domingo, 27 de maio de 2012

10º tema de redação 2012: Por que causas o jovem tem se mobilizado atualmente no Brasil?

       As novas tecnologias ampliaram muito a capacidade de comunicação dos grupos sociais, que passaram a ter mais facilidade para se organizar. Os jovens, em especial, têm se destacado em vários lugares do mundo pela forte participação em protestos por causas diversas. No Brasil, o movimento estudantil já teve grande papel na luta por direitos sociais, principalmente durante os anos de ditadura, porém, o contexto político mudou e, hoje, vivemos em um estado democrático. As necessidades são outros e a juventude também o é. Reflita sobre este assunto e desenvolva um texto dissertativo que responda à seguinte questão: Nesse novo contexto, por que causas o jovem tem se mobilizado atualmente no Brasil?

Reflita: "Motivos não faltam pelo que lutar. Entretanto, nesta era em que sobra individualismo, o jovem brasileiro pouvo vai à luta. Erroneamente pensando que corrrupção, precariedade na saúde e deficiências no ensino, por exemplo, não lhe dizem respeito (ou não a incomodam), a juventude se aliena das grandes causas nacionais. Nem parece que temos hoje heredeiros do movimento estudantil da década de 70 ou das "Diretas Já" pela redemocratização do Brasil, nos idos de 80. Caminhar e cantar, como na música de Vandré, nos dias atuais, só se for na Marcha pela Maconha ou na Parada Gay. Aos apenas assistir como público àquilo que exige dele postura de povo, o jovem se esquece de que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer." (Professora Lou)

sábado, 26 de maio de 2012

Exercícios de análise sintática - Período simples

1) (FMU-SP) Leia as expressões destacadas na seguinte passagem: "E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada - o meu jeito de querer bem." Tais expressões exercem, respectivamente, a função sintática de:






As palavras em destaque são, respectivamente:


 3) (ESPM-SP) Observe os termos destacados das opções que se seguem e identifique a alternativa que apresenta a classificação correta da função sintática.
- Sempre esteve acostumada ao luxo.
- Naquela época ainda obedecia aos pais.
- Esta roupa não está adequada à ocasião.
- Os velhos soldadinhos de chumbo foram esquecidos.

 

4) (Fuvest)  Nos trechos: "...Bebi o café que eu mesmo preparei..." e " ... pensando na vida e nas mulheres que amei" a palavra que exerce que funções sintáticas, respectivamente?
a) sujeito e objeto direto
b) objeto direto e objeto indireto
c) sujeito e sujeito
d) objeto direto e objeto direto
e) objeto indireto e objeto direto

5) (CESCEA) Assinale a alternativa que contenha vocativo:

 6) (Fundação Carlos Chagas) Dê a função sintática do termo em destaque em: "Uniu-se à melhor das noivas, a Igreja, e oxalá vocês se amem tanto."

 

7) (FCMSC-SP) Observe as duas frases seguintes:
I - O proprietário da farmácia saiu.
II - O proprietário saiu da farmácia.

Sobre elas são feitas as seguintes considerações:
I - Na I, "da farmácia" é adjunto adnominal.
II - Na II, "da farmácia" é adjunto adverbial.
III - Ambas as frases têm exatamente o mesmo significado.
IV - Tanto em I como em II, "da farmácia" tem a mesma função sintática.
Destas quatro considerações:

 

8) (Mackenzie) Na frase "Fugia-lhe, e certo, metia o papel no bolso, corria a casa, fechava-se, não abria as vidraças, chegava a fechar os olhos", são adjuntos adverbiais:

 9) (FMU) Em "Eu era enfim, senhores, uma graça de alienado.", os termos da oração destacados são respectivamente, do ponto de vista sintático:

 10) (FMU)  Observe os termos destacados na passagem: "O rio vai às margens. Vem com força de açude arrombado." Os termos destacados são, respectivamente:

