quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Os valores da juventude do novo milênio

Tomando como base o texto abaixo, redija uma dissertação em prosa sobre o tema: Os valores da juventude do novo milênio.

Tempo de protesto

Dezembro de 2010. Um jovem de 26 anos coloca fogo no próprio corpo, na Tunísia, dando início a protestos. Em janeiro, cai o ditador Ben Ali, no poder há 23 anos. Nos últimos dois meses, protestos reuniram milhares de jovens em países como Reino Unido, França, Grécia, Itália, Turquia e Venezuela.
Enquanto o movimento estudantil ressurge mundo afora, no Brasil, ele segue tímido: não reúne quantidade expressiva e sofre descrédito por conta do assédio ou da ligação com partidos políticos. Há menos de um mês, em Brasília, apenas 80 jovens foram ao Congresso Nacional reclamar do aumento de 62% no salário de parlamentares.
Em São Paulo, o Folhateen acompanhou manifestantes nos dias 13 e 20, em passeatas contra a nova tarifa do ônibus (R$ 3). Os protestos foram organizados pelo Movimento Passe Livre. No dia 20, segundo o primeiro-tenente da Polícia Militar André Zandonadi, 3.000 pessoas estavam na Paulista. Durante os atos, participantes reclamavam da baixa adesão e da presença ostensiva das bandeiras de partidos políticos, apesar de o MPL declarar ser apartidário.
Para Ricardo Caldas, cientista político da Universidade de Brasília, quando os movimentos sociais são usados como ferramenta política, suas causas se enfraquecem. "Hoje, a juventude é menos politizada, menos mobilizada e vai menos às ruas."
Para Christina Andrews, cientista social da Universidade Federal de São Paulo, é próprio da juventude lutar por igualdade. "A motivação é a mesma há 30 anos."
"É importante que os jovens saiam às ruas", diz Caldas. "Isso mantém o senso crítico da sociedade e aponta novas lideranças políticas."
(Folhateen)

domingo, 4 de dezembro de 2011

2º Simulado 2011

Texto para os testes 1 a 7


JÁ OUVIU FALAR DA GERAÇÃO Z?

Os nativos digitais, aqueles que nasceram a partir dos anos 1990 e não concebem o mundo sem celular nem internet, são estimados em 1,6 bilhão de pessoas, número que cresce a cada dia. Numa pesquisa mostrada por Katherine Savitt durante o último Web 2.0 Summit, em San Francisco, Califórnia, em novembro, 71% das pessoas dessa faixa etária reportaram uso simultâneo de celular com internet e/ou televisão. E 69% disseram manter três ou mais janelas ativas do navegador durante uma sessão de internet.
Por conta das tarefas múltiplas, os jovens e ultrajovens são às vezes tachados de DDA, ou seja, portadores de Distúrbio de Déficit de Atenção. Mas será
que trocar mensagens tipo SMS, enquanto assistem a programas na TV, não é algo como conversar no sofá? Desde os anos 60, sabe-se que o sistema nervoso se modifica quando o organismo é exposto a muitos estímulos. Neuroplasticidade é o nome que se dá à capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões a cada momento. Será que o cérebro da Geração Z não evolui de maneira diferente da dos mais velhos? Será que essa geração não tem uma capacidade sem precedentes de coletar e processar informações?
Outro fato marcante da Geração Z é um novo conceito do que seja fraude. Baixar músicas sem pagar, por exemplo, essa geração não considera fraude, mas sim, algo normalíssimo, até porque há muitos sites que oferecem músicas grátis. Os jovens acham que não é da sua conta verificar se esses sites fazem isso legal ou ilegalmente. A Geração Z compra filmes e softwares piratas sem peso na consciência, mesmo que seus educadores desestimulem a prática. Burlar jogos ou até ajudar a derrubar servidores de empresas com as quais se irritam, como ocorreu recentemente no caso do WikiLeaks, pode dar prestígio ao fraudador, que pode ser visto como pessoa mais esperta ou inteligente do que a média.
Uma das teorias em voga é que a "gameficação" é um grande mercado para a Geração Z, pois há expectativa dos jovens de que a vida deveria seguir o espírito dos videogames. Com isso, as empresas precisariam "gameficar" produtos e serviços. Mesmo criando produtos atraentes, é bom ter em mente que dificilmente algo será tão engajador a ponto de concentrar 100% da atenção de um membro da Geração Z.
Assistir a filmes ou programas sob demanda, na hora e no equipamento que quiser, é normal. Nada de ficar acordado até mais tarde ou mudar outro compromisso só para ver TV com hora marcada. Nem mesmo perder tempo programando gravação, coisa que seus pais fariam ou gostariam de fazer. Até porque essa geração parece muito mais afeita a criar e compartilhar seus textos, fotos e vídeos na internet do que todas as gerações precedentes. 93% dos jovens internautas fazem isso, diz a pesquisa.
Além de criar e publicar, há o espírito curador. O
hábito de sair navegando e selecionar o que se vê, lê ou ouve. Validam o que gostam comentando ou compartilhando o conteúdo de terceiros, profissionais ou amadores. Essa é a forma normal de expressão nas redes sociais.
Seguindo a pesquisa mostrada no Web 2.0 Summit, 62% dos membros dessa geração disseram ter 250 ou mais amigos em redes sociais. Aparentemente menos afeitos à propaganda, 73% dizem que a melhor maneira de descobrir novos produtos é por meio de amigos. Também buscam contato direto com empresas e marcas pela internet e põem com facilidade a boca no trombone, fazendo reclamações públicas iradas. Por outro lado, podem se transformar em marqueteiros apaixonados por produtos, se estes forem inspiradores para eles. A Geração Z, por conta do seu comportamento, parece ter grande potencial de influenciar as gerações anteriores.

(Márion Strecker, Folha de S. Paulo, 13/01/2011)

1) Assinale a alternativa em que todas as palavras aparecem em sentido literal.
a) "Também buscam contato direto com empresas e marcas pela internet e põem com facilidade a boca no trombone."
b) "E 69% disseram manter três ou mais janelas ativas do navegador durante uma sessão da internet."
c) "Neuroplasticidade é o nome que se dá à capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões."
d) "A Geração Z compra filmes e softwares piratas sem peso na consciência, mesmo que seus educadores desestimulem a prática."
e) "Burlar jogos ou até ajudar a derrubar servidores de empresas com as quais se irritam."

2) Pode-se afirmar que a Geração Z
a) não respeita as leis.
b) não tem capacidade de coletar e processar informações.
c) é portadora de Distúrbio de Déficit de Atenção.
d) relativiza um preceito ético recomendado por educadores.
e) só se concentra totalmente diante de games ou
produtos "gameficados".

3) Assinale a alternativa em que a autora se utiliza de um coloquialismo – um elemento linguístico próprio da linguagem falada e estranho à escrita.
a) "Numa pesquisa mostrada por Katherine Savitt durante o último Web 2.0 Summit, em San Francisco, Califórnia, em novembro, 71% das pessoas dessa faixa etária reportaram uso simultâneo de celular com internet e/ou televisão."
b) "Por conta das tarefas múltiplas, os jovens e ultrajovens são às vezes tachados de DDA, ou seja, portadores de Distúrbio de Déficit de Atenção."
c) "Mas será que trocar mensagens tipo SMS enquanto assistem a programas na TV não é algo como conversar no sofá?"
d) " ... se esses sites fazem isso legal ou ilegalmente."
e) "A Geração Z compra filmes e softwares piratas sem peso na consciência, mesmo que seus educadores desestimulem a prática."
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4) Considere as seguintes proposições:
I. O fato de os jovens e os ultrajovens serem vistos, às vezes, como portadores do Distúrbio de Déficit de Atenção não deixa de ser um pré-julgamento, que não leva em conta que é próprio também de outras gerações dedicar-se a "tarefas múltiplas".
II. O artigo é muito crítico em relação aos jovens e aos ultrajovens, deprecia a Geração Z, que, devido às múltiplas atividades, teria recuado intelectualmente em relação às anteriores.
III.A forma de expressão, predominante nas redes sociais, coloca em segundo plano a capacidade crítica. Há aceitação passiva do conteúdo proposto, sem o exercício da discriminação.
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) II e III, apenas.

