(Fonte:IstoÉ - 7/mar/2012)
domingo, 11 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
História do Dia Internacional da Mulher
No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Objetivo da Data
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.
Conquistas das Mulheres Brasileiras
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo
(Fonte: Sua Pesquisa)
quinta-feira, 8 de março de 2012
Semana 2: Processo de Formação das Palavras
São estes os processos de formação de palavras em Língua Portuguesa:
Derivação
Ocorre quando se cria um vocábulo a partir de apenas uma palavra ou radical, por anexação, supressão ou mesmo pela simples alteração de sua classe. Assim, temos:
a) Derivação prefixal: o afixo é anteposto à base: amoral, prever, desordem, refazer.
b) Derivação sufixal: o afixo é posposto à base: capitalista, servente, gostoso, realizar, docemente.
c) Derivação prefixal e sufixal: há o emprego de prefixo e sufixo, embora não simultaneamente, pois existe a palavra derivada apenas com o prefixo ou apenas com o sufixo: infelizmente, deslealdade, desordenadamente.
d) Derivação parassintética: o prefixo e o sufixo são empregados simultaneamente, gerando a palavra nova com o emprego obrigatório dos dois: anoitecer (não é possível retirar o prefixo: não existe "noitecer"), entardecer, embarcar.e) Derivação regressiva: o produto final é um substantivo abstrato formado pela supressão de elementos mórficos de determinados verbos: amparo (amparar), combate (combater), pouso (pousar).
b) Derivação sufixal: o afixo é posposto à base: capitalista, servente, gostoso, realizar, docemente.
c) Derivação prefixal e sufixal: há o emprego de prefixo e sufixo, embora não simultaneamente, pois existe a palavra derivada apenas com o prefixo ou apenas com o sufixo: infelizmente, deslealdade, desordenadamente.
d) Derivação parassintética: o prefixo e o sufixo são empregados simultaneamente, gerando a palavra nova com o emprego obrigatório dos dois: anoitecer (não é possível retirar o prefixo: não existe "noitecer"), entardecer, embarcar.e) Derivação regressiva: o produto final é um substantivo abstrato formado pela supressão de elementos mórficos de determinados verbos: amparo (amparar), combate (combater), pouso (pousar).
f) Derivação imprópria: não ocorrem acréscimos nem supressões, apenas uma mudança proposital da classe a que a palavra primitiva pertencia:
- O anoitecer no sertão é deslumbrante. - verbo transformado em substantivo.
-"O beijo da mulher aranha" está em cartaz. - substantivo transformadoem adjetivo.
-Ninguém gosta de ouvir um não. - advérbio transformado em substantivo.
- O anoitecer no sertão é deslumbrante. - verbo transformado em substantivo.
-"O beijo da mulher aranha" está em cartaz. - substantivo transformado
-Ninguém
Composição
Acontece quando se cria uma palavra a partir de duas ou mais palavras ou radicais já existentes, dando ao produto um sentido novo. Assim, temos:
a) Justaposição - não ocorre alteração fonética, reconhecendo-se os elementos formadores em sua integralidade: passatempo, malmequer, amor-perfeito, pé-de-moleque, girassol.
b) Aglutinação - as palavras ou radicais que vão entrar na composição sofreram, previamente, alterações fonéticas: pernilongo, aguardente, planalto.
(Fonte:UOL)
Exercícios
1.Que item contém somente palavras formadas por justaposição?