 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

MEC anuncia alterações na redação do ENEM 2012

         O Ministério da Educação anunciou oficialmente nesta quinta-feira, 24 de maio,  as mudanças e as datas de inscrição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2012. A prova acontecerá nos dias 3 e 4 de novembro e as inscrições, no site do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), irão de 28 de maio a 15 de junho. A taxa é de R$ 35 e alunos de escolas públicas são isentos.
         A partir deste ano, pela primeira vez, todos os participantes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) poderão ter acesso às redações corrigidas. A mudança, anunciada pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, está prevista em um acordo firmado com o Ministério Público Federal no ano passado.
          De acordo com o ministro, a expectativa é que, com a disponibilização do espelho da redação e com as mudanças anunciadas no processo de correção, acabe a “judicialização” ocorrida no ano passado. Mas o edital do Enem não vai prever que o estudante recorra da nota obtida. Em 2011, muitos candidatos entraram na Justiça para ter acesso à prova e alguns conseguiram, inclusive, que a nota fosse revista.
         Para 2012, o Inep anunciou mudanças nos critérios de correção para tornar o processo mais objetivo. A redação do Enem valerá 1.000 pontos e cada texto será lido por dois corretores, que atribuirão a nota de acordo com a avaliação de cinco competências, como o domínio da norma culta, a capacidade de argumentação e a compreensão da proposta da redação (tema). Cada item valerá 200 pontos. Se a diferença entre a nota final de cada corretor for superior a 200 pontos na nota total ou de 80 pontos em cada uma das competências, um terceiro corretor entra em cena. A nota final será a média aritmética simples das menções “mais próximas”. Caso a discrepância permaneça, uma banca, formada por três avaliadores, corrige novamente o texto. Ela, então, determina a nota final do candidato. 
      Para dar conta da nova correção da redação do Enem, o MEC vai contratar 1.200 avaliadores, levando o total deles a 4.200.

Veja o que mudou na correção da redação do Enem

Processo de correção Como era (em 2011) Como ficou (em 2012)
Número de correções iniciais Duas Duas
Discrepância na
nota total
Igual ou maior que 300 na soma Maior que 200 na soma total
Discrepância na competência Não existia Maior que 80 em qualquer competência
3ª correção Supervisor (instância final) Correção independente
4ª correção em banca Não existia Banca (instância final)    

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Simulado baseado em questões da FUVEST


1) Das vãs sutilezas

Os homens recorrem por vezes a sutilezas fúteis e vãs para atrair nossa atenção. (...) Aprovo a atitude daquele personagem a quem apresentaram um homem que com tamanha habilidade atirava um grão de alpiste que o fazia passar pelo buraco de uma agulha sem jamais errar o golpe. Tendo pedido ao outro que lhe desse uma recompensa por essa habilidade excepcional, atendeu o solicitado, de maneira prazenteira e justa a meu ver, mandando entregar-lhe três medidas de alpiste a fim de que pudesse continuar a exercer tão nobre arte. É prova irrefutável da fraqueza de nosso julgamento apaixonarmo-nos pelas coisas só porque são raras e inéditas, ou ainda porque apresentam alguma dificuldade, muito embora não sejam nem boas nem úteis em si.(Montaigne, Ensaios.)


O texto revela, em seu desenvolvimento, a seguinte estrutura:                                              
a) formulação de uma tese; ilustração dessa tese por meio de uma narrativa; reiteração e expansão da tese inicial.
 b) formulação de uma tese; refutação dessa tese por meio de uma narrativa; formulação de uma nova tese, inspirada pela narrativa.                                                                                           
c) desenvolvimento de uma narrativa; formulação de tese inspirada nos fatos dessa narrativa; demonstração dessa tese.
d) segmento narrativo introdutório; desenvolvimento da narrativa; formulação de uma hipótese inspirada nos fatos narrado                                                                                                
e)segmento dissertativo introdutório; desenvolvimento de uma descrição; rejeição da tese introdutória.

2) Podemos afirmar que,  na obra D. Casmurro, Machado de Assis:
 a) defende a tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu desde o início como uma futura adúltera.
 b) defende a tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina a futura tragédia.
c) não defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia final.
d) defende a tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação de Capitu.
e) não defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação entre o meio e o fim trágico dos personagens.

