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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Fuvest 2013 - 2ª fase ( 4 questões e redação)


1) Leia o texto: Ditadura / Democracia

    A diferença entre uma democracia e um país totalitário é que numa democracia todo mundo
reclama, ninguém vive satisfeito. Mas se você perguntar a qualquer cidadão de uma ditadura o que  acha do seu país, ele responde sem hesitação: “Não posso me queixar”.
(Millôr Fernandes, Millôr definitivo: a bíblia do caos.)

a) Para produzir o efeito de humor que o caracteriza, esse texto emprega o recurso da ambiguidade? Justifique sua resposta.
b) Reescreva a segunda parte do texto (de “Mas” até “queixar”), pondo no plural a palavra “cidadão” e fazendo as modificações necessárias.



2) Leia o excerto: 
     Ninguém mais vive, reparou? Vivencia. “Estou vivenciando um momento difícil”, diz Maricotinha. Fico penalizado, mas ficaria mais se Maricotinha estivesse passando por ou vivendo aquele momento difícil. Há uma diferença, diz o dicionário. Viver é ter vida, existir. Vivenciar também é viver, mas implica uma espécie de reflexão ou de sentir. Não é o caso de Maricotinha. O que ela quer dizer é viver, passar por. Mas disse vivenciar porque é assim que, ultimamente, os pedantes a ensinaram a falar.
(Ruy Castro, Folha de S. Paulo, 27 de junho de 2012. Adaptado.)

a) Da personagem José Dias, diz o narrador do romance  Dom Casmurro, de Machado de Assis: “José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às ideias; não as havendo, servia a prolongar as frases”. Em que o comportamento linguístico de Maricotinha, tal como o caracteriza o texto, se compara ao da personagem machadiana?
b) Quem já ............................................... a perda de um parente conhece a dor que estou sentindo. Preencha a lacuna da frase acima, utilizando o verbo viver ou o verbo vivenciar, de acordo com a preferência do autor do texto. Justifique sua escolha.
c) No trecho “os pedantes a ensinaram a falar”, a palavra “pedante”, considerada no contexto, pode
ser substituída por ...............................................

3)  Leia as seguintes manchetes:
Grupo I 
* Esperada, na Câmara, a mensagem pedindo a decretação do estado de guerra (Jornal do Brasil, 07 de outubro de 1937) 
* Encerrou seus trabalhos a Conferência de Paris (Folha da Manhã, 16 de julho de 1947.)
* Causaram viva apreensão nos E.U.A. os discos voadores ( Folha da Manhã, 30 de julho de 1952)
Grupo II
* Quase metade dos médicos receita o que indústria quer (Folha de S. Paulo, 31 de maio de 2010.)
* Novo terminal de Cumbica atenderá 19 milhões ao ano (Folha de S. Paulo, 26 de junho de 2011.)
* MEC divulga hoje resultados do Enem por escolas (Zero Hora, 22 de novembro de 2012.)

a) Cada um dos grupos de manchetes acima reproduzidos, por ter sido escrito em épocas diferentes,
caracteriza-se pelo uso reiterado de determinados recursos linguísticos. Indique um recurso linguístico que caracteriza as manchetes de cada um desses grupos.
b) Manchetes jornalísticas costumam suprimir vírgulas. Transcreva a última manchete de cada grupo,
acrescentando vírgulas onde forem cabíveis, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.

4) Examine o seguinte anúncio publicitário:  


 a) Qual é a relação de sentido existente entre a imagem de uma folha de árvore e as expressões  “Mapeamento logístico” e “caminho”, empregadas no texto que compõe o anúncio acima  reproduzido? 
b) A que se refere o advérbio “aqui”, presente no texto do anúncio? 

Redação


        Esta é a reprodução (aqui, sem as marcas normais dos anunciantes, que foram substituídas por X de um anúncio publicitário real, colhido em uma revista, publicada no ano de 2012. Como toda mensagem, esse anúncio, formado pela relação entre imagem e texto, carrega pressupostos e implicações: se o observarmos bem, veremos que ele expressa uma determinada mentalidade, projeta uma dada visão de mundo, manifesta uma certa escolha de valores e assim por diante.
        Redija uma dissertação em prosa, na qual você interprete e discuta a mensagem contida nesse anúncio, considerando os aspectos mencionados no parágrafo anterior e, se quiser, também outros aspectos que julgue relevantes. Procure argumentar de modo a deixar claro seu ponto de vista sobre o assunto.

Resolução 1) 
a) O trecho que apresenta duplo sentido é “Não posso me queixar”, que pode ser entendido de duas formas: “não tenho de que me queixar, estou satisfeito”, ou “não tenho permissão para me queixar, pois posso ser punido caso me manifeste”.
b) Mas se você perguntar a quaisquer cidadãos de uma ditadura o que acham de seu país, eles respondem, sem hesitação: Não podemos nos queixar.

Resolução 2) 
a) O comportamento linguístico de José Dias consiste em “dar feição monumental às ideias”, ou seja, em
atribuir-lhes uma aparência engrandecedora. Esse cacoete equivale à preferência de Maricotinha por vivenciar em lugar de  viver, pois aquele verbo teria, supostamente, uma carga semântica mais “nobre”.
b) O verbo que preenche adequadamente a lacuna é viver: Quem já  viveu  a perda de um parente
conhece a dor que estou sentindo. Para o autor, viver, e não vivenciar, deve ser empregado no sentido de “passar por uma experiência”, pois vivenciar implicaria também uma atitude reflexiva.
c) O vocábulo “pedante” pode ser substituído por “pretensioso”, no sentido de “aquele que se pre tende culto, alardeando conhecimento que não possui”.