a) desagradável - complemente
b) vaga-lume - pé-de-cabra
c) encruzilhada - estremeceu
d) supersticiosa - valiosas
e) desatarraxou - estremeceu
2. (EPCAR) Numere as palavras da primeira coluna conforme os processos de formação numerados à direita. Em seguida, marque a alternativa que corresponde à sequência numérica encontrada:
( ) aguardente 1) justaposição
( ) casamento 2) aglutinação
( ) portuário 3) parassíntese
( ) pontapé 4) derivação sufixal
( ) os contras 5) derivação imprópria
( ) submarino 6) derivação prefixal
( ) hipótese
a) 1, 4, 3, 2, 5, 6, 1 d) 2, 3, 4, 1, 5, 3, 6
b) 4, 1, 4, 1, 5, 3, 6 e) 2, 4, 4, 1, 5, 3, 6
c) 1, 4, 4, 1, 5, 6, 6
3. Assinale a série de palavras em que todas são formadas por parassíntese:
a) acorrentar, esburacar, despedaçar, amanhecer
b) solução, passional, corrupção, visionário
c) enrijecer, deslealdade, tortura, vidente
d) biografia, macróbio, bibliografia, asteróide
e) acromatismo, hidrogênio, litografar, idiotismo
4. (FUVEST) Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada por prefixação:
a) readquirir, predestinado, propor b) irregular, amoral, demover
c) remeter, conter, antegozar
d) irrestrito, antípoda, prever
e) dever, deter, antever
e) dever, deter, antever
5. (UFMG) Em todas as frases, o termo grifado exemplifica corretamente o processo de formação de palavras indicado, exceto em:
a) derivação parassintética - Onde se viu perversidade semelhante?
b) derivação prefixal - Não senhor, não procedi nem percorri.
c) derivação regressiva - Preciso falar-lhe amanhã, sem falta.
d) derivação sufixal - As moças me achavam maçador, evidentemente.
e) derivação imprópria - Minava um apetite surdo pelo jantar.
6. (UFSC) Aponte a alternativa cujas palavras são respectivamente formadas por justaposição, aglutinação e parassíntese:
a) varapau - girassol - enfaixar
b) pontapé - anoitecer - ajoelhar
c) maldizer - petróleo - embora
d) vaivém - pontiagudo - enfurecer
e) penugem - plenilúdio - despedaçar
7. (UNESP) Em "... gordos irlandeses de rosto vermelho..." e "... deixa entrever o princípio de uma tatuagem.", os termos grifados são formados, respectivamente, a partir de processos de:
a) derivação prefixal e derivação sufixal
b) composição por aglutinação e derivação prefixal
c) derivação sufixal e composição por justaposição
d) derivação sufixal e derivação prefixal
e) derivação parassintética e derivação sufixal
8. (PUC) Assinale a classificação errada do processo de formação indicado:
a) o porquê - conversão ou derivação imprópria
b) desleal - derivação prefixal
c) impedimento - derivação parassintética
d) anoitecer - derivação parassintética
e) borboleta - primitivo
9. (FUVEST) As palavras adivinhar , adivinho e adivinhação têm a mesma raiz, por isso são cognatas. Assinalar a alternativa em que não ocorrem três cognatos:
a) alguém , algo , algum
b) ler, leitura, leitor
c) ensinar , ensino, ensinamento
d) candura , cândido , incandescência
e) viver , vida , vidente
10. (MACKENZIE) As palavras entardecer, desprestígio e oneroso, são formadas, respectivamente, por:
a) prefixação, sufixação e parassíntese
b) sufixação, prefixação e parassíntese
c) parassíntese, sufixação e prefixação
d) sufixação, parassíntese e prefixação
e) parassíntese, prefixação e sufixação
Gabarito:
1) b
2) e
3) a
4) e
5) a
6) d
7) d
8) c
9) e
10) e
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Libertinagem (Manuel Bandeira)
NÃO SEI DANÇAR
UNS TOMAM ÉTER, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugelê banzai!
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral,
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!
(Petrópolis, 1925)
O ANJO DA GUARDA
QUANDO MINHA IRMÃ morreu,
(Devia ter sido assim)
Um anjo moreno, violento e bom,
- brasileiro
Veio ficar ao pé de mim,
o meu anjo da guarda sorriu
E voltou para junto do Senhor,
MULHERES
COMO AS MULHERES são lindas!
Inútil pensar que é do vestido...
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas,
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas...
