quinta-feira, 22 de março de 2012
Redação nota 10 na UNICAMP 2000 em referência à ÁGUA (em 22 de março, quando celebramos seu dia internacional)
Água – elemento fundamental
Tamandaré, o equivalente indígena do Noé bíblico, poupou
sua civilização da extinção salvando-a da tempestade que alagou o território em
que vivia. A mitificação da água, elemento recorrente na mitologia indígena,
decorre justamente da suma importância que essa substância pura tem para as
tribos brasileiras. Quando, há quase quinhentos anos, os portugueses em terra
tupiniquim aportaram, um dos aspectos que mais os impressionaram foi a limpeza
característica de todos os índios: homens e mulheres tão limpos que não se
intimidavam em mostrar suas “vergonhas”. Provavelmente, essa cena remeteu os
lusitanos à sua própria “civilização moderna”, em que banhos diários eram
simplesmente inimagináveis.
Na idade contemporânea, os hábitos concernentes à higiene
pessoal pouco haviam evoluído. Apesar de já serem conhecidos os mecanismos de
transpiração e a teoria infeccionista, que mostraram a necessidade de práticas
de higiene constantes, muitos mitos que ligavam a água a aspectos fisiológicos,
como a esterilidade feminina, ainda eram levados a sério, o que não permitiu que
a água fosse utilizada em “larga escala”, como bem atesta o escritor Alain
Corbin, estudioso da vida privada a partir da Revolução Francesa.
Muito antes que a civilização contemporânea fizesse
asserções sobre a questão da água, ela já se configurava em elemento
indispensável à formação da própria civilização urbana. A água foi condição
“sine qua non” para o surgimento e estabelecimento de grupos humanos cujo legado
é, até hoje, alvo de estudos: as civilizações mesopotâmica, egípcia e chinesa
prosperaram devido ao uso inteligente de seus recursos hídricos. Sabendo irrigar
e tornar produtivo o solo, foram capazes de se firmar como as primeiras grandes
civilizações humanas.
Atualmente, no limiar do terceiro milênio, a água vem
sendo o principal objeto de reflexão. Tudo porque o homem de hoje, que já
incorporou as noções de limpeza como algo imprescindível para as relações
interpessoais, foi capaz de conquistar o espaço, mas não soube – ou não foi
conveniente que soubesse – como manter íntegro o elemento “matriz de todas as
coisas”, segundo o filósofo Nietzsche. O desenvolvimento industrial, que
transformou radicalmente a sociedade, não considerou a questão da água como
prioritária para que, a longo prazo, pudesse usufruir de todas as benesses
tecnológicas. As indústrias passaram a despejar seus dejetos tóxicos em rios. A
urbanização não foi acompanhada pela instalação de eficientes redes de esgoto.
Nem os produtos da evolução tecnológica deixam por menos: constantemente se vêem
nos noticiários catastróficos acidentes ambientais causados pelo derramamento de
óleo dos petroleiros.
As conseqüências de anos de descaso com a questão da água
estão mais próximas do que se imagina, levando a humanidade a uma visão
pessimista e obscura do futuro: derretimento da calota polar, causado pela
emissão excessiva de gases que destroem a camada de ozônio, deixando o caminho
livre para os raios infravermelhos; envenenamento de seres vivos com substâncias
tóxicas nos mananciais, contaminados por dejetos tóxicos; chuva ácida, formada a
partir de gases originários da queima de combustíveis fósseis; ou ainda, a mais
cruel e, ao mesmo tempo, simples das conseqüências: a sede causada pelo fim da
água potável.
A civilização humana evoluiu de forma descompassada e
paradoxal: relegou, por muito tempo, a um segundo plano a substância responsável
pela sua existência. O homem atual, obeso de tecnologia e informação, mas
desnutrido de medidas que permitissem a manutenção de suas obras tenta, agora,
com muita dificuldade e gastos altíssimos, reparar os erros que cometeu na
relação ingrata que manteve com a água: obteve muito dela sem que a recíproca
ocorresse.
O relacionamento ser humano–água deve voltar a ser
permeado pelo sensacionismo típico de Alberto Caeiro, faceta bucólica do
escritor português modernista Fernando Pessoa, o qual, já neste século, percebeu
e registrou a água não como mero fator natural necessário para a sobrevivência,
mas também como indispensável nas relações emotivas entre os homens e destes
para com a natureza.
