terça-feira, 28 de junho de 2011

A questão da legalização ou de alternativas para realmente se coibir o uso de drogas: assunto sempre presente na mídia. E aqui abre-se o debate!


PEGA LEVE

Há três anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se juntou a personalidades como os ex-presidentes César Gaviria, da Colômbia, e Ernesto Zedillo, do México, e aos escritores Paulo Coelho e Mario Vargas Lllosa na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia. Passou a defender a descriminalização do consumo de entorpecentes. E transformou sua "saga" no filme "Quebrando o Tabu", de Fernando Andrade, que estreia na sexta, 3. Visitou 18 cidades da América Latina, EUA e Europa, foi a bares que vendem maconha, viu pessoas se drogarem nas ruas.
Claramente, qual é a sua posição sobre as drogas?
Eu sou a favor da descriminalização de todas as drogas.
Cocaína, heroína?
Todas, todas. Uma droga leve, tomada todo dia, faz mal. E uma droga pesada, tomada eventualmente, faz menos mal. Essa distinção é enganosa. Agora, quando eu digo descriminalizar, eu defendo que o consumo não seja mais considerado um crime, que o usuário não passe mais pela polícia, pelo Judiciário e pela cadeia. Mas a sociedade pode manter penas que induzam a pessoa a sair das drogas, frequentando o hospital durante um período, por exemplo, ou fazendo trabalho comunitário. Descriminalizar não é despenalizar. Nem legalizar, dar o direito de se consumir drogas.
Os manifestantes da Marcha da Maconha, por exemplo, defendem a legalização, o direito de cada um fumar ou não o seu baseado.
Eles defendem não só a legalização, como dizem: "Não faz mal". Eu não digo isso, porque ela faz mal. Agora, não adianta botar o usuário na cadeia. Você vai condená-lo, estigmatizá-lo. E não resolve. O usuário contumaz é um doente. Precisa de tratamento e não de cadeia.
Legalizar aqui pode significar realmente você alastrar enormemente o uso de drogas, de uma maneira descontrolada. Na Holanda, eles não tentam levar ninguém ao tratamento. Na cultura brasileira, funcionaria mais o modelo adotado por Portugal. Eles descriminalizaram todas as drogas e deram imenso acesso ao tratamento. E como você não tem medo de ir para a cadeia, você procura o hospital. Eles fazem inclusive uma audiência de aconselhamento com o usuário. Portugal está hoje entre os países com a menor expansão do consumo de drogas na Europa Ocidental. Agora, eles combatem o tráfico.


Os críticos da descriminalização dizem que uma droga leva a outras mais pesadas.
Vamos falar sem hipocrisia: o acesso à maconha é fácil no Brasil. E o elo entre a droga leve e a droga pesada é o traficante. Se você não tem acesso regulado, vai para o traficante. E ele te leva da maconha para outras drogas.
E como seria esse acesso?
Em vários estados americanos, na Europa, há liberdade de produção em pequena quantidade, doméstica. Cada país tem que encontrar o seu caminho. Outra coisa: em alguns países da Europa, o governo fornece a droga para o dependente, para evitar o tráfico. Na Holanda, não é permitido se drogar na rua. Você tem locais específicos. Isso poderia acontecer no Brasil. Em SP, na cracolândia, o pessoal se droga na rua, à vontade. É melhor se drogar na rua ou ter um local específico? Isso não é liberar, é tratar como saúde pública.
Uma parte da sociedade vai ser sempre contra, mas não estamos defendendo coisas irresponsáveis. A droga faz mal, eu sou contra o uso da droga, tem que fazer campanha para reduzir o consumo. Agora, a guerra contra ela fracassou. Tá aumentando o consumo, tá tendo um resultado negativo, tá danificando as pessoas e a sociedade.
(Folha de S. Paulo – 29/5/11)