Resolução 3) 
a) No Grupo I, as manchetes se iniciam pelos verbos (“Esperada”, “Encerrou” e “Causaram”). Assim, põe-se em relevo a ação praticada, não o agente que a praticou, visto que os sujeitos dessas manchetes estão pospostos: “a mensagem”, “a Conferência de Paris”, “os discos voadores”. No Grupo II, as manchetes não estão com os termos das orações invertidos, pois elas se iniciam pelo sujeito: “Quase metade dos médicos”, “Novo Terminal de Cumbica” e “MEC”. Dessa forma, destacam-se os sujeitos e não apenas as ações a eles atribuídas.
b) Nas últimas orações de cada grupo, as vírgulas podem ser empregadas para isolar os adjuntos
adverbiais intercalados:
I) Causaram viva apreensão, nos EUA, os discos voadores.
II) MEC divulga, hoje, resultados do ENEM por escolas.

Resolução 4) 
a) A imagem da folha de árvore apresenta nervuras, que possuem semelhança com um mapa “logístico”, ou seja, um mapa que representa pictoricamente a organização de pormenores de deslocamento.
b) O advérbio “aqui” tanto pode referir-se ao mapeamento logístico da Amazônia, quanto ao respeito
pela natureza, representada pela imagem da folha de árvore.






           

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Unesp 2ª fase 2013- algumas questões e redação


Instrução: As questões de números 25 a 28 tomam por base uma crônica de Clarice Lispector (1925-1977) e uma passagem do Manual do Roteiro, do professor de Técnica do roteiro, consultor e conferencista Syd Field.

Escrever

        Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.
       Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.
        Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida   que não foi abençoada.
       Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.
        Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.
(Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999.)

Escrevendo o roteiro

      Escrever um roteiro é um fenômeno espantoso, quase misterioso. Num dia você está com as coisas sob controle, no dia seguinte sob o controle delas, perdido em confusão e incerteza. Num dia tudo funciona, no outro não; ninguém sabe como ou por quê. É o processo criativo; que desafia análises; é mágica e maravilha.
     Tudo o que foi dito ou registrado sobre a experiência de escrever desde o início dos tempos resume-se a uma coisa — escrever é sua experiência particular, pessoal. De ninguém mais.
     Muita gente contribui para a feitura de um filme, mas o roteirista é a única pessoa que se senta e encara a folha de papel
em branco.
     Escrever é trabalho duro, uma tarefa cotidiana, de sentar-se diariamente diante de seu bloco de notas, máquina de escrever ou computador, colocando palavras no papel. Você tem que investir tempo.
    Antes de começar a escrever, você tem que achar tempo para escrever.
    Quantas horas por dia você precisa dedicar-se a escrever?
     Depende de você. Eu trabalho cerca de quatro horas por dia, cinco dias por semana. John Millius escreve uma hora por dia, sete dias por semana, entre 5 e 6 da tarde. Stirling Silliphant, que escreveu The Towering Inferno (Inferno na Torre), às vezes escreve 12 horas por dia. Paul Schrader trabalha com a história na cabeça por meses, contando-a para as pessoas até que ele a conheça completamente; então ele “pula na máquina” e a escreve em cerca de duas semanas. Depois ele gastará semanas polindo e consertando a história.
      Você precisa de duas a três horas por dia para escrever um roteiro.
      Olhe para a sua agenda diária. Examine o seu tempo. Se você trabalha em horário integral, ou cuidando da casa e da família, seu tempo é limitado. Você terá que achar o melhor horário para escrever. Você é o tipo de pessoa que trabalha melhor pela manhã? Ou só vai acordar e ficar alerta no final da tarde? Tarde da noite pode ser um bom horário. Descubra.
(Syd Field. Manual do roteiro, 1995.)

    1)  Clarice Lispector coloca inicialmente o processo da criação literária como uma maldição. Em seguida, ressalva que é também uma salvação. Com base no texto da crônica, explique como a autora resolve essa diferença de conceitos sobre a criação literária.


    2) Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Explique, com base no primeiro parágrafo do texto Escrevendo o roteiro, se Syd Field concorda com esta afirmação de Clarice Lispector.

   3) Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. Ao empregar na frase apresentada o advérbio eventualmente, o que revela Clarice Lispector sobre a criação de um conto ou romance?

    4) No sétimo parágrafo do texto de Syd Field, que informação o autor passa ao aprendiz de roteirista com os diversos exemplos que apresenta?

Redação: Proposição

      Desde pequeno, você vem sendo submetido, na escola, à prática de escrever. Com o passar do tempo, as exigências se tornaram cada vez maiores para que você aumentasse a qualidade de seus textos e não demorou muito para perceber que lá adiante, no fim do túnel do Ensino Médio, haveria uma prova muito importante, com bom peso na nota: a redação no vestibular. Nesse trajeto, em muitos momentos, você se perguntou: Afinal, para que escrever? Para que fazer uma boa redação? Só para passar no vestibular? Na era da internet, para que eu tenho de aprender a redigir, se a comunicação visual funciona muito melhor? Eu não sou escritor, não preciso saber criar textos!
      É isso o que você pensa mesmo? Ou são apenas desabafos? Pois chegou a hora de dizer realmente o que pensa sobre o escrever. Para Clarice Lispector, escrever é maldição e salvação. Para Syd Field, é uma atividade profissional muito importante dentro da atividade geral da arte cinematográfica. E para você?
       Com base nestes comentários, em sua própria experiência e, se achar necessário, levando em consideração os textos de Clarice Lispector e Syd Field, escreva uma redação de gênero dissertativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: Escrever: o trabalho e a inspiração






quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ITA 2013 (14 questões e redação)