Os índios brasileiros sabem – ou, infelizmente, sabiam – o
valor incalculável da água. Cabe-nos agora voltar à mentalidade da civilização
que foi uma das constituintes do povo brasileiro, tratando-a como parceira para
o desenvolvimento. E isso só será feito com a união da consciência
social-ecológica e do crescimento tecnológico para despoluir e valorizar a água
do planeta quase cinza, mas que ainda tem resquícios azuis.
Fonte: ANA LUIZA GIBERTONI CRUZ - Aprovada na Medicina da UNICAMP, em 2000, quando o tema de redação foi "AGUA" (reprodução fiel do texto da candidata)
quarta-feira, 21 de março de 2012
USP está entre as 70 instituições com melhor reputação do mundo
A USP (Universidade de São Paulo) deu um salto e
aparece entre as 70 instituições de ensino superior com melhor reputação no
mundo, segundo ranking
do THE (Times Higher Education) publicado em Londres. No levantamento do ano passado, tal universidade não figurava nem entre as cem melhores.
Agora, está na faixa entre o 61º e o 70º lugar. É também a única representante
de toda a América Latina na lista.
O THE é um dos mais importantes avaliadores de universidades no mundo. Para compor seu ranking de reputação, foram ouvidos 17.554 acadêmicos e
pesquisadores de 137 países.
Encabeça a lista a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, seguida pelo também americano MIT (Massachusetts Institute of Technology). Os Estados Unidos, aliás, lideram a lista com 44 instituições entre as 100 melhores do mundo, bem à frente da Grã-Bretanha, com dez indicações. O levantamento deste ano também registrou a ascensão das universidades asiáticas, com a entrada de centros de ensino e pesquisa da China, Taiwan, Coreia do Sul e Cingapura.
(Fontes: UOL e Veja - 14/3/2012)
sábado, 17 de março de 2012
'É presente de grego'
O dicionário não inventa significados, não os "depura", não esconde o jogo, não "doura a pílula"
O CARO leitor decerto tomou ciência da polêmica sobre o que se encontra no grande dicionário "Houaiss" no verbete "cigano". Um membro do Ministério Público entende que o "Houaiss" afronta a lei ("o direito à liberdade de expressão não pode albergar posturas preconceituosas e discriminatórias, sobretudo quando caracterizadas como infração penal").
O "Houaiss" e outros dicionários registram (sob a rubrica "pejorativo") o uso de "cigano" como "que ou aquele que trapaceia", "velhaco, burlador", "que ou aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro", "agiota", "indivíduo esperto, enganador, especialmente nos negócios", "que ou quem age com astúcia para enganar ou burlar alguém" etc.
Transcrevi essas definições de alguns dicionários (o próprio "Houaiss", o "Aulete" eletrônico e até um português, o "Universal"). Como se vê, o membro do Ministério Público "esqueceu" os outros dicionários ou vai processar cada um deles separadamente. Prepare-se, editor do "Universal"! Algum tribunal internacional será convidado a tratar do tema...
O fato é que há um grande equívoco em toda essa questão. Não sei se o ovo é anterior à galinha, mas, em se tratando da relação língua/dicionários, a língua e os usos linguísticos vêm antes dos dicionários, que nada mais são que "cartórios" da língua. Ao dicionarista não cabe julgar antes de registrar, não cabe o papel de censor.
O que o dicionarista faz é definir o "corpus" de sua pesquisa e, a partir daí, registrar o que atinge determinado número de incidências. E fim.
Um dicionário de caráter amplo, como o "Houaiss" ou o "Aurélio", apoia-se num "corpus" vasto (linguagem formal, informal, chula, familiar, técnica, antiga, literária etc.) e num amplo arco temporal. O "Houaiss", por exemplo, vai longe no tempo.
Moral da história: se é uso, o dicionário registra e, portanto, cumpre o seu papel. O dicionário não inventa significados, não os "depura", não esconde o jogo, não "doura a pílula", não é esquizofrênico, não é hipócrita.