O debate das drogas



A discussão sobre a descriminalização das drogas e a legalização da maconha não é nova, mas ganha espaço. Isso decorre da percepção crescente de que a abordagem puramente repressiva do problema fracassou. Apesar de alguns juízes, que preferem ver apologia ao crime no direito à livre manifestação, o debate é saudável e mesmo necessário, porque a questão é bastante complexa.
"Descriminalizar" e "legalizar" são coisas distintas. Quando Fernando Henrique Cardoso defende a descriminalização das drogas -de todas-, quer dizer que o usuário não deve ser tratado como criminoso, mas como alguém a ser esclarecido e, eventualmente, medicado. Na entrevista a Mônica Bergamo, FHC lembrou o exemplo de Portugal: a descriminalização foi acompanhada por uma política de amplo acesso ao tratamento, sem, no entanto, que o governo abdicasse de combater o tráfico.Legalizar é diferente. Significa permitir a produção, a venda e o consumo daquela substância, mesmo que sob certas condições. Devemos sonhar, como na canção de Chico Buarque, com um mundo onde "maconha só se comprava na tabacaria, drogas, na drogaria"? Especialistas respeitáveis contrários à legalização argumentam que a facilitação do acesso fatalmente aumentaria o consumo. E citam o exemplo do alcoolismo. Transferir o problema da esfera criminal para a da saúde pública não é, pois, uma saída mágica, sem subprodutos negativos. O ganho estaria na ruptura do elo entre o baseado e o tráfico, talvez o maior fator de desagregação social e violência extrema nas grandes cidades.Há drogas mais ou menos nocivas, mas nenhuma deixa de fazer mal. À luz das experiências ruinosas da guerra ao tráfico, tendo a pensar que a descriminalização de todas elas e a legalização do uso regulado da maconha apontaria para uma maneira menos hipócrita, mais humana e a médio prazo mais eficaz de lidar com o problema.
FERNANDO DE BARROS E SILVA – Folha de S. Paulo – 21/5/11


Por unanimidade, STF aprova a realização da Marcha da Maconha

O STF (Supremo Tribunal Federal) liberou a realização da Marcha da Maconha, evento que reúne, em diversas cidades brasileiras, pessoas favoráveis à legalização da droga.
Por unanimidade, os ministros afirmaram que a Justiça brasileira não pode interpretar o artigo 287 do Código Penal, que criminaliza a apologia de "fato criminoso [o uso da droga] ou de autor de crime [o usuário]", para proibir a realização de eventos públicos que defendem a legalização ou regulamentação da maconha.
Segundo o tribunal, quem defende a descriminalização da maconha está exercendo os direitos à liberdade de reunião e expressão, previstos na Constituição Federal.
Em um longo voto, o relator do caso, ministro Celso de Mello, afirmou que a livre expressão e o exercício de reunião "são duas das mais importantes liberdades públicas". "A polícia não tem o direito de intervir em manifestações pacíficas. Apenas vigiá-las para até mesmo garantir sua realização. Longe dos abusos que têm sido impetrados, e os fatos são notórios, a Polícia deve adotar medidas de proteção", disse.
Ao defender a liberdade de expressão, o relator avaliou que a exposição de novas ideias podem ser "transformadoras, subversivas, mobilizadoras". "Ideias podem ser tão majestosas e sólidas, quanto são as mais belas catedrais. Ideias podem ser mais poderosas que a própria espada. E é por isso que as ideias são tão temidas pelos regimes de força".
(FELIPE SELIGMAN / NÁDIA GUERLENDA CABRAL – Folha de S. Paulo – 15/6/11)