As questões 1 a 6 referem-se ao Texto 1:   Escravos da tecnologia

      Não, não vou falar das fábricas que atraem trabalhadores honestos e os tratam de forma desumana. Cada vez que um produto informa orgulhoso que foi desenhado na Califórnia e fabricado na China, sinto um arrepio na espinha. Conheço e amo essas duas partes do mundo. 
      Também conheço a capacidade de a tecnologia eliminar empregos. Parece o sonho de todo patrão:
muita margem de lucro e poucos empregados. Se possível, nenhum! Tudo terceiro! 
     Conheço ainda como a tecnologia é capaz de criar empregos. Vivo há 15 anos num meio que disputa engenheiros e técnicos a tapa, digo, a dólares. O que acontece aí no Brasil, nessa área, acontece igualzinho
no Vale do Silício: empresas tentando arrancar talentos umas das outras. Aqui, muitos decidem tentar a sorte abrindo sua própria start-up, em vez de encher o bolso do patrão. Estou rodeada também de investidores querendo fazer apostas para... voltar a encher os bolsos ainda mais.
       Mas queria falar hoje de outro tipo de escravidão tecnológica. Não dos que dormiram na rua sob chuva para comprar o novo iPhone 4S... Quero reclamar de quanto nós estamos tendo de trabalhar de graça para os sistemas, cada vez que tentamos nos mover na internet. Isso é escravidão – e odeio isso.
    Outro dia, fiz aniversário e fui reservar uma mesa num restaurante bacana da cidade. Achei o site do restaurante, lindo, e pareceu fácil de reservar on-line. Call on OpenTable, sistema bastante usado e eficaz por aqui. Escolhi dia, hora, informei número de pessoas e, claro, tive de dar meu nome,  e-mail e telefone. 
       Dois dias antes da data marcada, precisei mudar o número de participantes, pois tive confirmação de mais pessoas. Entrei no site, mas aí nem o site nem o OpenTable podiam modificar a reserva on-line, pela proximidade do jantar. A recomendação era... telefonar ao restaurante! Humm... Telefonei. Secretária eletrônica. Deixei recado.
     No dia seguinte um funcionário do restaurante me ligou, confirmando ter ouvido o recado e tudo certo com o novo tamanho da mesa. Incrível! Que felicidade ouvir um ser humano de verdade me dando a resposta que eu queria ouvir! Hoje, tentando dar conta da leitura dos vários e-mails que recebo, tentando arduamente não perder os relevantes, os  imprescindíveis, os dos amigos, os da família e os dos leitores, recebi um do OpenTable. 
       Queriam que avaliasse minha experiência no restaurante.  Tudo bem, concordo que ranking do público é coisa legal. Mas posso dizer outra coisa?
       Não tenho tempo de ficar entrando em sites  e preenchendo questionário de avaliação de cada refeição, produto e serviço que usufruo na vida! Simples assim! Sem falar que é chato! Ainda mais agora que os crescentes intermediários eletrônicos se metem no jogo entre o cliente e o fornecedor. 
       Quando o garçom ou o “maitre” perguntam se a comida está boa, você fica contente em responder, até porque eles podem substituir o prato se você não estiver gostando. Mas quando um terceiro se mete nessa relação sem ser chamado, pode ser excessivo e desagradável. Parece que todas as empresas do mundo decidiram que, além de exigir informações cadastrais, logins e senhas, e empurrar goela abaixo seus sistemas automáticos de atendimento, tenho agora de preencher fichas pós-venda eletronicamente, de modo que as estatísticas saiam prontas e baratinhas para eles do outro lado da tela, à custa do meu precioso tempo!
       Por que o OpenTable tem de perguntar de novo o que achei da comida? Eu sei. Porque para o OpenTable essa informação tem um valor diferente. Não contente em fazer reservas, quis invadir a praia do Yelp, o grande guia local que lista e traz avaliações dos clientes para tudo quanto é tipo de serviço, a começar pelos restaurantes.
        O Yelp, por sua vez, invadiu a praia do Zagat (recém-comprado pelo Google), tradicionalíssimo guia (em papel) de restaurantes, que, por décadas, foi alimentado pelas avaliações dos leitores, via correio.
        As relações cliente-fornecedor estão mudando. Não faltarão “redutores” de custos e atravessadores on-line.
(*) Start-up: Empresa com baixo custo de manutenção, que consegue crescer rapidamente e gerar grandes e crescentes lucros  em condições de extrema incerteza.  

(Marion Strecker. Folha de S. Paulo, 20/10/2011. Texto adaptado.) 

  
1)  Embora todas as afirmações abaixo estejam respaldadas no texto, o foco da crítica está
a) na venda de produtos e serviços por meio de empresas virtuais.
b) no consumo das pessoas em empresas virtuais atualmente.
c) na intermediação da Internet nas relações consumidores e empresas.
d) nas pessoas que se deixam explorar pelas empresas virtuais.
e) nas pesquisas de opinião que consumidores fazem gratuitamente para as empresas virtuais.

2) O aspecto da noção de sistema criticado no texto diz respeito
a) à fabricação de produtos tecnológicos em mais de um país.
b) ao uso de mecanismos computacionais para colher informações dos consumidores.
c) aos mecanismos eletrônicos para fazer reservas.
d) à forma como foram elaborados os guias Yelp e Zagat.
e) à terceirização da fabricação de produtos e da prestação de serviços.

3) Assinale a opção em que o trecho NÃO apresenta uma interpretação subjetiva da autora.
a) Parece o sonho de todo patrão: muita margem de lucro e poucos empregados.
b) Isso é escravidão – e odeio isso.
c) Dois dias antes da data marcada, precisei mudar o número de participantes, pois tive a confirmação de mais pessoas.
d) Tudo bem, concordo que ranking de público é coisa legal.
e) Mas quando um terceiro se mete nessa relação sem ser chamado, pode ser excessivo e desagradável.