Bem, a esta altura, cabe-me sugerir ao Ministério Público que estenda a ação judicial aos outros dicionaristas e a alguns dos nossos artistas. Sugiro dois nomes: o monumental Chico Buarque e o grande Humberto Teixeira. Bem, Humberto Teixeira já faleceu (em 1979), mas processar um defunto não seria menos bizarro do que é processar o "Houaiss" pelo verbete "cigano". Que fez Teixeira, que, além de letrista, era advogado? Empregou "judiação" na letra da memorável "Asa Branca". Sim, todo brasileiro manifesta preconceito explícito contra os judeus quando emprega termos como "judiar"e "judiação".
E Chico Buarque? Em 1969, quando nasceu uma de suas filhas, o Mestre, torcedor do Fluminense, recebeu do querido e saudoso Ciro Monteiro ("Gostar de Ciro Monteiro é prova de caráter", dizia Vinicius) uma camisa do Flamengo. Mais que depressa Chico transformou o fato na memorável canção "Ilmo Sr. Ciro Monteiro" ou "Receita para Virar Casaca de Neném". Diz a letra: "Minha petiz / Agradece a camisa / Que lhe deste à guisa / De gentil presente / Mas caro nego / Um pano rubro-negro / É presente de grego / Não de um bom irmão". Eta Chico preconceituoso! Nego? Presente de grego? Processo nele!
Fico com os versos seguintes da memorável mensagem de Chico a Ciro: "Nós separados / Nas arquibancadas / Temos sido tão chegados / Na desolação". Que maravilha! E motivos não faltam para a desolação. Um deles é constatar que a bobajada do politicamente correto já deu o que tinha de dar. Xô! É isso.
(Fonte: Pasquale Cipro Neto - Folha de S. Paulo - 16/3/12)
quarta-feira, 14 de março de 2012
Semana 3: Versificação
Versificação é o estudo dos metros e ritmo do verso, para se estalebelecer a contagem de suas sílabas.
Verso é o nome que se dá a cada uma das linhas que constituem um poema.
Metro é o nome que se dá à extensão da linha poética. Pela contagem de sílabas de um verso, podemos estabelecer seu padrão métrico e suas unidades rítmicas. Dependendo do número de sílabas métricas, os versos são classificados da seguinte forma:
Rima é a igualdade ou semelhança de sons na terminação das palavras. Pode se classificar em:
A) Emparelhada (AA, BB, CC)
B) Intercalada (AB, BA, CD, DC)
C) Alternada (AB, AB)
D) Encadeada (a mai rara, encontramos do final para o meio do verso):
E) Misturada ( aquela que não segue esquematização regular):
F) Verso branco (aquele que não possui marcação de rimas):
Poema é o texto composto em versos (linhas breves) e estrofes, numa oposição ao texto composto em prosa (linhas longas), isto é, composto em orações, períodos e parágrafos.
Escansão é a contagem das sílabas de um verso, a partir das seguintes regras:
1) Na contagem das sílabas métricas, contamos até a última sílaba tônica e desprezamos a sílaba ou sílabas átonas finais;
2) Quando houver encontro de vogais (vogal no fim de uma palavra e outra vogal no início do vocábulo seguinte), formando um ditongo, conta-se apenas uma sílaba métrica.
Estrofe é o conjunto de versos de um poema e, de acordo com a quantidade deles, classifica-se em:
*1 verso - monóstico
* 2 versos - dístico
* 3 versos - terceto
* 4 versos - quarteto ou quadra
* 5 versos - quinteto ou quintilha
* 6 versos - sexteto ou sextilha
* 7 versos - septilha
* 8 versos - oitava
* 9 versos - novena
* 10 versos - décima
* Mais de 10 versos - irregulares
Poesia é a qualidade presente em certos textos, capaz de despertar o sentimento do belo e provocar o encantamento estético. Dessa forma, a poesia pode estar em um conto, na cena de um filme ou de uma telenovela; nas artes plásticas, como a pintura e a escultura.
Verso é o nome que se dá a cada uma das linhas que constituem um poema.