És linda como uma história da carochinha...
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro
atrás de casa e tinham cara de pau).
PENSÃO FAMILIAR
JARDIM da pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos,
O sol acaba de crestar os gosmilbos que murcharam.
Os girassóis
amarelo!
resistem.
E as dálias, rechonchudas, plebéias, dominicais,
Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.
(Petrópolis, 1925)
CAMELÔS
ABENÇOADO SEJA o camelô dos brinquedos de tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam box
a perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma
Alegria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos:
- "O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho,
[vai buscar um pedaço de banana para eu
[acender o charuto. Naturalmente o menino
pensará: Papai está malu..."
Outros, coitados, têm a língua atada
Todos porém sabem mexer nos cordéis como o tino ingênuo de demiurgos de inutilidades.
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heróicos da meninice...
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes uma lição de infância.
O CACTO
AQUELE CACTO lembrava os gestos desesperados; da estatuária:
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco nordeste; carnaubais, caatingas...
Era enorme; mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.
Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bonde, automóveis, carroças.
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas
privou a cidade de iluminação e energia:
- Era belo, áspero, intratável.
(Petrópolis, 1925)
PNEUMOTÓRAX
FEBRE, HEMOPTISE, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
.....................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
COMENTÁRIO MUSICAL
O MEU QUARTO de dormir a cavaleiro da entrada da barra.
Entram por ele dentro
Os ares oceânicos,
Maresias atlânticas:
São Paulo de Luanda, Figueira da Foz, praias gaélicas da Irlanda...
O comentário musical da paisagem só podia ser o sussurro sinfônico da vida civil.
No entanto o que ouço neste momento é um silvo agudo de sagüim:
Minha vizinha de baixo comprou um sagüim.
POÉTICA
ESTOU FARTO do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
expediente protocolo e manifestações
[de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
ao cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar
com cem modelos de cartas
[e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
CHAMBRE VIDE
PETIT CHAT blanc et gris
Reste encore dans la chambre
La nuit est si noire dehors
Et le silence pèse
Ce soir je crains la nuit
Petit chat frère du silence
Reste encore
Reste auprés de moi
Petit chat blanc et gris
Petit chat
La nuit pèse
Il n'y a pas de papillons de nuit
Où sont donc ces bêtes?
Les mouches dorment sur le fil de l’éléctricité
Je suis trop seul vivant dans cette chambre
Petit chat frère du silence
Reste à mes côtés
Car il faut que je sente la vie auprès de moi
Et c’est toi qui fais que la chambre n’est pas vide
Petit chat blanc et gris
Reste dans la chambre
Eveillé minutieux et lucide
Petit chat blanc et gris
Petit chat.
(Petrópolis, 1925)
BONHEUR LYRIQUE
Coeur de phtisique
O mon coeur lyrique
Ton bonheur ne peut pas être comme celui des autres
Il faut que tu te fabriques
Un bonheur unique
Un bonheur qui soit comme le piteux lustucru en chiffon d’une enfant pauvre
- Fait par elle-même.
PORQUINHO-DA-ÍNDIA
QUANDO EU tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
MANGUE
MANGUE MAIS VENEZA americana do que o Recife
Cargueiros atracados nas docas do Canal Grande
O Morro do Pinto morre de espanto
Passam estivadores de torso nu suando facas de ponta
Café baixo
Trapiches alfandegados
Catraias de abacaxis e de bananas
A Light fazendo crusvaldina com resíduos de coque
Há macumbas no piche
Eh cagira mia pai
Eh cagira
E o luar é uma coisa só
Houve tempo em que a Cidade Nova era mais subúrbio
do que todas as Meritis da Baixada
Pátria amada idolatrada de empregadinhos de repartições públicas
Gente que vive porque é teimosa
Cartomantes da Rua Carmo Neto
Cirurgiões-dentistas com raízes gregas nas tabuletas avulsivas
O Senador Eusébio e o Visconde de Itaúna já se olhavam com rancor
(Por isso
Entre os dois
Dom João VI plantou quatro renques de palmeiras imperiais)
Casinhas tão térreas onde tantas vezes meu Deus fui funcionário público
casado com mulher feia
[e morri de tuberculose pulmonar
Muitas palmeiras se suicidaram porque não viviam num píncaro azulado.