5) Associando o texto a informações que você tem sobre eventos da atualidade, você entende da referência ao WikiLeaks que a Geração Z
a) derrubou esse site.
b) deu prestígio aos que o fraudaram.
c) derrubou sites de empresas que promoveram represálias contra esse site.
d) irritou-se com a divulgação de documentos secretos norte-americanos, feita por esse site.
e) burlou os jogos desenvolvidos por esse site.

6) Considere as seguintes afirmações:
I. Pode-se entender que as gerações anteriores à Geração Z eram muito tímidas, porque não mostravam suas fotos e textos a não ser para os familiares.
II. A grande diferença de comportamento entre a Geração Z e as gerações anteriores é resultado do progresso tecnológico e ético, que se acelerou nos últimos tempos.
III.A opinião que emana das redes sociais deve ser um dado importante para os estrategistas de propaganda e marketing.
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) II e III, apenas.

7) Embora novas tecnologias e redes sociais apareçam com frequência em reportagens que envolvem acusações de violação de privacidade, pirataria, cyberbullying e facilitação de outras práticas abomináveis, elas foram importantes, em várias manifestações políticas, como a que recentemente colocou em convulsão a população
contra a longa ditadura
a) de Cuba.
b) da Coreia do Norte.
c) do Egito.
d) da Venezuela.
e) da Inglaterra.

Texto para os testes 8, 9 e 10

CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e
comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem
mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

(Carlos Drummond de Andrade)

8) Ao reelaborar, poeticamente, sua cidade de origem em "Confidência do Itabirano", Carlos Drummond de Andrade expressa sua identidade com Itabira. Em qual palavra se pode melhor visualizar essa identificação?
a) Porosidade.
b) Trabalho.
c) Fotografia.
d) Ferro.
e) Herança.

9) O poema, como o próprio título diz, evidencia uma confidência, ou seja, a revelação de um segredo, de algo íntimo. Pode-se ler que a confidência do poeta é o fato de ele ainda carregar Itabira consigo, ainda "pertencer" a ela. Qual o verso que melhor expressa essa confidência?
a) "Principalmente nasci em Itabira."
b) "De Itabira trouxe prendas diversas que ora te
ofereço."
c) "Tive ouro, tive gado, tive fazendas."
d) "Itabira é apenas uma fotografia na parede."
e) "Mas como dói!"

10) Na poesia de Drummond, é comum observar a emergência de um sentimento, que pode expressar uma tentativa de ruptura com suas origens, mas sempre marcado pela não realização total desse movimento. Em linguagem poética, isso se revela quase sempre pelo uso de antíteses ou paradoxos. Assinale a alternativa em que aparece uma contradição.
a) "Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro."
b) "A vontade de amar que me paralisa o trabalho."
c) "este couro de anta, estendido no sofá da sala de
visitas."
d) "Noventa por cento de ferro nas calçadas."
e) "E o hábito de sofrer, que tanto me diverte."

(Unifesp-2011) Texto para os testes 11 e 12

A palavra bullying ainda é pouco conhecida do grande público brasileiro. De origem inglesa e ainda sem tradução no Brasil, é utilizada para qualificar comportamentos violentos no âmbito escolar, tanto de meninos quanto de meninas. Dentre esses comportamentos podemos destacar as agressões, os assédios e as ações desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores. É fundamental explicitar que as atitudes tomadas por um ou mais agressores contra um ou alguns estudantes, geralmente, não apresentam motivações específicas ou justificáveis. Isso significa dizer que, de forma quase "natural", os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas. E isso, invariavelmente, produz, alimenta e até perpetua muita
dor e sofrimento nos vitimados.

(Ana Beatriz Barbosa Silva. Bullying: mentes perigosas
nas escolas, 2010. Adaptado.)
11) Segundo o texto,
a) embora a palavra “bullying” ainda não seja muito familiar em nosso país, com o tempo ela se tornará quase natural para nós.
b) os comportamentos violentos de garotos e garotas, em contexto escolar, têm recebido a denominação inglesa de “bullying”.
c) mesmo ignorado pela maior parte das pessoas, o termo “bullying” designa um fenômeno que está sendo encarado com crescente naturalidade.
d) a falta de uma tradução para a palavra inglesa “bullying” provoca dificuldades para qualificar comportamentos violentos na escola.
e) somente metade das manifestações violentas, na escola, qualificadas como “bullying”, apresenta motivações justificáveis.

12) De acordo com o texto,
a) os estudantes mais fortes usam de sua prepotência e do constrangimento e intimidação dos mais frágeis, com o objetivo de se divertirem.
b) as ações violentas, praticadas no ambiente escolar, são invariavelmente frequentes, involuntárias e motivadas por sofrimentos dos agressores.
c) o sofrimento proveniente das manifestações violentas na escola pode demandar tratamentos dispendiosos, porém eficientes.
d) em geral, as agressões sofridas pelos alunos não são gratuitas e possuem causas cada vez mais claramente identificáveis.
e) a humilhação e o medo a que são submetidas as vítimas do “bullying” são consequências naturais da sociedade contemporânea.

(Unifesp-2011) Texto para o teste 13

O cyberbullying é um problema crescente justamente porque os jovens usam cada vez mais a tecnologia. Ana, 13 anos, já era perseguida na escola – e passou a ser acuada, prisioneira de seus agressores via internet. Hoje, vive com medo e deixou de adicionar "amigos" em seu perfil no Orkut. Além disso, restringiu o acesso ao MSN. Mesmo assim, o tormento continua. As meninas de sua sala enviam mensagens depreciativas, com apelidos maldosos e recados humilhantes, para amigos comuns. Os qualificativos mais leves são "nojenta, nerd e lésbica". Outros textos dizem: "Você deveria parar de falar com aquela piranha" e "A emo já mudou a sua cabeça, hein? Vá pro inferno". Ana, é claro, fica arrasada. "Uso preto, ouço rock e pinto o cabelo. Curto coisas diferentes e falo de outros assuntos. Por isso, não me aceitam."

(Beatriz Santomauro. Nova Escola, junho/julho 2010.
Adaptado.)


13) Conforme o texto,
a) o desenvolvimento da tecnologia extinguirá o problema do “cyberbullying” entre os jovens.
b) apenas os jovens que não frequentam a escola são perseguidos implacavelmente pela internet.
c) Ana é vítima do “cyberbullying” porque tem gostos e interesses que seu grupo social não aprecia.
d) os qualificativos, enviados pelas colegas de sala a amigos comuns, levaram Ana a usar preto e pintar o cabelo.
e) a restrição do acesso ao MSN e o uso mais limitado do Orkut eliminam, significativamente, problemas de “cyberbullying”.


Texto para o teste 14

Testes

Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site da internet. O nome do teste era tentador: "O que Freud diria de você". Uau. Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o seguinte: "Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os doze anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento". Perfeito! Foi exatamente o que aconteceu comigo. Fiquei radiante: eu havia realizado uma consulta paranormal com o pai da psicanálise, e ele acertou na mosca.
Estava com tempo sobrando, e curiosidade é algo que não me falta, então resolvi voltar ao teste e responder tudo diferente do que havia respondido antes. Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver com minha personalidade. E fui conferir o resultado, que dizia o seguinte: "Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os 12 anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento".

(M. Medeiros, Doidas e santas. Porto Alegre, 2008,
adaptado)

14) Quanto às influências que a internet pode exercer sobre os usuários, a autora expressa uma reação irônica no trecho:
a) "Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver".
b) "Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os doze anos".
c) "Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site da internet".
d) "Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o seguinte".
e) "Fiquei radiante: eu havia realizado uma consulta paranormal com o pai da psicanálise".

Texto para os testes 15 e 16

A livraria do Google - o Google ebookstore pode demarcar a revolução da leitura em suportes
Digitais

No ar desde dezembro, o Google Ebookstore [http://books.google.com/ebooks] promete revolucionar o mercado de livros digitais ao oferecer, inicialmente, mais de 3 milhões de títulos nos mais diferentes formatos e para os mais diversos suportes.
Embora livrarias digitais não sejam propriamente uma novidade na internet, haja vista a Amazon e a Barnes & Nobles, por exemplo – que lançaram respectivamente os e readers Kindle e Nook – o Google parte do princípio da universalidade dos formatos de livros disponíveis para download, sendo possível baixá-los e lê-los em quaisquer livros eletrônicos, tablets, smartphones ou computadores. Além disso, o serviço também se vale do acervo de milhões de livros já escaneados pelo Google Books, cuja disputa com as editoras pelos direitos autorais das obras reproduzidas deu o que falar.