3) Teu romantismo bebo, ó minha lua,

A teus raios divinos me abandono,

Torno-me vaporoso... e só de ver-te

Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.

(Álvares de Azevedo, "Luar de verão", Lira dos vinte anos)
Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a:
a) ironia romântica.
b) tendência romântica ao misticismo.
c) melancolia romântica.
d)  aversão dos românticos à natureza.
e) fuga romântica para o sonho.  
              
4) A chamada Lei do Agrotóxico (n. 7.802, de 11/06/89) determina que os rótulos dos produtos não contenham afirmações ou imagens que possam induzir o usuário a erro quanto a sua natureza, composição, segurança, eficácia e uso. Também proíbe declarações sobre a inocuidade, tais como "seguro", "não venenoso", "não tóxico", mesmo que complementadas por afirmações do tipo "quando utilizado segundo as instruções". Em face das proibições da Lei, a compreensão da frase: "Cuidado, este produto pode ser tóxico".                                                                                                                                    a) precisa levar em consideração que a condição suficiente para que um produto possa ser tóxico é sua ingestão, inalação ou contato com a pele e não sua composição.              
b) exige cautela, pois a expressão "pode ser" pressupõe "pode não ser", permitindo a interpretação de que se trata de um produto "seguro", "não venenoso", "não tóxico".               c) precisa levar em consideração que a expressão "pode ser" elimina o sentido de "pode não ser", consistindo em um alerta ao usuário sobre a inocuidade dos produtos.                              d) exige admitir que a condição necessária para que um produto seja tóxico é a sua composição, induzindo o usuário a erro quanto à inocuidade e ao mau uso dos produtos.                                                                                                                                 e) precisa ser complementada com a consideração de que a segurança no manuseio dos agrotóxicos elimina sua toxicidade, bem como eventuais riscos de intoxicação.

5) Dos recursos linguísticos presentes nos quadrinhos, o que contribui de modo mais decisivo para o efeito de humor é a 

 a) pergunta que está subentendida no primeiro quadrinho.
b) primeira fala do primeiro quadrinho.
c) falta de sentido do diálogo entre candidato e cabo eleitoral.
d) utilização de "Fulano", "Beltrano" e "Sicrano" como nomes próprios.
e) ambiguidade que ocorre no uso da expressão "pelas costas".

 6)  A respeito de Pe. Antônio Vieira, pode-se afirmar:                                                                                                                                    a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocupou de problemas locais.                                                                                                                                     b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava.                                 c)Dada sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos mundanos.                       d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-o para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais.                                                                                                                               e)Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos.

Leia o texto abaixo e responda às questões 7 e 8

"Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertanejo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia.
Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou a transação meio apalavrada e foi consultar a mulher. Sinha Vitória mandou os meninos para o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o negócio notou que as operações de Sinha Vitória, como de costume, diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros.
Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim senhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria!
O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que o vaqueiro fosse procurar serviço noutra fazenda.
Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à toa, pedia desculpa. Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o seu lugar. Um cabra. Ia lá puxar questão com gente rica? Bruto, sim senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância da mulher, provavelmente devia ser ignorância da mulher. Até estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, sim senhor), acreditara na sua velha. Mas pedia desculpa e jurava não cair noutra.
O amo abrandou, e Fabiano sai de costas, o chapéu varrendo o tijolo. Na porta, virando-se, enganchou as rosetas das esporas, afastou-se tropeçando, os sapatões de couro cru batendo no chão como cascos.
Foi até a esquina, parou, tomou fôlego. Não deviam tratá-lo assim. Dirigiu-se ao quadro lentamente. Diante da bodega de seu Inácio virou o rosto e fez uma curva larga. Depois que acontecera aquela miséria, temia passar ali. Sentou-se numa calçada, tirou do bolso o dinheiro, examinou-o, procurando adivinhar quanto lhe tinham furtado. Não podia dizer em voz alta que aquilo era um furto, mas era. Tomavam-lhe o gado quase de graça e ainda inventavam juro. Que juro! O que havia era safadeza."
                                                    (Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1974.)