Metro é o nome que se dá à extensão da linha poética. Pela contagem de sílabas de um verso, podemos estabelecer seu padrão métrico e suas unidades rítmicas. Dependendo do número de sílabas métricas, os versos são classificados da seguinte forma:
Estrutura métrica dos versos
| |
Número de sílabas
|
Classificação dos versos
|
1
|
Monossílabo
|
2
|
Dissílabo
|
3
|
Trissílabo
|
4
|
Tetrassílabo
|
5
|
Pentassílabo ou redondilha menor
|
6
|
Hexassílabo
|
7
|
Heptassílabo ou redondilha maior
|
8
|
Octossílabo
|
9
|
Eneassílabo
|
10
|
Decassílabo
|
11
|
Hendecassílabo
|
12
|
Dodecassílabo ou Alexandrino
|
Alguns exemplos:
1 sílaba - Monossílabo
1 sílaba - Monossílabo
1
| |
| Rua | |
1
| |
| Tor/ | (ta). |
1
| |
| Lua | |
1
| |
| Mor/ | (ta). |
1
| |
| Tua | |
1
| |
| Por/ | (ta) |
(Cassiano Ricardo)
| |
5 sílabas - Pentassílabo ou redondilha menor
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | |
| Sou/ | bra/ | vo/ | sou/ | for/ | (te) |
1
| 2 | 3 | 4 | ||
| Sou/ | fi/ | lho/ | do/ | nor/ | (te) |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | |
| Meu/ | can/ | to/ | de/ | mor/ | (te) |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | |
| Gue/ | rrei/ | ros,/ | ou/ | vi | |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | |
| Sou/ | fi/ | lho/ | das/ | sel/ | (vas) |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | |
| Nas/ | sel/ | vas,/ | cres/ | ci | |
(Gonçalves Dias)
| |||||
7 sílabas - Heptassílabo ou redondilha maior
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | |
| Min/ | ha/ | te/ | rra/ | tem/ | pal/ | mei/ | (ras), |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | |
| On/ | de/ | can/ | tao/ | sa/ | bi/ | á; | |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | |
| As/ | a/ | ves/ | quea/ | qui/ | gor/ | jei | (am), |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | |
| Não/ | gor/ | jei/ | am/ | co/ | mo/ | lá. | |
(Gonçalves Dias)
| |||||||
10 sílabas - Decassílabo
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | |
| É/ | um/ | não/ | que/ | rer/ | mais/ | que/ | bem/ | que/ | rer; | |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | |
| É/ | so/ | li/ | ta/ | rioan/ | dar/ | por/ | en/ | trea/ | gen/ | (te); |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | |
| É/ | nun/ | ca/ | con/ | ten/ | tar-/ | se/ | de/ | con/ | ten/ | (te); |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | |
| É/ | cui/ | dar/ | que/ | se/ | ga/ | nhaem/ | se/ | per/ | der; | |
(Luís Vaz de Camões)
| ||||||||||
12 sílabas - Dodecassílabo ou Alexandrino
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | |
| Ve/ | nhaoin/ | ver/ | no,/ | de/ | pois/ | doou/ | to/ | no/ | ben/ | fei/ | tor! | |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | |
| Fe/ | liz/ | por/ | que/ | nas/ | ci,/ | fe/ | liz/ | por/ | queen/ | ve/ | lhe/ | (ço), |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | |
| Hei/ | de/ | ter/ | no/ | meu/ | fim/ | a/ | gló/ | ria/ | do/ | co/ | me/ | (ço): |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | |
| Não/ | me/ | ve/ | rão/ | cho/ | rar/ | no/ | dia/ | em/ | que/ | me/ | for. | |
(Olavo Bilac)
| ||||||||||||
Mais de 12 sílabas - Verso livre
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| Teu/ | si/ | lên/ | cio/ | baio/ | ne/ | ta/ | per/ | fu/ | rao/ | meu/ | ba/ | lão | |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| E/ | lá/ | se/ | vão/ | to/ | das/ | as/ | fra/ | ses/ | queeu/ | ti/ | nhaa/ | di/ | zer |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| U/ | ma/ | gra/ | na/ | da/ | de/ | pa/ | la/ | vras/ | ex/ | plo/ | den/ | tre/ | nós |
1
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| E/ | man/ | da/ | pe/ | los/ | a/ | res/ | a/ | que/ | la/ | chan/ | ceen/ | mi/ | lhão |
(Antonio Marques Barroso)
| |||||||||||||
Rima é a igualdade ou semelhança de sons na terminação das palavras. Pode se classificar em:
A) Emparelhada (AA, BB, CC)
| Amo o pobre deixo o rico | A |
| Vivo como o tico-tico | A |
| Não me envolvo em torvelinhos | B |