(Revista Língua Portuguesa, fevereiro de 2011)
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15) A partir do texto apresentado, assinale a alternativa correta.
a) O Google Ebookstore revolucionou o mercado de livros digitais, por ser a primeira livraria digital.
b) A livraria do Google já disponibilizou mais de 3 milhões de títulos na internet.
c) A Amazon e a Barnes & Nobles revolucionaram a leitura em suportes digitais.
d) A inovação do Google Ebookstore é a oferta de acesso a livros, em diversos formatos e suportes.
e) A reprodução de obras pela Google Books foi feita com o apoio das editoras.

16) O trecho "Embora livrarias digitais não sejam propriamente uma novidade na internet..." pode ser substituído, sem prejuízo de sentido e mantendo-se a norma culta, por:
a) Mesmo que livrarias digitais não sejam propriamente
uma novidade na internet...
b) Porque livrarias digitais não são propriamente uma novidade na internet...
c) Não obstante as livrarias digitais não sejam mais uma novidade na internet...
d) Já que livrarias digitais não serão propriamente uma novidade na internet...
e) A não ser que livrarias digitais possam ser propriamente uma novidade na internet...

Texto para o testes 17 e 18

Que coreanos comam cachorros é um fato antropológico que não deveria causar maior surpresa nem revolta. Franceses deliciam-se com cavalos e rãs, chineses devoram tudo o que se mexe – aí inclusos escorpiões e gafanhotos – e boa parte das coisas que não se mexem também. Os papuas da Nova Guiné, até algumas décadas atrás, fartavam-se no consumo ritual dos miolos de familiares mortos. Só pararam porque o hábito estava lhes passando o kuru, uma doença neurológica grave.
Nosso consolidadíssimo costume de comer vacas configura, aos olhos dos hinduístas, nada menos do que deicídio.
A não ser que estejamos prontos a definir e impor um universal alimentar, é preciso tolerar as práticas culinárias alheias, por mais exóticas ou repugnantes que nos pareçam.

(Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo, 14/11/2009)

17) No texto, Schwartsman critica
a) a diversidade culinária mundial.
b) os chineses, por serem amplamente onívoros.
c) os que criticam práticas culinárias heterodoxas.
d) a tradição judaico-cristã ocidental.
e) a culinária coreana, em especial.


18) “Deicídio” significa o ato de
a) matar um deus.
b) homenagear um ancestral.
c) matar-se por amor divino.
d) confessar-se ateu.
e) imaginar-se vegetariano.

(Unesp) Texto para os testes 19 e 20

Troquei a máquina de escrever pelo computador há 21 anos, o que provavelmente já me salvou a vida algumas vezes, mas não pense que minhas relações com ele são uma maravilha. A cada aperfeiçoamento no funcionamento da caranguejola, tenho um motivo para sobressalto, até me acostumar com a novidade e passar a dominá-la também. Uma delas é um novo e infernal corretor automático de texto.
Ao perceber que as teclas estão sendo acionadas para formar determinada palavra, o corretor, ligeiro que nem raposa, antecipa-se e termina de escrevê-la por mim. Não sei se, com isso, está apenas querendo se exibir ou se acha que errarei na grafia e oferecese para completá-la. Até aí tudo bem. Só que, ao fazer isso, ele se atrapalha com os acentos, escreve o que não é para escrever e me obriga a teclar retrocessos e humilhá-lo com uma correção mecânica, o que faço com sádico prazer.
Se quero me referir, por exemplo, ao grande sambista do Estácio Alcebíades Barcellos, co-autor de "Agora é Cinza", inventor do surdo e mais conhecido como Bide, ele intromete um cretiníssimo circunflexo e transforma Bide em Bidê. O arquiteto francês Le Corbusier torna-se Lê Corbusier. (...)

(Ruy Castro, Folha de S. Paulo, 16/11/2009)

19)Segundo Ruy Castro, seu computador
a) faz correções de modo completamente aleatório.
b) não tem no programa as regras de acentuação.
c) parece "adivinhar" as palavras que Ruy vai escrever.
d) foi programado por uma pessoa exibicionista.
e) é sádico, muitas vezes, como um escritor.

20) O sentido de “caranguejola”, no texto, é:
a) crustáceo artrópode com carapaça.
b) espécie de realejo movido à manivela.
c) instrumento musical improvisado.
d) estrutura instável sem sustentação confiável.
e) placa-mãe com apenas um giga de memória.

1º Simulado 2011

Leia o texto atentamente para responder aos testes 1 a 6: A guerra suja

Na esquina em frente ao grande condomínio nas colinas de Perdizes, brotou um barzinho. Um desses do novo estilo, mais mauricinho, só noturno, com pizza, cerveja, sinuca, música e telões de futebol. Fica no 1.o andar de um sobrado. Os fumantes e seus amigos passaram a ocupar as escadas e a calçada, copos nas mãos, conversando naquele tom exclamativo próprio dos frequentadores de botecos, pontuado por palavrinhas chulas. Nos dias de jogos, escapavam pelas janelas gritos de "Timããão!", "Pooorco!", "Tricolooor!".
Sabe como é torcedor de futebol durante os jogos. Sabe como é torcedor de futebol quando seu time faz gol. Sabe como é torcedor de futebol quando qualquer adversário toma gol. Sabe como é torcedor.
O barulho passou a incomodar as pessoas do condomínio. Uma comissão foi até a outra esquina tentar uma convivência pacífica. O dono do bar, rapaz simpático, disse que sim, ia segurar a onda do pessoal, na boa. Não segurou, nem se sabe se tentou.
Os moradores foram à prefeitura checar alvará, finalidade, habite-se, dispositivo antirruídos _ nada conseguiram além do habitual "vamos estar verificando". Foram ao Psiu, que não faz psiu para ninguém. Então resolveram partir para a guerra.
Na primeira reunião para decidir as táticas da guerra houve sugestões radicais:
_ Vamos botar o lixo daqui na porta deles. São 300 apartamentos. Se a metade botar o lixo lá, são 300, 400 quilos.
_ Não pode! Não é civilizado!
_E por acaso é civilizado o que eles fazem? Vamos dar o troco! É poluição sonora pra cá, poluição ambiental pra lá.
Os radicais gostaram, os racionais nem tanto:
_ A prefeitura vai enquadrar, vai multar a gente.
Desistiram do lixão. (...) Aí nasceu a idéia da guerra suja: Quantos cachorros temos aqui no condomínio? Uns cinquenta? Por baixo. Vamos levar todos eles no colo até a calçada de lá e estimular os bichinhos a fazer as necessidades na porta deles. Número 1 e número 2. Os caras chegam no fim da tarde, vão encontrar lá as lembrancinhas. Aprovado.
Quando começou a guerra, quem mais gostou foram as crianças, até se ofereciam para "passear" com os cães mais de uma vez. O resultado foi satisfatório. Da esplanada da piscina esperaram a chegada dos inimigos, divertiram-se com a agitação e a indignação dos donos e dos empregados, deram risadas com o banho de sabão na calçada e as caras de nojo.
No dia seguinte, a adesão canina foi maior. A charmosa do 21.o, cuja cachorrinha recusou a mudança de lugar, fez questão de atravessar a rua para depositar na porta do boteco o conteúdo do saquinho ecológico e veio de lá sorrindo com a travessura. O cheirinho do lugar passou a estimular cães de outros prédios e solidários vira-latas de carroceiros.
No terceiro dia da guerra suja, os empregados do barzinho se recusaram a fazer a faxina, alegando que aquilo não fazia parte do contrato de trabalho. Naquela noite, o bar não pôde abrir. O dono pediu armistício e uma comissão para negociar a paz.
Dias depois o bar reabriu com sistema antirruído e proibição de fregueses na calçada. Os cachorrinhos voltaram alegres aos seus lugares preferidos.

(Ivan Ângelo. Veja São Paulo, 03 de fevereiro de 2010)

1 - Leia atentamente as afirmações seguintes:
I. O título "A guerra suja" sugere uma clara referência à expressão "jogo sujo", sinônimo de trapaça.
II. A estratégia empregada pelos condôminos não pode ser considerada um ato ardiloso, um dos sentidos figurados de "jogo sujo".
III. No contexto, a expressão "guerra suja" não é empregada com valor denotativo.
Está correto o que se afirma:

a) apenas em I.
b) apenas em III.
c) apenas em I e II.
d) apenas em II e III.
e) em I, II e III.