4) Assinale a opção em que no trecho selecionado NÃO se evidencia o recurso à linguagem figurada.
a) Também conheço a capacidade de a tecnologia eliminar empregos.
b) Vivo há 15 anos num meio que disputa engenheiros e técnicos a tapa, digo, a dólares.
c) Aqui, muitos decidem tentar a sorte abrindo sua
própria start-up, em vez de encher o bolso do patrão.
d) Parece que todas as empresas do mundo decidiram que, além de exigir informações cadastrais, logins e senhas, e empurrar  goela abaixo seus sistemas automáticos de atendimento, [ .. .].
e) Não contente em fazer reservas, quis invadir a praia do Yelp, o grande guia local que lista e traz avaliações dos clientes para  tudo quanto é tipo de serviço, a começar pelos restaurantes.

5) Em diversos momentos do texto, a autora dialoga com o leitor, antecipando possíveis reações dele. Assinale a opção em que no trecho selecionado  NÃO há essa antecipação.
a) Não, não vou falar das fábricas que atraem trabalhadores honestos e os tratam de forma desumana.
b) Não dos que dormiram na rua sob chuva para comprar o novo iPhone 4S ...
c) Mas posso dizer outra coisa?
d) Eu sei. Porque para o OpenTable essa informação tem um valor diferente.
e) As relações cliente-fornecedor estão mudando.

6)  No trecho “Porque para o OpenTable essa informação tem um valor diferente.” , o segmento
grifado refere-se
a) à opinião do consumidor sobre a comida.
b) ao trabalho de fazer reservas.
c) às avaliações dos restaurantes.
d) às avaliações de todo tipo de serviço.
e) às fichas pós-venda eletrônicas.


As questões 7 a 9 referem-se ao Texto 2: Trecho de uma entrevista com o escritor canadense Don Tapscott. 
Jornalista:_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 
Don Tapscott: Quando falamos em informação livre, em transparência, falamos de governos, de empresas, não do ser  humano comum. As pessoas não têm obrigação de expor seus dados, seus gostos. Ao contrário, elas têm a obrigação  de manter a privacidade. Porque a garantia da privacidade é um dos pilares de nossa sociedade. Mas vivemos num  mundo em que as informações pessoais circulam, e essas informações formam um ser virtual. Muitas vezes, esse ser  virtual tem mais dados sobre você do que você mesmo. Exemplo: você pode não lembrar o que comprou há um ano, o  que comeu ou que filme viu há um ano. Mas a empresa de cartão de crédito sabe, o Facebook pode saber. Muitas  pessoas defendem toda essa abertura, mas isso pode ser muito perigoso por uma série de razões. Há muitos agentes  do mal por aí, pessoas que podem coletar informações a seu respeito para prejudicá-lo. Muitas vezes somos nós que 
oferecemos essa informação. Por exemplo, 20% dos adolescentes nos Estados Unidos enviam para as namoradas ou  namorados fotos em que aparecem nus. Quando uma menina de 14 anos faz isso, ela não tem ideia de onde vai parar  essa imagem. O namorado pode estar mal-intencionado ou ser ingênuo e compartilhar a foto. 
Jornalista: E as informações que não fornecemos, mas que coletam sobre nós por meio da visita a websites ou pelo  consumo?
Don Tapscott: Há dois grandes problemas. Um é o que chamo de Big Brother 2.0, que é diferente daquela ideia de ser  filmado o tempo todo por um governo. Esse Big Brother 2.0 é a coleta sistemática de informações feita pelos governos.  O segundo problema é o "little brother" – as empresas que também coletam informações a nosso respeito por razões  econômicas, para definir nosso perfil e nos bombardear com publicidade. Muitas empresas, como o Facebook, querem  é que a gente forneça mais e mais informações sobre nós mesmos porque isso tem valor. Às vezes, isso pode até ser  vantajoso. Se eu, de fato, estiver procurando um carro, seria ótimo receber publicidade de carros diretamente. Mas e se  essas empresas tentarem manipulá-lo?  Podem usar sofisticados instrumentos de psicologia para motivá-lo a fazer  alguma coisa sobre a qual você nem estava pensando.
Jornalista: O que podemos fazer para evitar isso?
Don Tapscott: Precisamos de mais leis sobre como essas informações são usadas. É necessário ficar claro que os  dados coletados serão usados apenas para um propósito específico e que esse conjunto de dados não pode ser  vendido para outros sem a sua permissão.  
(Folha de S. Paulo, 12/07/2012. Texto adaptado.)

7) Para o entrevistado, a coleta de informações
I.     por indivíduos pode ser prejudicial às pessoas.
II.    pelo “little brother” é mais danosa do que a pelo Big Brother 2.0.
III.   por empresas pode ser danosa se as pessoas não souberem para que são usadas.
Está(ão) correta(s) apenas:
a) I.   b) I e III.    c)II.    d) II e III.     e) III.

8) Assinale a opção que apresenta a melhor pergunta do jornalista (1ª linha do texto) para a resposta do entrevistado.
a)  Qual sua opinião sobre o uso que as empresas fazem da Internet?
b) O senhor vê grandes mudanças na comunicação hoje, após o advento da Internet?
c) Qual sua opinião sobre o comportamento dos jovens hoje na Internet?
d) Hoje, quando tanto se fala de troca de informações on-line, como fica a questão da privacidade?
e)  Atualmente, por que os governos precisam de tantas informações sobre as pessoas comuns?

9) Na resposta de Don Tapscott para a segunda pergunta, uma forma típica da linguagem oral, cujo uso  NÃO é  recomendado para textos escritos formais é:
I.    a troca de pronome da primeira para a segunda pessoa do singular.
II.   a forma do pronome relativo em “sobre a qual”.
III.  o emprego do pronome pessoal oblíquo em “manipulá-lo” e “motivá-lo”.
Está(ão) correta(s) apenas:
A (  ) I.   B (  ) I e II.    C (  ) I e III.    D (  ) II.      E (  ) II e III.