| Vivo só no meu cantinho. | B |
B) Intercalada (AB, BA, CD, DC)
| Desponta a estrela d'alma: a noite morre | A |
| Pulam no mato alígeros cantores | B |
| E doce brisa no arraial das flores | B |
| Lânguidas queixas murmurando corre. | A |
C) Alternada (AB, AB)
| Sei que canto. E a canção é tudo. | A |
| Tem sangue eterno a asa ritmada. | B |
| E um dia sei estarei mudo | A |
| Mais nada. | B |
D) Encadeada (a mai rara, encontramos do final para o meio do verso):
| As flores d'alma que se alteram belas | |
| Puras, singelas, orvalhadas, vivas. | |
| Tem mais aroma e são mais formosas | |
| Que as pobres rosas num jardim cativas. |
E) Misturada ( aquela que não segue esquematização regular):
| De uma eu sei, entretanto. | A |
| Que cheguei a estimar | B |
| Por ser tão desgraçadas! | C |
| Tive-a hospedada a um canto | A |
| Do pequeno jardim; | D |
| Era toda riscada de um traço cor de mar | B |
| E um traço carmesim! | D |
F) Verso branco (aquele que não possui marcação de rimas):
| Lá, como é uso do país, roçando | A |
| Dois lenhos entre si, desperta a chama. | B |
| Que já se ateia nas ligeiras palhas, | C |
| E velozmente se propaga. Ao vento | D |
| Deixa cacimbo o resto e foge a tempo. | E |
Poema é o texto composto em versos (linhas breves) e estrofes, numa oposição ao texto composto em prosa (linhas longas), isto é, composto em orações, períodos e parágrafos.
Escansão é a contagem das sílabas de um verso, a partir das seguintes regras:
1) Na contagem das sílabas métricas, contamos até a última sílaba tônica e desprezamos a sílaba ou sílabas átonas finais;
2) Quando houver encontro de vogais (vogal no fim de uma palavra e outra vogal no início do vocábulo seguinte), formando um ditongo, conta-se apenas uma sílaba métrica.
Estrofe é o conjunto de versos de um poema e, de acordo com a quantidade deles, classifica-se em:
*1 verso - monóstico
* 2 versos - dístico
* 3 versos - terceto
* 4 versos - quarteto ou quadra
* 5 versos - quinteto ou quintilha
* 6 versos - sexteto ou sextilha
* 7 versos - septilha
* 8 versos - oitava
* 9 versos - novena
* 10 versos - décima
* Mais de 10 versos - irregulares
Poesia é a qualidade presente em certos textos, capaz de despertar o sentimento do belo e provocar o encantamento estético. Dessa forma, a poesia pode estar em um conto, na cena de um filme ou de uma telenovela; nas artes plásticas, como a pintura e a escultura.
(Fonte: UOL Educação, 14/3/12)
terça-feira, 13 de março de 2012
"PareSer" Humano (redação de meu aluno Marlon Ferreira Perez)
Poucos assuntos fascinam o homem como a ideia de perfeição. Perseguiu-se esse ideal ao longo de toda a história - a Hélade de Homero é um exemplo. A novidade é que hoje tal meta tornou-se uma obsessão, que atinge até mesmo a felicidade.
É relevante para o homem contemporâneo não só estar bem, como parecer estar bem. Admitir fragilidade é impensável. Problemas, dores, vícios comuns na vida de todos são eclipsados, fecham-se os olhos para eles e soluções práticas, porém ilusórias, são buscadas para saná-los.
É fácil perceber a felicidade alheia, pois todos riem em público, mas são raros aqueles que choram. Constatar tal "alegria" faz com que se pense que a vida do outro é incrível, mas não se percebem, nestes momentos, os medos e dores daquela pessoa.
É comum ver adultos e crianças incapazes de lidarem com frustrações, pois foram enganados com a ideia de uma vida perfeita. Ningém é feliz, todavia, durante toda a existência. Há momentos em que é preciso enfrentar as adversidades, pois é através da sua superação que se amadurece intelectual e emocionalmente.
A busca pela perfeição, seja na felicidade ou em qualquer outro campo, é utópica. E, também, se um indivíduo a atingisse, deixaria de lado sua natureza humana. Especialmente hoje, o mundo precisa de mais homens e menos de semideuses.
(Fonte: Marlon Ferreira Perez - CARO Objetivo)
segunda-feira, 12 de março de 2012
Oportunidade
Países aproveitaram seus bônus demográficos para enriquecer; para
o Brasil, a oportunidade é agora .