2 - Marque V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações
a respeito do segundo parágrafo do texto.
( ) O narrador instaura uma conversa direta com o leitor.
( ) A repetição de "Sabe como é torcedor" reforça as ideias negativas sobre os torcedores de futebol.
( ) Fica subentendido, pelos "gritos de 'Timããão!', 'Pooorco!', 'Tricolooor!'", indicados no parágrafo anterior, que o que se sabe é que o torcedor é alguém efusivo.
( ) A frase final "Sabe como é torcedor" ressalta que, independentemente da circunstância, um torcedor apresenta sempre o mesmo comportamento.

Assinale a alternativa que apresenta a correta sequência de V ou F assinalada.

a) F -V -V - F
b) V -F - F -V
c) V - F -V -F
d) F - F - F -V
e) V -V -V - V


3 - Assinale a única alternativa em que não se verifica marca de linguagem coloquial nem imprecisão vocabular.
a) "pontuado por palavrinhas chulas"
b)"[o dono do bar] ia segurar a onda do pessoal"
c) "vamos estar verificando"
d) "Vamos dar o troco"
e) "Vamos levar todos eles no colo até a calçada de lá"

4 - Assinale a única alternativa cuja oração admita transposição para a voz passiva.
a) "Na esquina em frente ao grande condomínio nas colinas de Perdizes, brotou um barzinho."
b) "O barulho passou a incomodar as pessoas do condomínio."
c) "Na primeira reunião (...) houve sugestões radicais"
d) "Aí nasceu a ideia da guerra suja"
e) "Os moradores foram à prefeitura"

5 -Assinale a alternativa cujo termo destacado apresente a mesma classificação morfológica e função sintática de "alegres" no período "Os cachorrinhos voltaram alegres aos seus lugares preferidos."
a) O aluno fez uma leitura rápida do resumo do livro.
b) O diretor agiu certo ao falar com os pais do aluno.
c) O ônibus alugado para a excursão chegou atrasado à escola.
d) Os professores contaminados com a gripe H1N1 foram afastados.
e) Bastantes pessoas foram à Feira de Ciências do colégio.

6 - Assinale a alternativa cuja mudança proposta não possibilita alterar a concordância verbal original.
a. "houve sugestões radicais": substituição do verbo "haver" pelo verbo "existir".
b. "Uma comissão foi até a outra esquina": acréscimo da expressão "de moradores" no sujeito.
c. "Se a metade botar o lixo lá": acréscimo da expressão "dos condôminos" no sujeito.
d. "Os fumantes e seus amigos passaram a ocupar as escadas e a calçada": posposição do sujeito.
e. "No dia seguinte, a adesão canina foi maior": pluralização do termo "adesão".

7 - (ITA) Determine o caso em que o artigo tem valor qualificativo:
a) Estes são os candidatos de que lhe falei.
b) Procure-o, ele é o médico! Ninguém o supera.
c) Certeza e exatidão, estas qualidades não as tenho.
d) Os problemas que o afligem não me deixam descuidado.
e) Muito é a procura; pouca é a oferta.


8- (Uberlândia) Em qual destas frases o artigo definido está empregado erradamente?
a) A velha Roma está sendo modernizada.
b) A “Paraíba” é uma bela fragata.
c) Não reconheço agora a Lisboa de meu tempo.
d) O gato escaldado tem medo de água fria.
e) O Havre é um porto de muito movimento.

9- (CEETSP) Determine o único emprego errado do pronome pessoal:
a) Com nós todos já ocorreu isso.
b) Sobre ele e eu pesam sérias acusações.
c) Ajudemo-la que ela não se sente bem.
d) Tua a feres, mas não o fazes impunemente.
e) Põe-nos aqui, foi daqui que tiraste os livros.

10- Analisando os pronomes propostos, assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas da frase: “Disse a ________ que sem ________ ela não sabe viver.”
a) mim – ti
b) ti – eu
c) eu – ti
d) mim – tu
e) tu – mim
Para responder aos testes 11 e 12, leia o texto a seguir: Abrindo a janela

No voo da TAM para Londres, vi "As Garotas do Calendário", filme britânico que conta a história de um grupo de senhoras, beirando os 70 anos, que decidem posar nuas para um calendário, com o objetivo de arrecadar fundos para o hospital da pequena comunidade em que vivem. A horas tantas, uma das senhoras, talvez a de mais idade, está tomando o café da manhã com o marido, ainda mais velho. Ele empurra o jornal que está lendo para ela e diz: "Você está nua nesse jornal". Silêncio de segundos, e ele retorna: "Passe-me o bacon, por favor".
A sabedoria convencional diria que se trata de um retrato acabado, em poucos segundos, do inglês típico, inoxidável fleumático* mesmo ante uma situação bastante insólita. Eu tenho, no entanto, o mau hábito de questionar a sabedoria convencional. Pergunto-me: é o inglês típico ou apenas o estereótipo do inglês típico? Afinal, a ciência ensina que nenhuma pessoa é igual à outra. Logo, não é científico pressupor que todos os ingleses sejam iguais na fleuma - ou em qualquer outra característica.
[...] Desde criancinha - e aí é literal, não apenas força de expressão - tenho incontrolável curiosidade por saber como são as pessoas, os fatos e os locais que acabam indo parar nos jornais, na TV ou na rádio - e, agora, na internet. Foi o momento em que, apesar dos meus tenros 13 anos, passei a ler o jornal inteiro, não apenas esporte e quadrinhos, como até então. Devorava obcecadamente tudo. Mas não consegui dar à carreira jornalística a direção infantilmente pretendida, a de descobrir o mundo. [...] Os 36 anos seguintes só serviram para uma coisa: descobrir que, cada vez que descobria alguma coisa sobre algum país ou assunto, descobria também que apareciam "ene" coisas/assuntos que eu precisaria descobrir mais tarde.
Consola-me saber, neste 1.o de setembro que marca o 70.o aniversário do início da Segunda Guerra Mundial (1939/45), que não estou sozinho nessa busca sem fim. O jornal The Guardian puxa para a capa a controvérsia, na Europa, sobre quem são os culpados pela guerra, se apenas a Alemanha de Hitler ou também a União Soviética de Stálin, que fez um pacto com Hitler. O presidente russo Dimitri Medvedev, apesar de pós-comunista, sai em defesa de Stálin, chegando a dizer que, "no fim das contas, [Stálin] salvou a Europa".
Se há essa polêmica em torno de um assunto encerrado há 64 anos e sobre o qual se escreveram todos os livros possíveis, imagine então como é complicado - e polêmico - escrever sobre temas contemporâneos. Não importa. Nessa viagem, vale menos obter todas as respostas (porque não as há) e mais ter a chance de fazer todas as perguntas.

(Clóvis Rossi, "Abrindo a janela", Folha de S. Paulo, 01/09/2009 -adaptado)

* fleumático: que tem frieza de ânimo; impassível

11 - Nos dois primeiros parágrafos do texto, o autor relata uma passagem do filme a que assistiu em uma viagem de avião. A referência ao filme tem por objetivo:
a)mostrar como os ingleses são impassíveis, mesmo diante de situações inusitadas.
b) exemplificar sua curiosidade em relação às pessoas e situações que se tornam notícia em jornais.
c) comprovar que desde pequeno é curioso por conhecer o mundo à sua volta.
d) expor o seu costume de questionar idéias divulgadas como verdades absolutas.
e) lembrar o quanto cada assunto novo que descobre gera mais assuntos a se verificar.

12 - Assim como no título do artigo "Abrindo a janela" , o autor do texto também se utiliza da metáfora no trecho:
a) "a história de um grupo de senhoras, beirando os 70 anos".
b) "se trata de um retrato acabado, em poucos segundos, do inglês típico".
c) "Devorava obcecadamente tudo."
d) "a direção infantilmente pretendida, a de descobrir o mundo".
e.)"Nessa viagem, vale menos obter todas as respostas".