O texto, assim como todo o livro de que foi extraído, está escrito em terceira pessoa. No entanto, o recurso frequente ao discurso indireto livre, com a ambiguidade que lhe é característica, permite ao autor explorar o filete da escavação interior, na expressão de Antonio Cândido.
7) Assinale a alternativa em que a passagem é nitidamente um discurso indireto livre:
 a) Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia.
 b) Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano.
 c) Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos.
 d) Passar a vida inteira assim no todo, entregando o que era dele de mão beijada.
 e) O amo abrandou, e Fabiano saiu de costas, o chapéu varrendo o chão.

8) O texto, no seu conjunto, revela que Fabiano:                                                                                 a) ousou enfrentar o branco provando-lhe que as contas dele estavam erradas.                         b) ao perceber que era lesado, defendeu com êxito seus direitos.
c) conscientizou-se de que era vítima da safadeza, e conseguiu justiça
d) concluiu que era explorado na venda do gado e nas contas.
e) indignou-se com a situação, mas voltou às boas com o patrão.

9)  O HACKER E A LITERATURA
Para conceder liberdade provisória a três jovens detidos sob a acusação de praticar crimes pela Internet, um juiz federal do Rio Grande do Norte determinou uma condição inédita: que os rapazes leiam e resumam, a cada três meses, dois clássicos da literatura. As primeiras obras escolhidas foram “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, conto de Guimarães Rosa, e Vidas Secas, romance de Graciliano Ramos.  (Folha de S. Paulo, Cotidiano, 23/04/2008)


Quando o juiz pronunciou a sentença, a primeira reação dele foi de revolta. Preferível a cadeia, disse para os pais e para o advogado. De nada adiantaram os argumentos deles, segundo os quais a decisão do magistrado tinha sido a melhor possível e, mais, um grande avanço na tradição judiciária.
Foi uma revelação, uma experiência pela qual nunca tinha passado antes. De repente, estava descobrindo um novo mundo, um mundo que sempre lhe fora desconhecido. Vidas Secas simplesmente o fez chorar. Leu outros livros de Graciliano e Guimarães Rosa. Leu poemas de Bandeira e João Cabral. E de repente estava decidido: queria dedicar sua vida à literatura. Foi aprovado em Letras, fez o curso, tornou-se professor – leciona na universidade.
Ah, sim, ele tem um sonho: gostaria de ser um ficcionista. Tem na cabeça o projeto de um romance. É a história de um hacker que, entrando num site, descobre uma história tão emocionante que muda sua vida. Uma história como Graciliano Ramos escreveria, se, claro, ele fosse um ex-hacker.            (Adaptado de Moacyr Scliar, Folha de S. Paulo, 28/04/2008)
Esses dois textos, uma vez interrelacionados, estabelecem um diálogo entre
a) dois discursos ficcionais que tratam do mesmo fato.
 b) dois fragmentos dissertativos que desenvolvem a mesma tese.
 c) dois discursos ficcionais que tratam de fatos semelhantes.
 d) um discurso informativo e um ficcional, que desenvolve o primeiro.
 e) um discurso ficcional e um dissertativo, que desenvolve o primeiro.

10) Assinale a alternativa em que o texto está pontuado corretamente:
 a) Matias, cônego honorário e pregador efetivo, estava compondo um sermão quando começou o idílio psíquico.
 b) Matias cônego honorário, e pregador efetivo estava compondo um sermão quando começou o idílio psíquico.
 c) Matias, cônego honorário e pregador efetivo, estava compondo um sermão, quando começou o idílio psíquico.
 d) Matias cônego honorário e pregador efetivo, estava compondo um sermão, quando começou, o idílio psíquico.
 e) Matias, cônego honorário e, pregador efetivo, estava compondo um sermão quando começou o idílio psíquico.