Tema polêmico



AO DISCUTIR os problemas que dizem respeito a todos nós, não o faço por arrogância, mas para tentar entendê-los, suscitar a discussão ampla, já que os discuto comigo mesmo.
Um desses problemas são as drogas, que, a cada dia, se torna mais agudo, provocando debates e tentativas de solução os mais diversos e polêmica.
Vejo com apreensão pessoas e instituições responsáveis defenderem a descriminação dessas drogas, de todas ou das chamadas drogas leves, como a maconha. A experiência que tenho -eu e muita gente- indica que a droga leve é, quase sempre, a etapa inicial que conduz às drogas pesadas.
Os defensores da descriminação usam de um argumento que considero sofismático: alegam que defendem o fim da repressão ao tráfico de drogas porque a experiência demonstrou sua inoperância, isto é, a repressão não impediu o crescimento do tráfico e o aumento do consumo de drogas.
Veja bem: o aparelho judicial e a polícia foram criados para reprimir o crime e defender a sociedade; não obstante, após séculos de existência, não conseguiram acabar com a criminalidade que, pelo contrário, cresceu. Devemos, por isso, não mais prender e punir os criminosos? Claro que não. Não há como extinguir definitivamente a criminalidade, mas deixar de combatê-la é a pior das opções. Ninguém, em sã consciência, defenderá essa tese.
Do mesmo modo, acabar com a repressão ao tráfico e ao consumo de drogas seria render-se aos criminosos e entregar as pessoas (particularmente os jovens) a consequências desastrosas. Basta pensar: que autoridade teria um pai de família para aconselhar o filho a não consumir drogas, se o próprio governo as legalizar e as permitir?
Quando, pela primeira vez, ouvi falar da necessidade de descriminar as drogas, lembrei-me de que a cocaína não é produzida aqui, vem de países vizinhos, onde seu uso é proibido. Como vender legalmente uma mercadoria que entrou ilegalmente no país? A opção inevitável será, sem dúvida, o plantio, no Brasil, da coca, em larga escala. Deixaríamos de plantar feijão e arroz para cultivar um produto bem mais lucrativo.
Talvez por isso, passou-se a falar na legalização mundial das drogas. Essa gente delira, mesmo sem cheirar cocaína. Alguém acredita que Fernandinho Beira-Mar, que ganha milhões de reais com a venda ilegal de drogas, vai passar a pagar Imposto de Renda e ICMS? Ignoram que alguns dos maiores contrabandos que existem no Brasil são de pedras preciosas e de cigarros, que não têm sua comercialização proibida.
Mas há outro ponto também discutível, que é legalizar o consumo de drogas. Acreditam que o consumidor é um doente, que deve ser tratado e não castigado.
Será verdade que todo consumidor de drogas é um doente? Aposto que não. Os maiores consumidores de cocaína e drogas sintéticas não são viciados patológicos e, sim, consumidores que utilizam as drogas socialmente.
Não há o cara que bebe socialmente e não é alcoólatra? Assim como a maioria dos que consumem bebidas alcoólicas não é constituída de alcoólatras, há muita gente que ganha bem, goza de prestígio social como empresário ou artista, e consome maconha, cocaína, ecstasy, promove festas para, divertidamente, drogar-se, ele e sua patota. Compra drogas de vendedores qualificados, que não precisam subir o morro. Alguém acredita que os milhões de reais que as drogas rendem ao tráfico saem do bolso dos favelados ou do garotão viciado, filhinho de papai, que paga o traficante roubando da família?
A legalização do consumo de drogas só servirá para estimular um número maior de pessoas, socialmente bem situadas, a se tornarem alegres consumidores delas. Oferecer tratamento ao viciado está certo, mas como, se a nova política de saúde -a tal "psiquiatria democrática"- não possibilita internações?
E pense nisto: o tráfico sobreviveria se, de repente, ninguém mais usasse drogas? Um exemplo hipotético: se as pessoas deixassem de consumir carne, a produção e o comércio de carne sobreviveriam? Todos sabemos que nenhuma mercadoria subsiste sem comprador.
É um contrassenso, portanto, pretender acabar com o tráfico de drogas liberando o consumo. Essa liberação, sem dúvida alguma, multiplicaria por milhões o número de consumidores e fortaleceria ainda mais o tráfico.

( FERREIRA GULLAR – Folha de S. Paulo - 29/11/09 )

A guerra às drogas é uma guerra contra pessoas

A “guerra às drogas” fracassou. A resposta militar e penal ao problema do uso de algumas drogas não incide sobre o consumo nem ajuda no tratamento do abuso no uso de psicoativos. Além de tudo, traz consigo uma série de outros gravíssimos problemas: violência do crime e do Estado, corrupção, criminalização da pobreza. Assim, abre-se cada vez mais a disputa por alternativas a esse falido modelo, que criminaliza uma conduta – posse de certas drogas – e, portanto pessoas..
O sucesso das políticas europeias pautadas por estratégias de redução de danos levou a que diversos países começassem a reformar suas políticas de criminalização das drogas. Portugal, Espanha e Itália não criminalizam posse de drogas para consumo pessoal, solução seguida em 2009 também por México, Argentina e República Tcheca. No Brasil, o debate lentamente tem ganhado maior repercussão, inclusive com a presença de figuras conservadoras defendendo outra maneira de lidar com a questão.
Segundo Cristiano Maronna, advogado e membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (Ibccrim), houve “grande avanço” na penetração deste debate na sociedade nos últimos anos, “na medida em que hoje se discute mais ou menos abertamente a necessidade de mudar o rumo da política de drogas”. “Há ainda muita resistência, o discurso alarmista e catastrofista ainda intoxica a discussão”, salienta Maronna, “mas é inegável que hoje a informação é mais abundante. Há mais espaço para a busca de alternativas fora da proibição.
( Júlio Delmanto. Caros Amigos, n. 158, maio de 2010)


Legalizar as drogas não é a solução



É de conhecimento geral que a proibição de drogas ilícitas vem alimentando o narcotráfico no Brasil, gerando, assim, milhares de mortes todo ano nos conflitos entre polícia e traficantes. Entretanto, seria um atraso para a sociedade considerar a legalização das drogas como solução aos problemas da violência nos centros urbanos, visto que essa medida poderá acarretar riscos à segurança e saúde pública.