Texto para a questão 13:

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
(Gonçalves Dias)

13 - (UNIFESP) Os versos da "Canção do exílio" são construídos nos moldes da redondilha maior, com predominância dos acentos de intensidade nas terceiras e sétimas sílabas métricas. Um verso que não segue esse padrão de tonicidade é:
a) Minha terra tem palmeiras.
b) As aves, que aqui gorjeiam.
c) Nosso céu tem mais estrelas.
d) Em cismar, sozinho, à noite.
e) Onde canta o Sabiá.

Para responder aos testes 14 e 15, leia o trecho de O cortiço, de Aluísio Azevedo.

Jerônimo bebeu um bom trago de parati, mudou de roupa e deitou-se na cama de Rita.
_ Vem pra cá... disse, um pouco rouco.
_ Espera! espera! O café está quase pronto!
E ela só foi ter com ele, levando-lhe a chávena fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores (....) Depois, atirou fora a saia e, só de camisa, lançou-se contra o seu amado, num frenesi de desejo doído.
Jerônimo, ao senti-la inteira nos seus braços; ao sentir na sua pele a carne quente daquela brasileira; ao sentir inundar-se o rosto e as espáduas, num eflúvio de baunilha e cumaru, a onda negra e fria da cabeleira da mulata; ao sentir esmagarem-se no seu largo e peludo colo de cavouqueiro os dois globos túmidos e macios, e nas suas coxas as coxas dela; sua alma derreteu-se, fervendo e borbulhando como um metal ao fogo, e saiu-lhe pela boca, pelos olhos, por todos os poros do corpo, escandescente, em brasa queimando-lhe as próprias carnes e arrancando-lhe gemidos surdos, soluços irreprimíveis, que lhe sacudiam os membros, fibra por fibra, numa agonia extrema (...)

14 - (UNIFESP-adaptado) Pode-se afirmar que o enlace amoroso entre Jerônimo e Rita, próprio à visão naturalista, consiste
a) na condenação do sexo e conseqüente reafirmação dos preceitos morais rígidos.
b) na apresentação dos instintos contidos, sem exploração da plena sexualidade.
c) na apresentação do amor idealizado e revestido de certo erotismo.
d) na descrição do ser humano sob a ótica do erótico e animalesco.
e) na concepção de sexo como prática humana nobre sublime.

15 - (UNIFESP-adaptado) O enlace amoroso, seja na perspectiva de Rita, seja na de Jerônimo,
a) é sublimado, o que lhe confere caráter grotesco na obra.
b) é desejado com intensidade e lhes aguça os ânimos.
c) reproduz certo incômodo pelo tom de ritual que impõe.
d) representa-lhes o pecado e a degradação como pessoa.
e) é de sensualidade suave, pela não explicitação do ato.

Leia o texto seguinte para responder aos testes 16 e 17.

A mamadeira errada

Certo colunista algo pitoresco e esvoaçante escreveu noutro dia a seguinte frase em sua falação semanal, em que mistura religião, sexo, filosofia, sobretudo sexo, assunto com que muito se preocupa: "Acho que mesmo sua mãe deve ter lamentado tê-lo dado de mamar." Ele se enganou com a mamadeira. Deveria ter escrito ______________ .

(Josué Machado, "Dito e escrito". Revista Língua Portuguesa, ano 4, 51, janeiro de 2010)

16)I. A lacuna poderia ser completada com "ter dado ele".
II. O erro presente em "tê-lo dado" decorre tanto da regência quanto da concordância verbal.
III. O verbo "dar", no contexto, exige como complemento um objeto indireto.
Está correto o que se afirma em:
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) I e II.
e) II e III.

17 - O autor do texto avalia negativa e até pejorativamente o colunista. Isso só não ocorre em:
a) "colunista algo pitoresco".
b) "colunista algo (...) esvoaçante".
c)"em sua falação semanal".
d.)"em que mistura religião, sexo, filosofia".
e) "sobretudo sexo, assunto com que muito se preocupa".

18 – (Fuvest-95) "Palmeiras perde jogo e cabeça na Argentina" (O Estado de S.Paulo) A alternativa em que o efeito expressivo decorre do mesmo expediente sintático e semântico observado acima é:
a) Foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor.
b) Maria Luísa disse que era nervosa e mulher.
c) (...) como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido.
d) "O rato! o rato!" exclamou a moça sufocada e afastando-se.
e) Peço-lhe desculpar-me e que não mencione mais esse fato.

19 - Os parágrafos das dissertações abaixo estão fora de ordem. Organize-os numa sequência lógica e coerente: basta escrever, no início de cada parágrafo, o número correspondente à ordem correta.

Quem não lê não escreve

( ) Os estudantes sabem manipular com habilidade os microcomputadores em casa e, de forma crescente, também nas escolas, públicas e privadas. "Navegam" com fluidez na Internet, mas não são capazes de interpretar um texto de Machado de Assis; são verdadeiros ases das artes marciais dos jogos eletrônicos virtuais, mas não conseguem redigir um texto com princípio, meio e fim, estilo, forma e linguagem; "conversam" com colegas de outros continentes, por modem, mas atentam contra o idioma com seu pobre vocabulário.
( ) Nossos jovens têm acesso a todos os canais da era da informação, mas não têm informação. As escolas brasileiras não possuem bibliotecas. As raras existentes são incompletas e, o que é pior, pouco frequentadas. Em casa, a leitura de livros não é estimulada. Nada contra a informática, a multimídia e a realidade virtual. É inadmissível, porém, a ausência de formação intelectual e a alienação diante da realidade tangível.
( ) Para reverter esse quadro, não basta oferecer aos alunos os imprescindíveis livros didáticos. É preciso oferecer-lhes incentivo e meios de lerem os principais autores nacionais e estrangeiros, da literatura de ficção e não-ficção, jornais, revistas e obras científicas e humanísticas. Bill Gates, o multimilionário gênio da informática, sem qualquer constrangimento afirmou: "Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros." Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever — inclusive a sua própria história.
( ) É alarmante o fato de que apenas 1% dos alunos brasileiros da 3ª série do ensino médio (ou seja, os que se preparam para ingressar na universidade) tenha domínio adequado do idioma português. O resultado, expresso em pesquisa do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), deve servir de alerta para os responsáveis pela gestão do ensino, os professores e os pais de alunos.
( ) Observa-se no país uma perigosa desvalorização da cultura básica, da erudição e do conhecimento. Já sem cultura básica, nossos jovens não são estimulados à leitura de jornais e revistas, que também se constituem em fonte imprescindível de informação e formação.

(Adaptado do texto de Wander Soares, vice-presidente da Abrelivros e diretor adjunto da CBL)

20 - Excesso de informação acaba sendo armadilha

( ) A abundância de informações produzidas nos últimos 30 anos, a facilidade de acessá-las graças à Internet e a voracidade do homem em querer saber sempre mais – potencializada pela competição profissional – estão deixando executivos, médicos, analistas financeiros e profissionais de tecnologia literalmente doentes.
( ) A reação do corpo à enxurrada de dados no mundo moderno tem boa explicação. Mais unidades de informações foram produzidas de 1970 para cá do que ao longo dos últimos 5.000 anos. O cérebro humano foi preparado para absorver um número limitado de informação por unidade de tempo. Mas o mercado de trabalho cada vez mais competitivo fez o homem desrespeitar os limites, indo além do que consegue dar conta, afirmam especialistas em psicoterapia.
( ) “Informação não é mais sinônimo de resolução de problemas. Muitas vezes, vira até a causa deles. O excesso de notícias pode ser tão ruim quanto a ignorância, dificultando a tomada de decisões e levando à paralisia”, analisa o psicólogo britânico David Lewis. Para entender o raciocínio de Lewis, basta lembrar que uma das técnicas mais usadas por advogados de acusação para atrapalhar o trabalho da defesa é justamente responder a um pedido de informação entupindo os adversários com papéis inúteis misturados à peça relevante.
( ) Para não ficar atolado no mar de informações, o principal é selecionar com critério as informações que serão absorvidas, diferenciando o dado interessante daquele que é relevante para o trabalho. Para descartar o que não é útil, é preciso ter capacidade de análise aguçada, uma das primeiras coisas que ficam comprometidas quando alguém sofre de sobrecarga. Sem a triagem inicial, a tarefa de processar a informação para transformá-la em conhecimento vira um suplício.
( ) Dificuldade de concentração, ansiedade, cansaço ao acordar e incapacidade de tomar decisões simples, como escolher um filme ou que prato comer. Quem anda sentindo parte desses sintomas talvez seja o caso de pensar duas vezes antes de comprar mais um livro ou assinar a revista recém-lançada.