(Fonte: UOL educação - lá você encontra questões de outras matérias também, todas elas extraídas de vestibulares anteriores da FUVEST)

Gabarito:
1.a
2. e
3. a
4. b
5. e
6. b
7. d
8. d
9. d
10. c

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Quatro das melhores redações da FUVEST 2012

A FUVEST divulgou, na semana passada, 29 exemplos de textos considerados os melhores do ano no vestibular de 2012. A partir dos textos de apoio abaixo, que falam de política, seja para enfatizar sua necessidade, seja para  indicar suas limitações e impasses no mundo atual, o aluno  deveria escrever uma dissertação sobre o seguinte tema: "Participação política: indispensável ou superada?".

Veja a proposta completa e, a seguir, quatro textos de destaque:

Texto 1 : A ciência mais imperativa e predominante sobre tudo é a ciência política, pois esta determina  quais são as demais ciências que devem ser estudadas na pólis. Nessa medida, a ciência política  inclui a finalidade das demais, e, então, essa finalidade deve ser o bem do homem.
(Aristóteles. Adaptado)

Texto 2 : O termo “idiota” aparece em comentários  indignados, cada vez mais frequentes no  Brasil, como “política é coisa de idiota”. O que  podemos constatar é que acabou se  invertendo o conceito original de idiota, pois a  palavra idiótes, em grego, significa aquele que  só vive a vida privada, que recusa a política,  que diz não à política.   Talvez devêssemos retomar esse conceito  de idiota como aquele que vive fechado  dentro de si e só se interessa pela vida no  âmbito pessoal. Sua expressão generalizada  é: “Não me meto em política”.  (M. S. Cortella e R. J. Ribeiro,  - Política – para não ser idiota)

Texto 3 : FILHOS DA ÉPOCA
Somos filhos da época
e a época é política.
Todas as tuas, nossas, vossas coisas
diurnas e noturnas,
são coisas políticas.
Querendo ou não querendo,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um aspecto político.
O que você diz tem ressonância,
o que silencia tem um eco
de um jeito ou de outro,  político.
                             (...)
(Wislawa Szymborska, Poemas.)

Texto 4 : As instituições políticas vigentes (por exemplo, partidos políticos, parlamentos, governos) vivem  hoje um processo de abandono ou diminuição do seu papel de criadoras de agenda de questões e  opções relevantes e, também, do seu papel de propositoras de doutrinas. O que não significa que  se amplia a liberdade de opção individual. Significa apenas que essas funções estão sendo  decididamente transferidas das instituições políticas (isto é, eleitas e, em princípio, controladas)  para forças essencialmente não políticas primordialmente as do mercado financeiro e do  consumo. A agenda de opções mais importantes dificilmente pode ser construída politicamente nas  atuais condições. Assim esvaziada, a política perde interesse.  (Zygmunt Bauman. Em busca da política. Adaptado.)







sábado, 19 de maio de 2012

9º tema de redação 2012 - Solidão

Os textos abaixo apresentam diversas concepções de solidão. Leia-os com atenção e redija um texto dissertativo, expondo  seu ponto de vista sobre o seguinte tema: A solidão num planeta superpovoado

"A solidão é uma condição psicológica caracterizada por uma profunda sensação de vazio. É a ausência de contatos significativos. O sujeito [muito] focado em si compromete sua capacidade de estabelecer contato."
(John Cacioppo, psicólogo, especialista em solidão, Veja, 23/11/2011 (Adaptado)

"Existem dois tipos de solidão: a emocional e a social. A solidão emocional é o sentimento de vazio e inquietação causado pela falta de relacionamentos profundos. A solidão social é o sentimento de tédio e marginalidade causado
pela falta de amizades ou de um sentimento de pertencer a uma comunidade."                                          (Robert Weiss, sociólogo norte-americano)

"Vários estudos têm reforçado a tese de que as redes sociais diminuem a solidão social, mas aumentam significativamente a solidão emocional. É como se os participantes das redes sociais estivessem sempre rodeados de pessoas, mas não pudessem contar com nenhuma delas para uma relação mais próxima. Já se falou em “solidão a dois, agora estamos na era da solidão a mil”. O que você está esperando? Saia um pouco da sua página virtual, pare
de bisbilhotar a dos outros, dê um tempo nas conversinhas que só pontuam o vazio da existência e vá viver mais."                          ( veja.abril.com.br/(Adaptado)

