um ficcional, que desenvolve o primeiro.
 e) um discurso ficcional e um dissertativo, que desenvolve o primeiro.

10) Assinale a alternativa em que o texto está pontuado corretamente:
 a) Matias, cônego honorário e pregador efetivo, estava compondo um sermão quando começou o idílio psíquico.
 b) Matias cônego honorário, e pregador efetivo estava compondo um sermão quando começou o idílio psíquico.
 c) Matias, cônego honorário e pregador efetivo, estava compondo um sermão, quando começou o idílio psíquico.
 d) Matias cônego honorário e pregador efetivo, estava compondo um sermão, quando começou, o idílio psíquico.
 e) Matias, cônego honorário e, pregador efetivo, estava compondo um sermão quando começou o idílio psíquico.


(Fonte: UOL educação - lá você encontra questões de outras matérias também, todas elas extraídas de vestibulares anteriores da FUVEST)

Gabarito:
1.a
2. e
3. a
4. b
5. e
6. b
7. d
8. d
9. d
10. c