É inegável o fato de que a liberação das drogas faria surgir novos usuários, principalmente os mais jovens, que se veriam livres para experimentar tais substâncias. Sendo assim, é de certo modo, contraditória a legalização do uso de drogas - causadoras de doenças crônicas - uma vez que o governo investe em programas de combate a mesma. O principal argumento dos favoráveis à legalização é que, com isso, ocorreria uma diminuição considerável dos níveis de violência. Porém, visto que a sociedade sofre com os acidentes e a violência causados pelo consumo de bebidas alcoólicas, os riscos aumentariam drasticamente com os efeitos do uso das drogas, sobretudo as mais pesadas, como o crack.
Desse modo, o governo não pode resolver os problemas da sociedade substituindo-os por outros. Portanto, o que o Brasil precisa com mais urgência é o aperfeiçoamento de programas de combate às drogas - conscientizando a população de seus efeitos - e, principalmente, uma maior assistência aos usuários e ex-usuários, assim como às suas famílias.

"A maioria dos que usam maconha justifica seu uso dizendo que ela faz menos mal que álcool e cigarro. Não há por que fazer comparações, saber qual é a pior ou a menos má. O casamento com a maconha é sempre destrutivo. A droga tem uma substância química chamada ácido delta-9-tetraidrocanabinol (THC), que lentamente mina as capacidades intelectuais: compromete a atenção, a concentração e a memória. Produz uma apatia que não é própria da adolescência. O jovem prefere ficar sozinho a estar com amigos não-usuários. Mas o usuário vive se iludindo em dizer "que fuma porque quer e pára quando quiser."[Içami Tiba, psiquiatra, terapeuta e escritor, no livro "Juventude e Drogas: Anjos Caídos". São Paulo: Integrare, 2007].


"Vigora no país uma lei que vale só para alguns.(...). Se você é pobre e é pego com maconha, vai preso. Se é rico, é possível que a polícia nem o incomode, para evitar problemas - vai que você é filho de alguém importante. Ou, quem sabe, um subornozinho livre sua cara. Se você é grande traficante, fique sossegado. Se é pequeno traficante, ai, ai, ai. Se o delegado está de bom humor, você é usuário; se está de mau humor, é traficante - tão vaga é a tipificação dos crimes. E, se você quiser discutir o assunto a sério, é acusado de incitar um crime. Em resumo, a lei, do jeito que está, não funciona.[Soninha Francine, depois de sua demissão da TV Cultura, em 2001, por ter assumido que fumava maconha]


"Desde primeiro de julho de 2008, é proibido fumar cigarros em bares, cafés e restaurantes. Quer dizer, fumar cigarro comum, de tabaco. Consumir maconha e haxixe continua podendo. (...) As drogas são vendidas e consumidas na quantidade máxima de 5 gramas por pessoa, nos cerca de 750 cafés da Holanda (metade em Amsterdã). Esses estabelecimentos são beneficiados pela chamada gedoogbeleid, a política de tolerância do Ministério da Justiça em relação às chamadas drogas leves. [Revista VEJA. Edição de 9/7/2008]


“No Estado e na cidade de São Paulo, há um conjunto de ações que principiam a mostrar caminhos concretos para uma implantação de políticas públicas sobre drogas.Isso inclui a ampliação de ambulatórios especializados, leitos para tratamento de casos mais graves, empresas públicas com programas de prevenção e tratamento, medidas para reduzir o tabagismo, repressão ao tráfico, ações como o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) e o departamento de prevenção do Denarc e ações integradas no centro de São Paulo com os moradores em situação de rua. Vale lembrar que a questão das drogas é um problema de todos nós, e não somente de um setor da sociedade; além disso, a busca e a execução dos atos resolutivos será conseguida tratando o problema como multifacetado que ele é!Vamos aplicar o já sabido, buscar novas alternativas de conduta, repetir modelos já testados e aprovados, mas sempre com abertura de diálogo sereno, respeitoso e que busque o consenso da sociedade.”
( LUIZ ALBERTO CHAVES DE OLIVEIRA é coordenador de Políticas sobre Drogas do Estado de São Paulo. ELOISA DE SOUSA ARRUDA é secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de SP.)


Maconha: hora de legalizar?