Até os mais pessimistas concordam que o Brasil vive um dos bons momentos de
sua história. Atravessou sem traumas a crise financeira de 2008, provocada
pelos Estados Unidos, e parece fazer o mesmo na atual crise da Europa.
Desde o início do século, a economia brasileira foi beneficiada pelo
duradouro movimento de alta dos preços das commodities em geral, decorrente, em
grande parte, da demanda da China. Por aqui, políticas eficientes de
distribuição de renda, durante muitos anos desprezadas pelo poder público,
acabaram sendo adotadas e deram importante impulso ao mercado interno.
Essa ampliação do consumo interno não ocorreu devido a nenhuma política
genial. Fez-se o óbvio. Aos que sofrem pela miséria ofereceu-se uma renda
mínima, por meio dos programas sociais, para que pudessem pelo menos ter acesso
a itens essenciais. Aos assalariados de baixíssima renda concedeu-se um salário
mínimo mais elevado, com reajustes anuais acima da inflação. Aos demais
cidadãos, ampliou-se a capacidade de acesso ao crédito, ainda que as taxas de
juros continuem altas demais.
Tudo isso se deu em um ambiente econômico de relativa estabilidade
monetária, conseguido desde o lançamento do Plano Real, em 1994.
Não estou aqui para sustentar que o país não tem problemas. Na verdade, tudo
o que foi feito é apenas o começo. Falta um eficiente sistema de educação
pública, o atendimento no setor de saúde é vergonhoso e a infraestrutura
precária exige recursos e agilidade para ser transformada. A própria indústria,
setor no qual sempre trabalhei, encontra-se em um momento crucial, sendo
assolada pela competição externa e sem condições de reagir, à espera de
mudanças no câmbio e nos custos internos.
Mas isso é outra história. O objetivo aqui é lembrar que o Brasil tem,
apesar dos problemas, uma oportunidade histórica de enriquecer. Isso é o que
pensam as pessoas que observam nosso país lá de fora. Há até um sentimento
explícito de inveja nos comentários de quem compara as condições de países
europeus com as do Brasil de hoje.
Se prevalecer o bom-senso, vem aí, com toda certeza, um novo ciclo de
prosperidade, decorrente dos pesados investimentos que estão sendo feitos no
setor de energia, especialmente no de petróleo. A exploração das gigantescas
reservas do pré-sal tendem a proporcionar grande afluxo de riqueza para o país.
Não fosse tudo isso, o país vive um período de bônus demográfico, porque a
maioria da população está em idade economicamente ativa. Há hoje, no país, mais
de 130 milhões de pessoas na faixa de 15 a 64 anos, 67% da população total.
Ter essa parcela da população majoritária em relação à camada de dependentes
(velhos e crianças) é uma dádiva que precisa ser aproveitada, porque ela vai
durar apenas uns 20 ou 30 anos.
Em 2020, segundo as previsões do IBGE, esse bônus demográfico será ainda
maior, quando a população em plena atividade alcançará 71% do total dos
brasileiros. A partir de 2025, o número de idosos começará a crescer, o que
determinará a diminuição gradual dessa vantagem demográfica.
Entre 1965 e 1990, a
Coreia do Sul, por exemplo, passou por um período de bônus demográfico e soube
aproveitá-lo -seu PIB aumentou 88 vezes nesse período, de US$ 3 bilhões para
US$ 264 bilhões. Os chineses se beneficiam neste momento de sua estrutura
etária favorável, decorrência do rigoroso controle de natalidade imposto no
país na segunda metade do século passado.
O Brasil precisa aproveitar essa benesse demográfica. Manter o crescimento
do PIB em pelo menos 5% a 6% ao ano é fundamental. Políticas públicas devem ser
capazes de absorver a mão de obra disponível em grande quantidade e dar
incentivo à produção e à produtividade internas. Além disso, o momento exige
planejamento cuidadoso de políticas para a educação da imensa massa de pessoas
em idade produtiva e para cuidar de sua saúde.
EUA, França, Alemanha, Coreia, Japão e outros países aproveitaram seus bônus
demográficos para enriquecer com democracia. Para o Brasil, pelo menos neste
século, não haverá uma segunda janela demográfica. A oportunidade é agora.
Fonte: BENJAMIN STEINBRUCH - UOL, 28/2/12
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