10) Os Textos 1 (Escravos da tecnologia) e 2 (trecho de uma entrevista com Don Tapscott) têm em comum:
a) a crítica à exposição da privacidade dos usuários da Internet pelas empresas.
b)  as avaliações da autora (Texto 1) e do entrevistado (Texto 2) em relação ao uso atual da Internet.
c) o apontamento de mais aspectos positivos que negativos no uso da Internet.
d)  a crítica ao fornecimento voluntário de dados por usuários da Internet para as empresas.
e)  a ingenuidade dos internautas quanto ao fornecimento de informações.

As questões 11 e 12 referem-se ao Texto 3:

     Edison não conseguia se concentrar de jeito nenhum. Tinha sempre dois ou três empregos e passava o dia indo de um  para outro. Adorava trocar mensagens, e se acostumou a escrever recados curtos e constantes, às vezes para mais de  uma pessoa ao mesmo tempo. Apesar de ser um cara mais inteligente do que a média, sofria quando precisava ler um  livro inteiro. Para completar, comia rápido e dormia pouco – e não conseguia se dedicar ao casamento conturbado, por  falta de tempo. Se identificou? Claro, quem não tem esses problemas? Passar horas no twitter ou no celular, correr de  um lado para o outro e ter pouco tempo disponível para tantas coisas que você tem que fazer são dramas que todo  mundo enfrenta. Mas esse não é um mal do nosso tempo. O rapaz da história aí em cima era ninguém menos que  Thomas Edison, o inventor da lâmpada. A década era a de 1870 e o aparelho que ele usava para mandar e receber  mensagens, um telégrafo. O relato, que está em uma edição de 1910 do jornal New York Times, conta que quando  Edison finalmente percebeu que seu problema era falta de concentração, parou tudo. Se fechou em seu escritório e se  focou em um problema de cada vez. A partir daí, produziu e patenteou mais de 2 mil invenções. [...] (Gisela Blanco.  Superinteressante, julho/2012)

11) O tema desse texto é:
a) o modo de viver de um cientista durante parte de sua vida.  
b) a dispersão de um cientista.
c)  a criatividade de um grande gênio da ciência.  
d)   a falta de tempo das pessoas.
e)  a dificuldade de concentração de pessoas ao longo dos tempos.

12)  O emprego da vírgula no trecho, “A década era a de 1870 e o aparelho que ele usava para mandar e receber  mensagens, um telégrafo.”, é semelhante em:
a) Para quem busca uma diversão na tarde de domingo, este filme é o mais recomendado.
b) Ainda que não sejam os de menor custo, os alimentos orgânicos são os mais indicados pelos nutricionistas.
c) O professor de desenho prefere os alunos criativos e o de lógica, os ousados na teoria.
d) Os testes de QI (Quociente de Inteligência), atualmente, são desacreditados por diversas correntes teóricas da Psicologia.
e) Pôr circuitos eletrônicos em envoltórios é uma prática comum, conhecida como encapsulamento.

As questões 13 e 14 referem-se ao Texto 4: 

      Nove em cada dez usuários de Internet recebem spams em seus e-mails corporativos, segundo estudo realizado  pela empresa alemã Antispameurope, especializada em lixo eletrônico virtual. Cada trabalhador perde, em média, sete  minutos por dia limpando a caixa de mensagens, e essa quebra na produtividade custa € 828 – pouco mais de R$ 2,3  mil – anuais às empresas.  
     Tomando-se como base os números apontados pela pesquisa, uma corporação de médio porte, com mil  funcionários, perde, portanto, € 828 mil por ano – ou R$ 2,3 milhões – com esta prática que é considerada, apesar de  simplória, uma verdadeira praga da modernidade. 
    O spam remete às mensagens não-solicitadas enviadas em massa, geralmente utilizadas para fins comerciais, e  pode de fato prejudicar consideravelmente a produtividade no ambiente de trabalho.  
       Um relatório da Symantec, empresa de segurança virtual, mostra que o Brasil é o segundo maior emissor de spam do mundo, com geração de 10% de todo o fluxo de mensagens indesejadas na rede mundial de computadores. Os  campeões são os norte-americanos, com 26%. [...] (Rodrigo Capelo.  http://www.vocecommaistempo.com.br. Acesso em: 23/09/2012.  Texto adaptado.)

13)  Um título que contempla o conteúdo abordado no texto é:
a)  Spam: Estados Unidos e Brasil lideram o ranking.  
b) Spam: preocupação de empresas europeias.
c) Spam: perda de tempo e prejuízos financeiros.    
d)  Spam: praga da modernidade.
e) Spam: nova forma de propaganda.

14) A expressão “apesar de simplória” no segundo parágrafo pode ser substituída por
a) embora efêmera.    
b)   no entanto fácil.  
c )  não obstante comum.
d) ainda que pouco complexa.  
e)  todavia rápida.

Proposta de Redação: 
       
       A partir da tirinha acima e  considerando os textos desta prova cujos temas se  aproximam ao da tirinha, redija uma dissertação em prosa, na folha a ela destinada, argumentando
em favor de um ponto de vista sobre o tema. A  redação deve ser feita com caneta azul ou preta.
          Na avaliação de sua redação, serão considerados:
a) clareza e consistência dos argumentos em  defesa de um ponto de vista sobre o assunto;
b) coesão e coerência do texto; e
c) domínio do português padrão.
    