Fumar maconha em casa e na rua deveria ser legal? Legal no sentido de lícito e aceito socialmente, como álcool e tabaco? O debate sobre a legalização do uso pessoal da maconha não é novo. Mas mudaram seus defensores. Agora, não são hippies nem pop stars. São três ex-presidentes latino-americanos, de cabelos brancos e ex-professores universitários, que encabeçam uma comissão de 17 especialistas e personalidades: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, de 77 anos, e os economistas César Gaviria, da Colômbia, de 61 anos, e Ernesto Zedillo, do México, de 57 anos. Eles propõem que a política mundial de drogas seja revista. Começando pela maconha. Fumada em cigarros, conhecidos como “baseados”, ou inalada com cachimbos ou narguilés, a maconha é um entorpecente produzido a partir das plantas da espécie Cannabis sativa, cuja substância psicoativa – aquela que, na gíria, “dá barato” – se chama cientificamente tetraidrocanabinol, ou THC.
Na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, reunida na semana passada no Rio de Janeiro, ninguém exalta as virtudes da erva, a não ser suas propriedades terapêuticas para uso medicinal. Os danos à saúde são reconhecidos. As conclusões da comissão seguem a lógica fria dos números e do mercado. Gastam-se bilhões de dólares por ano, mata-se, prende-se, mas o tráfico se sofistica, cria poderes paralelos e se infiltra na polícia e na política. O consumo aumenta em todas as classes sociais. Desde 1998, quando a ONU levantou sua bandeira de “um mundo livre de drogas” – hoje considerada ingenuidade ou equívoco –, mais que triplicou o consumo de maconha e cocaína na América Latina.
Em março, uma reunião ministerial na Áustria discutirá a política de combate às drogas na última década. Espera-se que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, modifique a posição conservadora histórica dos Estados Unidos. A questão racial pode influir, já que, na população carcerária americana, há seis vezes mais negros que brancos. Os EUA gastam US$ 35 bilhões por ano na repressão e, em pouco mais de 30 anos, o número de presos por envolvimento com drogas decuplicou: de 50 mil, passou a meio milhão. A cada quatro prisões no país, uma tem relação com drogas. No site da Casa Branca, Obama se dispõe a apoiar a distribuição gratuita de seringas para proteger os viciados de contaminação por aids. Alguns países já adotam essa política de “redução de danos”, mas, para os EUA, o cumprimento dessa promessa da campanha eleitoral representa uma mudança significativa.
A Colômbia, sede de cartéis do narcotráfico, foi nos últimos anos um laboratório da política de repressão. O ex-presidente Gaviria afirmou, no Rio, que seu país fez de tudo, tentou tudo, até violou direitos humanos na busca de acabar com o tráfico. Mesmo com a extradição ou o extermínio de poderosos chefões, mesmo com o investimento de US$ 6 bilhões dos Estados Unidos no Plano Colômbia, a área de cultivo de coca na região andina permanece com 200 mil hectares. “Não houve efeito no tráfico para os EUA”, diz Gaviria.
Há 200 milhões de usuários regulares de drogas no mundo. Desses, 160 milhões fumam maconha. A erva é antiga – seus registros na China datam de 2723 a.C. –, mas apenas em 1960 a ONU recomendou sua proibição em todo o mundo. O mercado global de drogas ilegais é estimado em US$ 322 bilhões. Está nas mãos de cartéis ou de quadrilhas de bandidos. Outras drogas, como o tabaco e o álcool, matam bem mais que a maconha, mas são lícitas. Seus fabricantes pagam impostos altíssimos. O comércio é regulado e controla-se a qualidade. Crescem entre estudiosos duas convicções. Primeira: fracassou a política de proibição e repressão policial às drogas. Segunda: somente a autorregulação, com base em prevenção e campanhas de saúde pública, pode reduzir o consumo de substâncias que alteram a consciência. Liderada pelos ex-presidentes, a comissão defende a descriminalização do uso pessoal da maconha em todos os países. “Temos de começar por algum lugar”, diz FHC. “A maconha, além de ser a droga menos danosa ao organismo, é a mais consumida. Seria leviano incluir drogas mais pesadas, como a cocaína, nessa proposta(Revista Época – fevereiro de 2009)

domingo, 6 de junho de 2010

Tecnologia e privacidade

"Vivemos a era da exposição e do compartilhamento. Público e privado começam a se confundir. A ideia de privacidade vai mudar ou desaparecer." (Revista Época)
Redija uma dissertação fazendo uma análise crítica da relação entre tecnologia e privacidade.