Era aqui que choramingavam os primeiros choros dos carnavais cariocas
Sambas da tia Ciata
Cadê mais tia Ciata
Talvez em Dona Clara meu branco
Ensaiando cheganças pra o Natal
O menino Jesus - Quem sois tu?
O preto - Eu sou aquele preto principá do centro do cafange do fundo do rebolo.
Quem sois tu?
O Menino Jesus - Eu sou o fio da Virge Maria...
O preto - Entonces como é fio dessa senhora, obedeço.
O menino Jesus - Entonces cuma você obedece, reze aqui um terceto pr’esse exerço vê.
O Mangue era simplesinho
Mas as inundações dos solstícios de verão
Trouxeram para Mata-Porcos todas as uiaras da Serra da Carioca
Uiaras do Trapicheiro
Do Maracanã
Do Rio Joana
E vieram também sereias de além-mar jogadas pela ressaca nos aterrados da Gamboa
Hoje há transatlânticos atracados nas docas do Canal Grande
O Senador e o Visconde arranjaram capangas
Hoje se fala numa porção de ruas em que dantes ninguém acreditava
E há partidas para o Mangue
Com choros de cavaquinho, pandeiro e reco-reco
És mulher
És mulher e nada mais
oferta
Mangue mais Veneza americana do que o Recife
Meriti meretriz
Mangue enfim verdadeiramente Cidade Nova
Com transatlânticos atracados nas docas do Canal Grande
Linda como Juiz de Fora.
BELÉM DO PARÁ
BEMBELELÉM
Viva Belém!
Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém
Viva Belém!
Cidade pomar
(Obrigou a policia a classificar um tipo novo de delinqüente
O apedrejador de mangueiras)
Bembelelém
Viva Belém!
Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré
Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave de plumagem bonita.
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Me obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé
Com a fé maciça das duas maravilhosas igrejas barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Pêso
Nunca mais
E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
(Belém, 1928)
EVOCAÇÃO DO RECIFE
RECIFE
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois - Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância.
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia
as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras, mexerico, namoros, risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!
À distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão. . . )
De repente
nos longes da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo
Rua da União.. .
Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
- Capibaribe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento.
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pregões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos em jangadas
de bananeiras
Novenas
Cavalhadas
Eu me deitei no colo da menina e ela começou a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
- Capibaribe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas com o xale
vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado, era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
E macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avó morto.
Recife morto, Recife bom. Recife brasileiro como a casa de meu avó.
(Rio, 1925)
POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA
DE JORNAL
JOÃO GOSTOSO era Carregador de feira-livre e morava no morro
da Babilônia num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
TERESA
A PRIMEIRA VEZ que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
LENDA BRASILEIRA
A MOITA BULIU. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que
saiu do mato foi o Veado Branco!
Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.
- Deus me perdoe!
Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador
e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.
A VIRGEM MARIA
OFICIAL do registro civil, o coletor de impostos, o mordomo da
Santa Casa e o administrador
[do cemitério de São João Batista
Cavaram com enxadas
Com pás
Com as unhas
Com os dentes
Cavaram uma cova mais funda que o meu suspiro de renúncia
Depois me botaram lá dentro
E puseram por cima
As Tábuas da Lei
Mas de lá de dentro do fundo da treva do chão da cova
Eu ouvia a vozinha da Virgem Maria
Dizer que fazia sol lá fora
Dizer i n s i s t e n t e m e n t e
Que fazia sol lá fora.
ORAÇÃO NO SACO DE MANGARATIBA
NOSSA SENHORA me dê paciência
Para estes mares para esta vida!