(Folha Equilíbrio - adaptado)

Aprimoramento linguístico

1. Identifique as impropriedades das frases abaixo e reescreva-as conforme a norma culta:

a) Em pouco tempo e gratuitamente, prepare-se para a universidade que você se inscreveu. (Fuvest-2010)
b) Sem muito sacrifício, adotou um modo de vida o qual o permitia fazer o regime recomendado pelo médico.(Fuvest-2010)
c) Estimam-se que cerca de 50 milhões de pessoas no mundo tenham sido vítima da gripe espanhola no início doséculo. (Unifesp-2010)
d) Existe divergências entre os especialistas: uns dizem que a gripe A têm gravidade e letalidade parecidas com a da gripe sazonal, outros afirmam que a situação é mais grave. (Unifesp-2010)
e) Aprovou-se várias leis, entre elas as que proibiu à poluição visual e à ingestão de bebida alcoólica na direção de veículos. (UFABC)
f) “O senhor pode estar aguardando na linha, que eu vou estar transferindo a sua ligação." (Fuvest)
g) A psicanálise detectou, fazem muitos anos, a essa prática, cuja que é comum à várias pessoas. (Fatec)
h) Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar. (ESPM-2009)
i) "O candidato cuja sua prova foi anulada recorreu à Justiça."
j) "O diagnóstico das matérias que o aluno tem mais dificuldade não deve ser feito só no começo do ano, mas sim ao longo da preparação, para que correções possam ser feitas." (Fovest)
k) Já deu dez horas e a entrega das medalhas ainda não foram feitas. (Fuvest – 2006)
l) Os desejos consumistas vão de encontro aos apelos publicitários.
m) Se considerássemos os fatores socioeconômicos, os resultados serão confiáveis.

2. Desfaça a ambiguidade das frases abaixo:

a) A população ficou chocada com a matança dos animais.
b) Papa condena adultério em missa. (ESPM)
c) Encontrei um amigo que não falava havia muito tempo.
d) As cenas de erotismo podem ser traumatizantes para as crianças, mas só as mais fortes.
e) No site você conhece muitas pessoas sem nenhum compromisso.
f) Trouxe o remédio para seu pai que está dentro deste vidrinho.
g) As cenas de erotismo podem ser traumatizantes para as crianças, mas só as mais fortes.
h) Vendem-se meias para crianças brancas.

Observação: Se tiver dúvidas em algum exercício, envie uma mensagem à professor solicitando orientações e gabarito.

Qual o papel da mulher na sociedade brasileira atual?

Dilma Rousseff elegeu-se Presidente da República, cargo ocupado pela primeira vez por uma mulher no Brasil. Isso é um marco na história democrática do país e na da luta feminina por igualdade social. A eleição presidencial de 2010 contou também com outro fato significativo no que se refere à participação feminina na política: o índice de aprovação de Marina Silva. Mas as mulheres não conquistaram posição apenas na política. Elas estão dirigindo empresas, ocupam espaço de destaque no telejornalismo e começam a aparecer até nos mais fechados redutos masculinos. O Flamengo, por exemplo, clube conhecido pela tradição do seu futebol, dono de uma das maiores torcidas do Brasil, é agora presidido por uma mulher. O que essas conquistas revelam sobre as relações sociais entre homens e mulheres? Discuta a situação social da mulher no Brasil de hoje, em uma dissertação argumentativa em prosa.

O jovem brasileiro do século XXI

•Eles são 35.331.229 (19% da população brasileira) – 50%homem/ 50%mulher
•Têm entre 16 e 25 anos
•Escolaridade: 22%-fundamental / 63%-médio / 14%-superior
•Classe econômica: A-4% / B-27% / C-53% / D-14% / E-2%
•Seu maior sonho: 33%-realização profissional (ansiedade cotidiana, mas compreensível num país em que é minoritário o número de pessoas que se formam em faculdades)
•Seu maior medo: 40%-morte (própria ou de parentes) /13%- violência (embora este apareça como o maior problema do Brasil para 17% dos entrevistados)

De zero a dez, quanto você ama e quanto você confia em
Quem Ama Confia
Sua mãe 9,7 9,4
Seus avós 9,1 8,4
Seus irmãos 9,1 8,2
Seu pai 8,6 8,0
* Não tem para ninguém. Quando o assunto é confiança ou amor, é mesmo a mãe a figura mais lembrada.

Qual grau de importância você dá a estes itens?
Item Acho importante ou muito importante
Família 99%
Saúde 99%
Trabalho 97%
Estudo 96%
Lazer 88%
Amigos 85%
Religião 81%
Sexo 81%
Dinheiro 79%
Beleza 74%
Casamento 72%

*Para especialistas, jovens atuais têm poucos conflitos com a geração anterior por pensarem de forma muito parecida.

Com relação a sua aparência você está: 59%- muito satisfeito / 37%- pouco satisfeito
Como não é provável que a feiúra tenha se tornado uma epidemia ao longo dos anos, os jovens estão sentindo infelizes com a própria aparência por uma questão social (ditadura da moda e da estética).

•Você participa de organizações sociais? 55%-sim (39%-Igreja / 24%-voluntariado)

•Qual meio você usa com mais freqüência para se informar? 33%-TV / 26%- Internet / 19%- jornais / 3%-revistas

•O que você mais acessa na internet?
81%- sites de relacionamento
79%- páginas de noticiais
76%- mensagens instantâneas
76% - e-mails
61% - download de música
61% - pesquisa para a escola

• Você já se relacionou sexualmente? 78%-sim

• Você já usou alguma droga ilícita? 75%- não

• Você costuma beber, mesmo que de vez em quando? 59%- sim

• Você costuma fumar, mesmo que de vez em quando? 81%- não

Redes sociais e o jeito novo como nos relacionamos

Se a internet mudou a vida das pessoas, as redes sociais mudaram o jeito como nos relacionamos.
O Orkut foi o precursor das redes sociais e, até hoje, é o mais popular no Brasil. O site tem estimados 85 milhões de usuários em todo o mundo. Mas foi o Facebook, ao lado do Twitter, que mostrou o real poder das redes sociais. O Facebook já tem 500 milhões de usuários, e o Twitter, 165 milhões. (In: folha.com / 30-12-10)

As novas tecnologias não apenas tornam a vida mais fácil, mas também produzem mudanças nos costumes e hábitos sociais. Seu uso compulsivo pode provocar patologias relativamente novas, como ficar dependente do celular ou da internet.
É verdade que isto não ocorre todos os dias. Mas é certo que as pessoas inseguras, imaturas, incapazes de resolver seus problemas, instáveis emocionalmente ou com tendência a buscar o prazer de forma imediata são as mais propensas a cair na dependência do uso da internet ou do celular.
São maneiras perfeitas para fugir da realidade estressante e compensar, de maneira fictícia, essas carências. Assim, o que começa como uma solução acaba se convertendo em uma conduta obsessiva, que dá origem ao abandono das obrigações familiares, de trabalho e culturais. O problema, hoje, é que estas patologias são cada vez mais freqüentes entre os jovens. (In: Terra, Tecnologia – 19.8.2005)

O contato social entre os amigos diminuiu. A internet virou um espaço de convivência, as pessoas ficam aprisionadas e as intimidades tornaram-se públicas", diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependência de Internet do Instituto de Psiquiatria da USP. Num jantar com sete amigos, viu cinco deles responderem a e-mails no iPhone.
"A tecnologia é uma coisa boa, não dá para ser contra o progresso. O problema é o descontrole", afirma Hermano Tavares, especialista em compulsão on-line da Associação Brasileira de Psiquiatria. Para o consultor de etiqueta Fábio Arruda, o vício nos aplicativos do iPhone passa pela falta de educação e equivale a tirar um jogo de palavras cruzadas da bolsa e negligenciar atenção a quem está no grupo.
"Com esse avanço, a possibilidade dos e-mails deixa as pessoas ainda mais ansiosas e escravizadas. É um rompimento das relações numa proporção que ninguém se dá conta", diz.
(In: Folha de S. Paulo, Cotidiano – 7.3.2010)

A tecnologia está mudando os hábitos das pessoas? Como o seu uso afeta as
relações interpessoais? Desenvolva um parágrafo dissertativo em que responda a estas perguntas.