Pressa: a face mais evidente da sociedade atual

" A rapidez, que é uma virtude, gera um vício, que é a pressa."
(Gregório Marañon, médico e intelectual espanhol)
Após refletir sobre a ideia contida no fragmento acima, redija uma dissertação expondo seu ponto de vista sobre a pressa que vem caracterizando a sociedade contemporânea.

Exercícios sobre figuras de linguagem

01. (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:

a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese

RESPOSTA: E

02. (PUC - SP) Nos trechos: "O pavão é um arco-íris de plumas" e "...de tudo que ele suscita e
esplende e estremece e delira..." enquanto procedimento estilístico, temos, respectivamente:

a) metáfora e polissíndeto;
b) comparação e repetição;
c) metonímia e aliteração;
d) hipérbole e metáfora;
e) anáfora e metáfora.

RESPOSTA: A

03. (PUC - SP) Nos trechos: "...nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá
faltava nas estantes do major" e "...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e
deseja" encontramos, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:

a) prosopopéia e hipérbole;
b) hipérbole e metonímia;
c) perífrase e hipérbole;
d) metonímia e eufemismo;
e) metonímia e prosopopéia.

RESPOSTA: E

04. (VUNESP) Na frase: "O pessoal estão exagerando, me disse ontem um camelô", encontramos a
figura de linguagem chamada:

a) silepse de pessoa
b) elipse
c) anacoluto
d) hipérbole
e) silepse de número

RESPOSTA: E

05. (ITA) Em qual das opções há erro de identificação das figuras?

a) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono." (eufemismo)
b) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece. (prosopopéia)
c) Já não são tão freqüentes os passeios noturnos na violenta Rio de Janeiro. (silepse de número)
d) "E fria, fluente, frouxa claridade / Flutua..." (aliteração)
e) "Oh sonora audição colorida do aroma." (sinestesia)

RESPOSTA: C

06. (UM - SP) Indique a alternativa em que haja uma concordância realizada por silepse:

a) Os irmãos de Teresa, os pais de Júlio e nós, habitantes desta pacata região, precisaremos de muita
força para sobreviver.
b) Poderão existir inúmeros problemas conosco devido às opiniões dadas neste relatório.
c) Os adultos somos bem mais prudentes que os jovens no combate às dificuldades.
d) Dar-lhe-emos novas oportunidades de trabalho para que você obtenha resultados mais
satisfatórios.
e) Haveremos de conseguir os medicamentos necessários para a cura desse vírus insubordinável a
qualquer tratamento.

RESPOSTA: C

07. (FEI) Assinalar a alternativa correta, correspondente à figuras de linguagem, presentes nos fragmentos
abaixo:

I. "Não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste."
II. "A moral legisla para o homem; o direito para o cidadão."
III. "A maioria concordava nos pontos essenciais; nos pormenores porém, discordavam."
IV. "Isaac a vinte passos, divisando o vulto de um, pára, ergues a mão em viseira, firma os olhos."

a) anacoluto, hipérbato, hipálage, pleonasmo;
b) hipérbato, zeugma, silepse, assíndeto;
c) anáfora, polissíndeto, elipse, hipérbato;
d) pleonasmo, anacoluto, catacrese, eufemismo;
e) hipálage, silepse, polissíndeto, zeugma.

RESPOSTA: B

08. (FEBA - SP) Assinale a alternativa em que ocorre aliteração:

a) "Água de fonte .......... água de oceano ............. água de pranto. (Manuel Bandeira)
b) "A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia." (Chico Buarque)
c) "Ouço o tique-taque do relógio: apresso-me então." (Clarice Lispector)
d) "Minha vida é uma colcha de retalhos, todos da mesma cor." (Mário Quintana)
e) N.d.a.

RESPOSTA: B

09. (CESGRANRIO) Na frase "O fio da idéia cresceu, engrossou e partiu-se" ocorre processo de
gradação. Não há gradação em:

a) O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.
b) O avião decolou, ganhou altura e caiu.
c) O balão inflou, começou a subir e apagou.
d) A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.
e) João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.

RESPOSTA: E

10. (FATEC) "Seus óculos eram imperiosos." Assinale a alternativa em que aparece a mesma figura de
linguagem que há na frase acima:

a) "As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes."
b) "Nasci na sala do 3° ano."
c) "O bonde passa cheio de pernas."
d) "O meu amor, paralisado, pula."
e) "Não serei o poeta de um mundo caduco."