Gabarito:
1) e
2) b
3) c
4) a
5) e
6) c
7) b
8) d
9) a
10) b
11) e
12) c
13) c
14) d

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Prova da Fuvest - 2013 (8 questões da 1ª fase)


Texto para as questões de 1 a 3: Vivendo e...

      Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a precisão que tinha quando era garoto. (...) 
     Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo
buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos.
Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por
outro número, dava a distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números. (...)
      Lembro o orgulho com que consegui, pela primeira vez, cuspir corretamente pelo espaço adequado entre os dentes de cima e a ponta da língua de modo que o cuspe ganhasse distância e pudesse ser mirado. Com prática, conseguia-se controlar a trajetória elíptica da cusparada com uma mínima margem de erro. Era puro instinto. Hoje o mesmo feito requereria complicados cálculos de balística, e eu provavelmente só acertaria a frente da minha camisa. Outra habilidade perdida.
      Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É vivendo e .................... . Não falo daquelas coisas que deixamos de fazer porque não temos mais as condições físicas e a coragem de antigamente, como subir em bonde andando – mesmo porque não há mais bondes andando. Falo da sabedoria desperdiçada, das artes que nos abandonaram. Algumas até úteis. Quem nunca desejou ainda ter o cuspe certeiro de garoto para acertar em algum alvo contemporâneo, bem no olho, e depois sair correndo? Eu já.
(Luís F. Veríssimo, Comédias para se ler na escola)

1)  A palavra que o cronista omite no título, substituindo-a por reticências, ele a emprega no último
parágrafo, na posição marcada com pontilhado. Tendo em vista o contexto, conclui-se que se trata da palavra
a) desanimando.
b) crescendo.
c) inventando.
d) brincando.
e) desaprendendo.

2)  Um dos contrastes entre passado e presente que caracterizam o desenvolvimento do texto manifesta-se
na oposição entre as seguintes expressões:
a) “precisão” (L. 4) / “fórmula” (L. 10).
b) “muita confusão” (L. 12) / “distância exata” (L. 16).
c) “trajetória elíptica” (L. 22) / “mínima margem de erro” (L. 23).
d) “puro instinto” (L. 23-24) / “complicados cálculos” (L. 24-25).
e) “habilidade perdida” (L. 26) / “artes que nos abandonaram” (L. 32-33).

3)  Considere as seguintes substituições propostas para diferentes trechos do texto:
I. “o número a que chegasse” (L. 14-15) = o número a que alcançasse.
II. “Lembro o orgulho” (L. 18) = Recordo-me do orgulho.
III. “coisas que deixamos de fazer” (L. 28-29) = coisas que nos descartamos.
IV. “não há mais bondes” (L. 31) = não existe mais bondes.
A correção gramatical está preservada apenas no que foi proposto em
a) I.
b) II.
c) III.
d) II e IV.
e) I, III e IV.

Texto para as questões de 4 a 6

        A essência da teoria democrática é a supressão de qualquer imposição de classe, fundada no postulado ou na crença de que os conflitos e problemas humanos ņ econômicos, políticos, ou sociais  ņ são solucionáveis pela educação, isto é, pela cooperação voluntária, mobilizada pela opinião pública esclarecida. Está claro que essa opinião pública terá de ser formada à luz dos melhores conhecimentos existentes e, assim, a pesquisa científica nos campos das ciências naturais e das chamadas ciências sociais deverá se fazer a mais ampla, a mais vigorosa, a mais livre, e a difusão desses conhecimentos, a mais completa, a mais imparcial e em termos que os tornem acessíveis a todos.
(Anísio Teixeira, Educação é um direito. Adaptado.)

4)  De acordo com o texto, a sociedade será democrática quando
a) sua base for a educação sólida do povo, realizada por meio da ampla difusão do conhecimento.
b) a parcela do público que detém acesso ao conhecimento científico e político passar a controlar a opinião pública.
c) a opinião pública se formar com base tanto no respeito às crenças religiosas de todos quanto no conhecimento científico.
d) a desigualdade econômica for eliminada, criando-se, assim, a condição necessária para que o povo seja
livremente educado.
e) a propriedade dos meios de comunicação e difusão do conhecimento se tornar pública.

5)  No trecho “chamadas ciências sociais”, o emprego do termo “chamadas” indica que o autor
a) vê, nas “ciências sociais”, uma panaceia, não uma análise crítica da sociedade.
b) considera utópicos os objetivos dessas ciências.
c) prefere a denominação “teoria social” à denominação “ciências sociais”.
d) discorda dos pressupostos teóricos dessas ciências.
e) utiliza com reserva a denominação “ciências sociais".

6)  Dos seguintes comentários linguísticos sobre diferentes trechos do texto, o único correto é:
a) Os prefixos das palavras “imposição” e “imparcial” têm o mesmo sentido.
b) As palavras “postulado” e “crença” foram usadas no texto como sinônimas.
c) A norma-padrão condena o uso de “essa”, no trecho “essa opinião”, pois, nesse caso, o correto seria usar “esta”.
d) A vírgula empregada no trecho “e a difusão desses conhecimentos, a mais completa” indica que, aí,
ocorre a elipse de um verbo.
e) O pronome sublinhado em “que os tornem” tem como referente o substantivo “termos”.

Texto para as questões de 7 a 8:  O samba

      À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento. (...)
      É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes
com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas. Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o
samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudar- se.
     Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco. (...)
(José de Alencar, Til.)
(*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se.

7) Para adequar a linguagem ao assunto, o autor lança mão também de um léxico popular, como atestam
todas as palavras listadas na alternativa
a) saracoteio, brasido, rabanar, senzalas.
b) esperneiam, senzalas, pincham, delírio.
c) saracoteio, rabanar, cangote, pincham.
d) fazenda, rabanar, cinzas, esperneiam.
e) delírio, cambalhotas, cangote, fazenda.