"Cada vez mais as pessoas estão se encaminhando para existências solitárias. Desaprendeu-se bastante a conviver a dois, por exemplo, e assume-se a opção de ficar solteiro. É um fenômeno social, a humanidade está se adaptando à solidão. Basta olhar ao redor para comprovar isso. As pessoas andam sozinhas, dançam sozinhas. A mulher solitária de hoje não é mais uma solteirona trancada num quarto de pensão. Tudo está mudando." (Flávio Gikovate - psicoterapeuta)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Estudante de direito é condenada por ofensa a nordestinos no Twitter

       A Justiça Federal de São Paulo condenou a estudante Mayara Penteado Petruso a 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão pelo crime de racismo. Ela ofendeu nordestinos por meio do Twitter no dia 31 de outubro de 2010, logo após a vitória eleitoral de Dilma Rousseff sobre José Serra.
     "Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!", escreveu a estudante.
     Os maiores índices de votação de Dilma foram registrados na região Nordeste.
    A pena contra a estudante foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa.
      A decisão foi tomada pela juíza da 9ª Vara Federal Criminal em São Paulo, Mônica Aparecida Bonavina Camargo. Cabe recurso.
    De acordo com a ação, Mayara disse que não tinha a intenção de ofender, que não é preconceituosa e que não esperava a repercussão. Ela declarou que está envergonhada e arrependida.
      Estudante de direito, Mayara perdeu o emprego após o episódio.

(Fonte: Folha de S. Paulo - 17/5/12)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

8º tema de redação 2012 - Corrupção: crime ou castume?

      Nas manchetes dos jornais, os escândalos de corrupção se repetem com uma regularidade preocupante. Diante de uma ampla crise dos valores éticos e de impunidade institucionalizada, quais os riscos que a sociedade corre no Brasil de hoje? Acabaremos por banalizar a corrupção, tornando-a aceitável - e, em alguns casos, até louvável?
     Tomando por base os trechos abaixo e levando em conta seu conhecimento sobre as causas e consequências da corrupção, redija uma dissertação sobre o tema proposto acima.
* Para complementar suas ideias, sugiro a leitura dos textos "Até onde, até quando" e "Beco sem saída",  já publicados neste blog.

* "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." (Rui Barbosa)

* " Não há solução fácil. Mas não estamos condenados à corrupção e à transgressão. Elas são fenômenos históricos que, como todos os outros, estão em perpétua mutação. Medidas tópicas podem reduzi-las. O processo de votação já foi uma grande fraude, hoje é confiável. A impunidade tem que ser combatida em todas as camadas sociais, sobretudo entre as mais altas. Isso exige reformas na legislação penal e nas instituições, sobretudo nas polícias e no funcionamento do Judiciário. Imagine-se o efeito que teria entre os criminosos de colarinho branco o fim do foro privilegiado e da prisão especial para portadores de diplomas universitários. Sobretudo, a democracia política tem que ser usada para produzir a democracia civil da igualdade perante a lei. Inclusive porque sem a última a primeira não terá futuro promissor."  (José Murilo de Carvalho - professor da UFRJ )

* "No Brasil, uma longa história de convivência com a corrupção naturalizou atitudes moralmente condenáveis. O brasileiro não vê a corrupção com a gravidade que ela merece. Está acostumado a ver os processos eleitorais manipulados seja com o voto de bico de pena, de cabresto ou comprado; a comissão paga ao funcionário para levar vantagem na concorrência por uma obra pública e a pagar a cervejinha do guarda para não ser multado. A corrupção faz parte, assim, da agenda de temas tipicamente brasileiros. E, se rindo castiga-se os costumes, no Brasil, rindo, confraternizamos e naturalizamos maus costumes." (Isabel Lustosa - historiadora )

terça-feira, 15 de maio de 2012

Beco Sem Saída - Dráuzio Varella



Na política, chegamos a níveis de imoralidade assumida incompatível com princípios éticos