O conflito entre gerações e a convivência social

A convivência entre diferentes é, quase sempre, um problema. Isso também ocorre quando a diferença envolve faixa etária, uma vez que grupos de variadas gerações podem possuir valores e interesses muito distintos. O jovem, por exemplo, visto muitas vezes como um "rebelde sem causa", que age de modo inconsequente e tanto desafia os limites de instituições tradicionais, como a família e a escola, é, por outro lado, o mesmo que tem sido caracterizado historicamente como um revolucionário, aquele que se levanta contra uma situação estabelecida. São também os representantes das novas gerações, mais adaptadas às mudanças tecnológicas, que têm promovido grandes avanços nas relações de trabalho do mundo contemporâneo. Pensando nisso, questionamos: Como se caracteriza o convívio social entre gerações atualmente no Brasil e no mundo? Leia os textos da coletânea e desenvolva o tema proposto em uma dissertação argumentativa em prosa.
Transformação recíproca
As relações intergeracionais permitem a transformação e a reconstrução da tradição no espaço dos grupos sociais. A transmissão dos saberes não é linear; ambas as gerações possuem sabedorias que podem ser desconhecidas para a outra geração, e a troca de saberes possibilita vivenciar diversos modos de pensar, de agir e de sentir, e assim, renovar as opiniões e visões acerca do mundo e das pessoas. As gerações se renovam e se transformam reciprocamente, em um movimento constante de construção e desconstrução.
[Adaptado de Maria Clotilde B. N. M. de Carvalho, Diálogo intergeracional entre idosos e crianças]
Intervalo mais curto

Durante muitas décadas, definiu-se geração como sendo aquela que sucedeu a seus pais. Portanto, “calculava-se como sendo uma geração o tempo de 25 anos”, diz o educador Mário Sérgio Cortella. “A questão é que, nos últimos 50 anos, nós tivemos uma aceleração do tempo, do modo de fazer as coisas, do jeito de produzir. A tecnologia é decisiva para criar marcas de tempo”, completa Cortella. O intervalo entre uma geração e outra ficou mais curto. Hoje, já se pode falar em uma nova geração a cada dez anos. Isso significa que mais pessoas diferentes estão convivendo em casa, na escola, no mercado de trabalho.
Para conhecer as gerações que, hoje, são colegas de trabalho, nós agora vamos voltar na linha do tempo. Nos acontecimentos de cada época, está a chave para entender a cabeça de cada geração.
Geração "baby boomers"
Chegamos à metade dos anos 40. Terminou a Segunda Guerra Mundial, e nasceu uma geração. Nos Estados Unidos, com a volta dos soldados para casa, muitas mulheres engravidaram. Houve um "boom" de bebês. Por isso, a geração que aí começou é chamada de "baby boomers". “Uma geração que disse ‘eu não quero mais a guerra, eu quero a paz, eu quero o amor’”, afirma Eline Kullock, presidente do Grupo Foco.
Geração X
Regime militar no Brasil. Segunda metade dos anos 60. Década de 70. O Brasil vivia censurado pela Ditadura, mas um pouco depois, na década de 80, eram jovens e assistiam às Diretas Já. É a geração X. Quem é da geração X conheceu a Aids e ficou com medo dela, que levou Cazuza. Pintou a cara para derrubar o presidente. Viu a tecnologia entrar de vez em casa. Pagou com cruzeiro, cruzado, cruzado novo.
Geração Y
A geração seguinte cresceu num país que já era uma democracia e uma economia aberta. Nos anos 90, o Brasil foi melhorando e sendo respeitado depois do plano Real, e a internet abriu as portas do mundo para a geração Y. “Esse é um profissional mais voltado para ele, para o prazer. Ele não quer um trabalho sisudo, um trabalho fechado. Ele não quer um chefe que diga para ele somente o que ele deve fazer, ele quer participar”, diz Eline.
[Adaptado de entrevista do educador Mário Sérgio Cortella ao Jornal da Globo]

Sinergia

A experiência e a possível maturidade dos "mais velhos", somadas ao volume de informações e o expertise dos "mais novos" no manejo das tecnologias dos nativos digitais, têm sido responsáveis por resultados expressivos e pela capacidade de inovação de algumas organizações. Por outro lado, a falta dessa coexistência sinérgica leva a uma perda de energia e de recursos que impacta de forma negativa os resultados... O desafio é entender estes diferentes códigos, buscar os pontos de convergência, trabalhar no sentido da complementaridade entre as diferentes gerações, identificando onde e como cada geração poderá contribuir mais e melhor... Por que tão injusto quanto tratar pessoas iguais de forma diferente será tratar pessoas diferentes de forma igual.

( Denize Dutra, Mestre em Administração Pública pela EBAPE – FGV)

Que fazer para a Copa do Mundo de 2014 beneficiar o Brasil?

Desde 2007, quando a FIFA anunciou o Brasil como sede oficial da Copa do Mundo de 2014, a polêmica começou: estamos preparados para sediar um evento mundial desse porte? Será que tanto investimento valerá a pena? Mesmo diante das controvérsias, o brasileiro tem acompanhado com ansiedade os preparativos para essa grande festa do esporte que acontecerá daqui a três anos: construção e reforma de estádios, obras de infraestrutura... Apesar de muita gente ser contra a Copa no Brasil, esse é um fato já decidido. Assim, o necessário agora é descobrir a melhor forma de fazer a Copa do Mundo de 2014 ser proveitosa para a economia e a sociedade brasileira. Por isso, queremos saber sua opinião para a seguinte questão: O que deve ser feito para que a Copa do Mundo de 2014 traga bons frutos ao país? Elabore um texto dissertativo, que responda à questão acima. Leia os textos da coletânea e aproveite as informações que achar relevantes.
Bate-bola: jogo rápido (VEJA.COM)
Quanto o país vai gastar para receber o evento? Calcula-se que o Mundial de Futebol do Brasil consumirá 5 bilhões de dólares, embora as estimativas finais, quando anunciadas, devam prever cifras bem maiores. Foi o que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Inicialmente orçados em 500 milhões de reais, estima-se que tenham consumido 4 bilhões de reais. Poucos países podem fazer como os Estados Unidos, que organizaram uma Copa do Mundo (em 1994) e duas Olimpíadas (em 1984 e 1996) sem um centavo de ajuda do erário. Isso porque toda a infra-estrutura estava pronta. Na Alemanha, o setor público (local ou federal) financiou um terço dos 2 bilhões de dólares gastos nas obras nos estádios.
De onde sairá o dinheiro para bancar as despesas? No caso da Copa no Brasil, parte da verba virá dos cofres da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), beneficiária dos polpudos patrocínios da seleção brasileira. Mas os gastos com infra-estrutura nas cidades onde acontecerão os jogos – construção de estádios, obras em estradas, aeroportos e sistemas de telecomunicações – correrão por conta do estado, ou seja, serão bancados com dinheiro público.
Quais as justificativas para o governo investir na Copa? Os argumentos a favor dos gastos públicos com a Copa do Mundo no Brasil dizem que o certame trará empregos, aumentará o fluxo turístico, promoverá a revitalização de áreas urbanas e garantirá investimentos de peso no país.
Qual é o retorno para o país depois do torneio? As estimativas sobre número de turistas, geração de empregos e impacto do evento sobre o PIB em geral são exageradas. Levantamentos dão conta de que em 1994 os EUA aumentaram em 1,4% o PIB; em 1998, na França, o PIB cresceu 1,3% a mais; em 2002, a Coréia o elevou em 3,1% enquanto o Japão teve decréscimo de 0,3%; e a Alemanha teve 1,7% a mais no PIB em 2006. Mas antes do Mundial da Alemanha, falou-se na criação de 100.000 empregos. Um estudo feito depois do evento contabilizou apenas metade desse total. A Coréia do Sul esperava 500.000 turistas a mais em 2002. Só apareceram 50% deles.