8) Na composição do texto, foram usados, reiteradamente,
I. sujeitos pospostos;
II. termos que intensificam a ideia de movimento;
III. verbos no presente histórico.
Está correto o que se indica em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, II e III.

Gabarito:
1.e
2. d
3. b
4. a 
5.e 
6.d
7. c
8.  e




domingo, 2 de dezembro de 2012

Prova da Unesp 2013 (10 das 20 questões)

Instrução: As questões de números 01 a 05 tomam por base um texto de Millôr Fernandes (1924-2012).

Os donos da comunicação

          Os presidentes, os ditadores e os reis da Espanha que se cuidem porque os donos da comunicação duram muito mais. Os ditadores abrem e fecham a imprensa, os presidentes xingam a TV e os reis da Espanha cassam o rádio, mas, quando a gente soma tudo, os donos da comunicação ainda tão por cima. Mandam na economia, mandam nos intelectuais, mandam nas moças fofinhas que querem aparecer nos shows dos horários nobres e mandam no society que morre se o nome não aparecer nas colunas.
         Todo mundo fala mal dos donos da comunicação, mas só de longe. E ninguém fala mal deles por escrito porque quem fala mal deles por escrito nunca mais vê seu nome e sua cara nos “veículos” deles. Isso é assim aqui, na Bessarábia e na Baixa Betuanalândia. Parece que é a lei. O que também é muito justo porque os donos da comunicação são seres lá em cima. Basta ver o seguinte: nós, pra sabermos umas coisinhas, só sabemos delas pela mídia deles, não é mesmo? Agora vocês já imaginaram o que sabem os donos da comunicação que só deixam sair 10% do que sabem?
         Pois é; tem gente que faz greve, faz revolução, faz terrorismo, todas essas besteiras. Corajoso mesmo, eu acho, é falar mal de dono de comunicação. Aí tua revolução fica xinfrim, teu terrorismo sai em corpo 6 e se você morre vai lá pro fundo do jornal em quatro linhas.

(Millôr Fernandes. Que país é este?, 1978.)

Questão 01) Para Millôr Fernandes, no texto apresentado, os donos da comunicação são
(A) produtores de tecnologia de informação e comunicação.
(B) dirigentes de órgãos governamentais que regem a comunicação no país.
(C) proprietários de veículos de comunicação em massa.
(D) apresentadores de telejornais e programas populares de televisão.
(E) funcionários executivos de empresas de publicidade.

Questão 02) Millôr Fernandes emprega com conotação irônica o termo inglês society, para referir-se a
(A) pessoas dedicadas ao desenvolvimento da sociedade.
(B) pessoas que fazem caridade apenas para aparecer nos jornais.
(C) sociedades de atores de teatro, cinema e televisão.
(D) norte-americanos ou ingleses muito importantes, residentes no país.
(E) indivíduos presunçosos da chamada alta sociedade.

Questão 03) Com a frase "Parece que é a lei", no segundo parágrafo, o humorista tenta explicar que
(A) as pessoas poderosas se unem em sociedades secretas.
(B) o poder dos donos da comunicação parece ter força de lei.
(C) parece que a lei não existe no mundo da comunicação.
(D) o poder dos grandes empresários emana de uma lei que os protege.
(E) as leis não foram criadas para proteger os cidadãos.

Questão 04) As repetições, o uso de palavras e expressões populares, a justaposição fluente de ideias, dispensando vírgulas, e as ironias constantes atribuem ao texto de Millôr Fernandes
(A) tom descontraído e bem-humorado.
(B) dificuldade de leitura e compreensão.
(C) feição arcaica e ultrapassada.
(D) estilo agressivo e contundente.
(E) imagens vulgares e obscenas.

Questão 05) No último período do texto, a discrepância dos possessivos teu e tua (segunda pessoa do singular) com relação ao pronome de tratamento você (terceira pessoa do singular) justifica-se como
(A) possibilidade permitida pelo novo sistema ortográfico da língua portuguesa.(B) um modo de escrever característico da linguagem jornalística.
(C) emprego perfeitamente correto, segundo a gramática normativa.
(D) aproveitamento estilístico de um uso do discurso coloquial.
(E) intenção de agredir com mau discurso os donos da comunicação.

   Instrução: As questões de números 6 a 10  tomam por base dois trechos de um artigo de Alexandre Oliva sobre a importância do uso de software na educação.

         Software Livre, isto é, software que respeita as liberdades dos usuários de executar o software para qualquer propósito, de estudar o código fonte do software e adaptá-lo para que faça o que o usuário deseje, de fazer e distribuir cópias do software, e de melhorá-lo e distribuir as melhorias, permite que pessoas usem computadores sem abrir mão de serem livres e independentes, sem aceitar condições que os impeçam de obter ou criar conhecimento desejado.
       Software que priva o usuário de qualquer dessas liberdades não é Livre, é privativo, e mantém usuários divididos, dependentes e impotentes. Não é uma questão técnica, não tem nada a ver com preço nem com a tarefa prática desempenhada pelo software. Um mesmo programa de computador pode ser Livre para alguns usuários e não-Livre para outros, e tanto os Livres quanto os privativos podem ser grátis ou não. Mas além do conhecimento que foram projetados para transmitir, um deles ensinará liberdade, enquanto o outro ensinará servidão.
       [...]
       Se o usuário depender de permissão do desenvolvedor do software para instalá-lo ou utilizá-lo num computador qualquer, o desenvolvedor que decida negá-la, ou exija contrapartida para permiti-la, efetivamente terá controle sobre o usuário. Pior ainda se o software armazenar informação do usuário de maneira secreta, que somente o fornecedor do software saiba decodificar: ou o usuário paga o resgate imposto pelo fornecedor, ou perde o próprio conhecimento que confiou ao seu controle. Seja qual for a escolha, restarão menos recursos para utilizar na educação.
       Ter acesso negado ao código fonte do programa impede o educando de aprender como o software funciona. Pode parecer pouco, para alguém já acostumado com essa prática que pretende também controlar e, por vezes, enganar o usuário: de posse do código fonte, qualquer interessado poderia perceber e evitar comportamento indesejável, inadequado ou incorreto do software. Através dessa imposição de impotência, o fornecedor cria um monopólio sobre eventuais adaptações ao software: só poderão ser desenvolvidas sob seu controle. Pior ainda: cerceia a curiosidade e a criatividade do educando. Crianças têm uma curiosidade natural para saber como as coisas funcionam. Assim como desmontam um brinquedo para ver suas entranhas, poderiam querer entender o software que utilizam na escola. Mas se uma criança pedir ao professor, mesmo o de informática, que lhe ensine como funciona um determinado programa privativo, o professor só poderá confessar que é um segredo guardado pelo fornecedor do software, que a escola aceitou não poder ensinar ao aluno. Limites artificiais ao que os alunos poderão almejar descobrir ou aprender são a antítese da educação, e a escolha de modelos de negócio de software baseados numa suposta necessidade de privação e controle desse conhecimento não deve ser incentivada por ninguém, muito menos pelo setor educacional.