NOS QUASE dez anos desta coluna, leitor, nunca escrevi sobre política. Adotei essa conduta por reconhecer que há profissionais mais preparados para fazê-lo e por considerar que médicos envolvidos em educação na área de saúde pública devem ficar distantes das paixões partidárias.
No entanto, os últimos acontecimentos de Brasília foram tão desconcertantes e chocaram a nação de tal forma, que ignorá-los seria omissão. No trato da administração pública, chegamos a níveis de desfaçatez e de imoralidade assumida incompatíveis com os princípios éticos mais elementares.
Para os que ganham a vida com o suor do próprio rosto, é revoltante tomar consciência de que parte dos impostos recolhidos ao comprar um quilo de feijão é esbanjada, malversada ou simplesmente desapropriada pela corja de aproveitadores instalada há décadas na cúpula da hierarquia do poder.
Mais chocante, ainda, é a certeza de que os crimes cometidos por eles e seus asseclas ficarão impunes, por mais graves que sejam. Do brasileiro iletrado ao mais culto, todos nós temos consciência de que o rigor de nossas leis pune apenas os mais fracos. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico parar na cadeia, diz o povo, com toda razão.
Uma noite, na antiga Casa de Detenção de São Paulo, ao fazer a distribuição de um gibi educativo sobre Aids, perguntei, à porta de um xadrez trancado, quantos estavam ali. Um rapaz de gorrinho de lã, curvado junto à pequena abertura da porta, respondeu que eram 17. Diante de minha surpresa por caberem tantos em espaço tão exíguo, começou a reclamar das condições em que viviam. Às tantas, apontou para a TV casualmente ligada no horário político, no fundo da cela, no qual discursava um candidato:
-Olha aí, senhor, dizem que esse homem levou 450 milhões de dólares. Se somar o que todos nós roubamos a vida inteira, os 7.000 presos da cadeia, não chega a 10% disso.
Essa realidade, que privilegia a impostura e perdoa antecipadamente os deslizes cometidos pelos que deveriam dar exemplo de patriotismo e de respeito às instituições, serve de pretexto para comportamentos predatórios (se eles se locupletam, por que não eu?), gera descrédito na democracia e, muito mais grave, a impressão distorcida de que todo político é mentiroso e ladrão.
Considerar que a classe inteira é formada por pessoas desonestas tem duas consequências trágicas: votar nos que "roubam, mas fazem" e afastar da política cidadãos que poderiam contribuir para o bem-estar da sociedade.
De que adianta documentar os crimes se os criminosos ficarão impunes e retornarão nas próximas eleições ungidos pela soberania do voto popular?
Como renovar a classe política num país em que quase dois terços da população não têm acesso à informação escrita, em que empresários financiam campanhas de indivíduos inescrupulosos, comprometidos apenas com os interesses de quem lhes deu dinheiro, e no qual as mulheres e os homens de bem se negam a disputar cargos eletivos, porque não querem ser confundidos com gente que não presta?
É evidente que os políticos brasileiros não são os únicos responsáveis pelo estado a que as coisas chegaram. Antes de tudo, porque muitos são honestos e bem-intencionados; depois, porque o clientelismo que os cerca é uma praga que nos aflige desde os tempos coloniais. Os que se aproximam dos políticos para pedir empregos públicos, nomeações para cargos estratégicos, favores em negócios com o governo ou para oferecer-lhes suborno, por acaso são mais dignos?
Esse é o beco sem saída em que nos encontramos: os partidos aceitam a candidatura de indivíduos desclassificados, os empresários financiam-lhes a campanha (muitas vezes com os assim chamados recursos não declaráveis), o eleitor vota neles porque "não faz diferença, já que todos são ladrões" ou porque podem conceder-lhe alguma vantagem pessoal, a Justiça não consegue nem sequer afastar do serviço público os que são flagrados com as mãos no cofre e, para completar a equação, as pessoas de bem querem distância da política.
A esperança está na prática da democracia. Se a Justiça não pune os que se apropriam dos bens públicos, a liberdade de imprensa é a arma que nos resta, a única que ainda os assusta.
(Fonte: Drauzio Varella - Folha de S. Paulo - 15/8/2009)