RESPOSTA: C

Fonte: www.coladaweb.com.br

terça-feira, 18 de maio de 2010

Futebol: paixão nacional

"Quem negará ao futebol esse condão da catarse circense com que os velhos sabidos de Roma lambuzavam o pão triste das massas?" (Oswald de Andrade)
Você concorda com a afirmação de que o futebol é o ópio do povo? Escreva uma dissertação defendendo seu pontos de vista.

Diferenças culturais: como devem ser encaradas?

Um homem colocava flores no túmulo de um parente, quando viu um chinês depositando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele se voltou para o chinês e perguntou?
_Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
O chinês respondeu:
_ Sim, e geralmente na mesma hora em que o seu vem cheirar as flores!

Após refletir sobre esta ideia, redija uma dissertação.

Datas redondas de 2010

* 50 anos de Brasília
* 20 anos do fim do Apartheid e do início da Guerra do Golfo
* 20 anos de reunificação da Alemanha
* 25 anos da eleição de Tancredo Neves
* 100 anos de Rachel de Queiroz
* 90 anos de João Cabral de Melo Neto
* 60 anos do Maracanã
* 40 anos da conquista do tricampeonato mundial de futebol
* 20 anos do Projeto Genoma Humano
* 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente

terça-feira, 4 de maio de 2010

50 anos de Brasília

Inaugurada em 21 de abril de 1960, depois de mil dias de construção, Brasília chega aos 50 anos como um respeitável senhora, tombada pela Organização das Nações Unidas para a Educação. a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

“Você pode não gostar, mas não pode dizer que já viu algo igual.” (Oscar Niemeyer)

1) Que estado foi escolhido para sediar a capital do país e qual é o clima e a vegetação predominante na capital federal?
a) Mato Grosso, semi-árido e caatinga
b) Goiás, tropical(semi-seco) e cerrado
c) Tocantins, temperado e cerrado

2) Projetada para chegar a 500.000 habitantes em 2000, a população do Distrito Federal já havia ultrapassado a marca de 2,6 milhões em 2009, segundo dados do IBGE. Qual a razão de isto ter ocorrido?
a) A cidade é a terceira mais rica do país
b) Houve inchaço das cidades-satélite
c) Alta taxa de imigração

3) Para uma cidade que não tem nenhuma indústria, de onde vem sua riqueza?
a) do turismo b) da administração pública c) da corrupção

4) A proposta de se transferir a capital do país para o Centro-Oeste data de 1823, a partir de sugestão de José Bonifácio de Andrade e Silva, o “Patriarca da Independência”, que também sugeriu o nome “Brasília”. Que outras cidades, respectivamente, ocuparam posto de capital do Brasil?
a) São Paulo e Rio de Janeiro
b) Rio de Janeiro e Ouro Preto
c) Salvador e Rio de Janeiro

5) Dentre as razões para a transferência da capital para o interior, oficialmente não constava:
a) Evitar invasões estrangeiras no Brasil a partir do litoral;
b) Povoar o interior;
c) Afastar os governantes das pressões e manifestações populares

6) Em 1955, em um comício na pequena cidade de Tajaí/GO, respondendo a uma pergunta de um eleitor, que político fez a promessa de que, se eleito, cumpriria o artigo da Constituição que previa a construção da nova capital no Planalto Central do país e qual o nome de seu ambicioso plano de metas, do qual fazia parte Brasília?
a) João Goulart - “Rumo ao interior”
b) Juscelino Kubitschek - “Cinquenta anos em cinco”
c) Jânio Quadros - “Plano Piloto”

7) Em 1957, um concurso público foi aberto a engenheiros, arquitetos e urbanistas para definir o “rosto” da nova capital federal. O projeto urbanístico vencedor, entre 41 concorrentes, e que só foi entregue faltando dez minutos para o término do prazo, foi criado por quem? E quem foi o autor dos principais desenhos arquitetônicos de Brasília?
a) Lúcio Costa - Oscar Niemeyer
b) Oscar Niemeyer – Lúcio Costa
c) Lúcio Costa - Burle Marx

8) O deputado Israel Pinheiro foi um dos principais responsáveis pela condução da construção de Brasília ao presidir o órgão responsável pela criação da nova capital federal, chamado:
a) Ministério do Interior b) Novacap c) Secretaria de Obras do DF

9) Dentre os “construtores” de Brasília, só está vivo neste cinquentenário:
a) Lúcio Costa b) Oscar Niemeyer c) Burle Marx