Prós e contras: Vale a pena sediar a Copa de 2014? (Planeta Sustentável)

SIM: Estima-se que o governo irá investir mais de 20 bilhões de reais em infraestrutura para receber a Copa de 2014. Somando os recursos diretos ou indiretos da iniciativa privada, o total deve chegar a 183 bilhões de reais. O dinheiro será distribuído em áreas como transportes, segurança e cultura, para que habitantes e turistas convivam em cidades mais confortáveis e funcionais.
O Brasil passará a ter 12 estádios modernos, equiparáveis aos melhores do mundo, com mais comodidade e segurança para os torcedores. Na Alemanha, após a Copa de 2006, a frequência média nos estádios subiu para 90% da lotação. E as arenas poderão atrair eventos como shows internacionais a estados como Mato Grosso, geralmente fora desse circuito.
Pelo menos 600 mil estrangeiros devem visitar o país, número que pode ser ainda maior considerando as facilidades que nossos vizinhos sul-americanos têm para entrar aqui. Além disso, o fluxo de turismo nacional deve mover mais de 3 milhões de brasileiros. Quanto mais turistas, mais dinheiro entra para os cofres públicos na forma de impostos.
A previsão é que mais de 700 mil postos de trabalho sejam gerados, cerca de 330 mil empregos permanentes. Já há programas de capacitação de profissionais para atuar em várias áreas, da construção civil à hotelaria. O aquecimento da economia deverá impactar nosso Produto Interno Bruto (PIB) até 2014. No ano da Copa, o evento deve gerar cerca de 2% das receitas nacionais.

NÃO: Temos um histórico de obras superfaturadas. A Vila do Pan-Americano do Rio, por exemplo, foi superfaturada em 1,8 milhão de reais, segundo relatório de 2009. Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), já foi acusado pelo Ministério Público de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. E ele também preside o Comitê Organizador da Copa de 2014.
Ocupando a 73ª posição mundial no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e com quase 10% da população analfabeta, o Brasil poderia usar os 20 bilhões de reais a ser investidos na Copa para solucionar demandas mais urgentes, em áreas como educação e saúde pública. Com esse montante, seria possível, por exemplo, construir mais de 400 hospitais-escolas.
Ainda há dúvidas sobre a capacidade do país de oferecer segurança aos turistas, aos atletas e à própria população. Os embates entre policiais e traficantes no Rio em novembro tiveram ampla repercussão negativa. Caso o país não seja capaz de garantir tempos de paz nas cidades-sedes, poderá queimar sua imagem no exterior e até perder o direito de realizar a Olimpíada de 2016.
O enorme fluxo turístico poderá provocar um caos aéreo. Segundo a Infraero, das obras em 13 aeroportos considerados estratégicos para a Copa, seis não estarão concluídas até lá. Embora a estatal garanta que será possível atender à demanda, um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, diz que voos atrasados ou cancelados poderão chegar a 43,9% em 2013.

11/9/01 - O DIA QUE MARCOU UMA DÉCADA

O evento que definiu o início do século 21 chega hoje ao seu décimo aniversário cercado de contradições. Das ruínas do World Trade Center e do Pentágono, atingidos por aviões comerciais e com quase 3.000 mortos, ergueram-se os anos de unilateralismo e militarismo que reafirmaram a condição dos EUA como superpotência -mas que lançaram as bases para a crise econômica e para a divisão política que ameaçam esse status.
Dez anos depois do 11/9, o mundo vê a China assumir maior protagonismo, embora sua interdependência com os EUA dificulte previsões definitivas sobre a decadência do Ocidente.
Osama bin Laden acabou morto, e sua rede Al Qaeda, bastante afetada, mas o terrorismo segue no horizonte e liberdades individuais foram enfraquecidas em nome do combate a ele.
Com estimados 225 mil mortos, as guerras no Afeganistão e no Iraque foram politicamente dadas como encerradas, mas, na prática, os conflitos seguem inconclusos.


Década turbulenta

(...) O mundo é outro, sem dúvida, e a importância dos atentados já seria inegável mesmo que só para expôr ao planeta -e revelar a si mesma- as impotências daquela que reivindicou para si o termo superpotência.
Mas o quanto dessas transformações nasceu ali, e o quanto delas foi apenas catalisado pela tragédia -essa conta, em dez anos, mudou.
"O 11 de Setembro transformou a política externa americana por uma década, e só agora a forma de os EUA lidarem com o mundo está voltando ao normal", diz Charles Kupchan, pesquisador do Council on Foreign Relations.
"Quando examinarmos esse período o veremos mais como uma aberração histórica do que uma transformação histórica", afirma Kupchan, que integrou o Conselho de Segurança Nacional no governo Bill Clinton.
A ascensão chinesa já estava lá, bem como o avanço da América Latina (seja a emergência do Brasil, ou a onda de governos de esquerda) e a perda de peso político da aliada Europa. Os EUA apenas demoraram a notá-los -vácuo hoje mais visto como acelerador, e não causador, do processo.(...)
Em dez anos, o que já se sabe ter sido afetado de forma duradoura é a maneira de os EUA se defenderem e tratarem suas vulnerabilidades. Essa mudança de visão afetou o país em algo que o define: as liberdades civis, antes um paradigma social, cultural e político americano, foram afrouxadas.
Analistas alertam que isso prevalecerá -mais do que a radicalização política que costuma ser atribuída às divisões acirradas na última década, mas surgida antes. O 11 de Setembro tornou os americanos mais lenientes ao atropelamento da Constituição pelo Executivo, à tortura, à supressão de direitos, à prisão sem acusação nem julgamento, a Guantánamo. (...)
A catástrofe econômica amplamente esperada como efeito imediato dos atentados de 11 de Setembro não aconteceu. Ao contrário, a primeira metade da década passada acabou marcada pela prosperidade econômica.
Mas seria ilusório achar que as economias americana e mundial sobreviveram incólumes ao ataque terrorista.Mais do que o evento em si, a reação das autoridades americanas aos ataques criou uma dinâmica de gastos públicos que contribui para a dificuldade que os Estados Unidos enfrentam em reativar sua economia desde a crise financeira de 2008.(...)
Segundo Eric Leeper, professor de Economia da Universidade de Indiana, o governo americano já desembolsou cerca de US$ 1 trilhão com despesas para aumentar seu aparato de segurança após 11 de Setembro. Já a Universidade Brown calcula em US$ 4 trilhões os gastos diretos e indiretos gerados pelas guerras no Afeganistão e no Iraque. Somados, os dois valores representam cerca de um terço do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, a maior economia do mundo. O elevado dispêndio com segurança é citado como uma das causas principais do rombo nas contas públicas do país.


Como o 11 de Setembro mudou a década

2011: EUA sofrem ataques terroristas
2002: Prisão de Guantánamo é aberta / Bomba mata 202 pessoas em casa noturna de Bali (Indonésia)
2003: EUA invadem o Iraque
2004: George W. Bush é reeleito presidente / Bomba explode em trem em Madri, matando 191 pessoas Saddam Hussein é capturado no Iraque
2005: Caricaturas de Maomé publicadas em jornal dinamarquês geram protestos / Charles de Menezes é morto pela polícia londrina após ser confundindo com terrorista
2006: Lei antiterrorismo autoriza prisões secretas, interrogatórios duros e tribunais militares para suspeitos de terrorismo
2007: Relatório revela que gastos militares no mundo chegaram a U$1,2 trilhão
2008: Jornalista iraquiano joga um par de sapatos contra Bush / Dez ataques em três dias em Mumbai (Índia) deixam 166 mortos / China se torna a maior credora dos títulos dos EUA, cuja dívida explode por causa das guerras
2009: Obama declara fim da guerra do Iraque
2010: Wikileaks divulga telegramas diplomáticos confidenciais dos EUA
2011: Osama Bin Laden é morto no Paquistão pela marinha americana / Bomba num aeroporto de Moscou deixa 35 mortos / Obama define meta de cortar em um terço as importações de petróleo nos próximos dez anos para frear dependência do Oriente Médio
Proposta de Redação

“ Dez anos depois dos brutais atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, a noção de que o episódio mudou o curso da história parece exagerada. Pelo uso de aviões sequestrados como arma, pelo simbolismo dos alvos atingidos e pelo número de assassinados -quase 3.000-, aquele dia se destaca na crônica de horrores do terrorismo. Mas não se pode sustentar que tenha acarretado mudanças duradouras no cenário mundial." (FSP- 11/9/11)

Se, durante a Guerra Fria, havia o medo de uma guerra atômica, agora os países mais avançados sofrem com o medo de atentados – destacando-se aí as restrições às liberdades individuais pela incerteza de se saber quem é, hoje, o inimigo claro.

Escreva um parágrafo apresentando seu ponto de vista sobre o assunto acima.