(Alexandre Oliva. Software privativo é falta de educação. http://revista.espiritolivre.org)

Questão 6) De acordo com a argumentação do especialista Alexandre Oliva, a principal característica de um software livre consiste em
(A) não permitir que o usuário o copie para outro computador ou para terceiros.
(B) apresentar grande facilidade de instalação e uso.
(C) revelar qualidade superior e maior velocidade de desempenho.
(D) ser sempre muitíssimo mais barato que o software privativo.
(E) dar liberdade de acesso e manipulação do código-fonte ao usuário.

Questão 7) Conforme aponta o autor no terceiro parágrafo, um dos problemas dos programas privativos é
(A) sofrerem rápida defasagem, necessitando de atualizações constantes.
(B) exigirem contrapartida para instalações em outros computadores.
(C) apresentarem preço extorsivo para o usuário em ambiente doméstico.
(D) trazerem a marca registrada ou de fantasia da empresa.
(E) não poderem ser devolvidos em caso de ineficácia.

Questão 8) "Crianças têm uma curiosidade natural para saber como as coisas funcionam."  No contexto em que surge, no último parágrafo, esta frase aponta um fato que reforça o argumento de Alexandre Oliva, segundo o qual
(A) seria altamente educativo que as escolas utilizassem programas sem limitações de acesso a seu funcionamento.
(B) a educação brasileira necessita, urgentemente, de teorias que estimulem ainda mais a curiosidade infantil.
(C) tanto faz usar um tipo de programa como outro, desde que as crianças sejam consultadas primeiro.
(D) tanto faz usar software privativo como livre, que as crianças sempre dão um jeito de desmontá-lo.
(E) os programas privativos, apesar dos problemas que apresentam, são mais indicados para a educação.

Questão 9) No fragmento do artigo apresentado, em todas as referências a software, a palavra “Livre” aparece com inicial maiúscula e a palavra “privativo” com inicial minúscula. Aponte a alternativa que explica essa diferença em função do próprio contexto do artigo:
(A) Foi seguido o preceito segundo o qual todos os nomes próprios do idioma devem ser escritos sempre com inicial maiúscula.
(B) A maiúscula foi necessária no contexto para ressaltar o fato de que as palavras “livre” e “privativo” pertencem a classes gramaticais diferentes.
(C) O autor escreveu a inicial maiúscula na palavra “livre” sem nenhum motivo justificável em função do texto do artigo.
(D) A inicial maiúscula em “livre” foi empregada como recurso estilístico para enfatizar a grande importância que o autor atribui a tal tipo de software.
(E) Trata-se de um recurso que o autor utilizou, ao rascunhar o artigo, para localizar a palavra “livre” e depois esqueceu de apagar.

Questão 10) " [...] cerceia a curiosidade e a criatividade do educando." A forma verbal cerceia, nesta frase do último parágrafo, significa:
(A) contamina.
(B) reforça.
(C) restringe.
(D) cerca.
(E) estimula

Gabarito:
1) c
2) e
3) b
4) a
5) d
6) e
7) b
8) a
9) d
10) c



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Polissemia

Para responder às questões de 1 a 3 da UNICAMP, considere o que José Simão escreveu na sua coluna diária do Jornal Folha de S.Paulo, em 17 de agosto de 2005: "No Brasil nem a esquerda é direita!"

1) Nessa afirmação, a polissemia da língua produz "ironia". Em que palavras está ancorada essa ironia?

2)  Quais os sentidos de cada uma das palavras envolvidas na polissemia acima referida?

3)  Comparando a afirmação "No Brasil nem a esquerda é direita" com "No Brasil a esquerda não é direita", qual a diferença de sentido estabelecida pela substituição de "nem" por "não"?

  • Para conferir o gabarito, favor postar mensagem de solicitação à professora.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Prova de Redação - ITA 2010

INSTRUÇÕES PARA REDAÇÃO

A charge reproduzida abaixo circulou pela rede Internet. Com base nas ideias sugeridas pela charge, redija uma dissertação em prosa, na folha a ela destinada, argumentando em favor de um ponto de vista sobre o tema.

A redação deve ser feita com caneta azul ou preta.
Na avaliação de sua redação, serão considerados:
a) clareza e consistência dos argumentos em defesa de um ponto de vista sobre o assunto;
b) coesão e coerência do texto; e
c) domínio do português padrão.
Atenção: A Banca Examinadora aceitará qualquer posicionamento ideológico do candidato.