10) Fazem parte das construções brasilienses deste centenário arquiteto, exceto:
a) Congresso Nacional e Palácio da Justiça
b) Oca e Palácio da Alvorada
c) Palácio do Planalto e Catedral Metropolitana (inaugurada 10 anos depois de Brasília)

11) Qual localidade não está corretamente identificada com o que ali acontece?
a) Palácio do Planalto – onde o presidente trabalha
b) Congresso Nacional – abrange a Câmara dos Deputados e o Senado
c) Palácio do Alvorada – onde atuam os Ministros do Supremo Tribunal Federal

12) Como cidade planejada, Brasília foi desenvolvida a partir de dois eixos que se cruzam em ângulo reto, como numa cruz. Compõem este cenário, exceto:
a) Lagos Norte e Sul e cidades-satélite (entre elas, a mais importante Taguatinga)
b) Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes
c) Superquadras residenciais e lago Paranoá (projetado para aumentar a umidade do ar e amenizar o clima seco da região)

13) A construção de Brasília durou três anos e meio. Os operários que a ergueram vieram especialmente do nordeste, analfabetos e sem experiência em canteiro de obras, mas com a esperança de enriquecer e ocupar altos cargos na sociedade. Na época, ganharam um apelido, que passou a designar também as pessoas que nascem na cidade:
a)Brasilienses b) Candangos c) Fandangos

14) Em Brasília, na Praça dos Três Poderes, situa-se a sede de cada poder do país. Qual a associação correta acerca deste tema?
1) Poder Executivo
2) Poder Legislativo
3) Poder Judiciário


(a) determina e assegura a aplicação das leis
(b) governa o povo e administra os interesses públicos
(c) representa o povo, elabora leis, fiscaliza o Executivo

(A) representado em Brasília pelo Presidente da República
(B) representado em Brasília pelo Supremo Tribunal Federal
(C) representado em Brasília pelos Deputados Federais e Senadores

a) 1, a, A b) 2, c, C c) 3, b, B

15) Em dinheiro de hoje em dia, quanto custou Brasília, em dólares?
a) 14 bilhões b) 50 bilhões c) 83 bilhões


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Uso do dinheiro público

"Há muitas pessoas que pensam que Dinheiro Público é dinheiro do governo. Como também há agentes políticos e públicos que pensam que podem gastá-lo à vontade.
O DINHEIRO PÚBLICO vem dos impostos que você paga, desde o momento em que você acorda. Quando acende a luz, escova os dentes, toma o café da manhã, você já está pagando imposto. No preço da roupa que você veste, na passagem do ônibus que utiliza, estão incluídos impostos. Ao assistir à TV ou ao tomar banho, você está pagando impostos. Por exemplo, na conta de luz, paga-se cerca de 36% só de impostos. Os impostos encarecem tudo que compramos.
Todos os impostos somados formam o chamado DINHEIRO PÚBLICO. E o DINHEIRO PÚBLICO deveria voltar para a população na forma de saúde de boa qualidade, educação exemplar, segurança confiável, ruas bem calçadas.
É esse DINHEIRO PÚBLICO que paga os salários de todos os políticos eleitos, dos funcionários públicos. Paga as viagens dos políticos. É errado pensar que o DINHEIRO PÚBLICO é do Governo, é da Prefeitura ou é da Câmara. Ele é do povo. É fruto do trabalho de todos que pagam impostos.
Se não houvesse obras e serviços mal feitos, desperdícios por mau uso e desvios por corrupção, certamente, não haveria necessidade de tanto DINHEIRO PÚBLICO. Os produtos e serviços custariam menos. E sobraria mais dinheiro para o sustento da sua família."

“A democracia tem que sair do ponto de vista formal de mero voto nas urnas e avançar para participação do cidadão nas decisões que vão sendo tomadas. O governo não gera recursos, recolhe da população. Então, é um direito saber onde o dinheiro está sendo aplicado.”

“Quando os quase 200 milhões de brasileiros tiverem a plena consciência de que, em cada centavo gasto pelo Governo, uma parte veio de seu próprio trabalho, haverá maior preocupação em saber como o dinheiro arrecadado com impostos é usado.”
Após a reflexão sobre este texto, elabore uma dissertação.

Paisagem condicionada à ação do homem

"Onde estão os meus verdes?
Os meus azuis?
O Arranha-Céu comeu!
(...)
Defronte
À janela onde trabalho
Há uma grande árvore...
Mas já estão gestando um monstro de permeio!"
Com base nos versos acima, escreva uma dissertação sobre o tema que você depreendeu.