Me dê paciência pra que eu não caia
Pra que eu não pare nesta existência
Tão mal cumprida tão mais comprida
Do que a restinga de Marambaia!...
(1926)
O MAJOR
O MAJOR morreu.
Reformado.
Veterano da guerra do Paraguai.
Herói da ponte do Itororó.
Não quis honras militares.
Não quis discursos.
Apenas
À hora do enterro
O corneteiro de um batalhão de linha
Deu à boca do túmulo
O toque de silêncio.
CUNHANTÃ
VINHA do Pará.
Chamava Siquê.
Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.
Piá branca nenhuma corria mais do que ela.
Tinha uma cicatriz no meio da testa:
- Que foi isto, Siquê?
Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:
- Minha mãe (a madrasta) estava costurando
Disse vai ver se tem fogo
Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo
Aí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa
Riu, riu, riu
Uêrêquitáua.
O ventilador era a coisa que roda.
Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!
(1927)
ORAÇÃO A TERESINHA DO MENINO JESUS
PERDI O JEITO de sofrer.
Ora essa.
Não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza.
Quero alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!
Teresa não, Teresinha...
Teresinha... Teresinha...
Teresinha do menino Jesus.
Me dá alegria!
Me dá a força de acreditar de novo
No
Pelo Sinal
Da Santa
Cruz!
Me dá alegria! Me dá alegria!
Santa Teresa!...
Santa Teresa não, Teresinha...
Teresinha do menino Jesus.
ANDORINHA
ANDORINHA lá fora está dizendo:
- "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...
PROFUNDAMENTE
QUANDO ONTEM adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
- Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
*
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
- Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
MADRIGAL TÃO ENGRAÇADINHO
TERESA, você é a coisa mais bonita que eu vi até
[hoje na minha vida, inclusive o porquinho-da-índia
[que me deram quando eu tinha seis anos.
NOTURNO DA PARADA AMORIM
O VIOLONCELISTA estava a meio do Concerto de Schumann
Subitamente o coronel ficou transportado e começou a gritar:
- Je vois des anges! Je vois des anges!
[- E deixou-se escorregar sentado pela escada abaixo.
O telefone tilintou.
Alguém chamava?... Alguém pedia socorro?...
Mas do outro lado não vinha senão o rumor de um pranto desesperado!...
(Eram três horas.
Todas as agências postais estavam fechadas.
Dentro da noite a voz do coronel continuava a gritar:
- Je vois des anges! Je vois des anges!)
NA BOCA
SEMPRE TRISTÍSSIMAS estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer
Felizmente existe o álcool na vida
E nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
E gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
Outras porém faziam-lhe a vontade.
Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados
Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro: - Na boca! Na boca!
MACUMBA DE PAI ZUSÉ
NA MACUMBA do Encantado
Nêgo véio pai de santo fez mandinga
No palacete de Botafogo
Sangue de branca virou água
Foram vê estava morta!
NOTURNO DA RUA DA LAPA
A JANELA estava aberta. Para o que não sei; mas o que entrava era
o vento dos lupanares, de mistura com o eco que se partia nas curvas
cicloidais, e fragmentos do hino da bandeira.
Não posso atinar no que eu fazia: se meditava, se morria de espanto ou
se vinha de muito longe.
Nesse momento (oh! por que precisamente nesse momento?...) é que
penetrou no quarto o bicho que voava, o articulado implacável, implacável!
Compreendi desde logo não haver possibilidade alguma de evasão. Nascer
de novo também não adiantava. - A bomba de flit! pensei comigo, é um inseto!
Quando o jacto fumigatório partiu, nada mudou em mim; os sinos da redenção
continuaram em silêncio; nenhuma porta se abriu nem fechou.
Mas o monstruoso animal FICOU MAIOR. Senti que ele não morreria
nunca mais, nem sairia, conquanto não houvesse no aposento nenhum busto
de Palas, nem na minhalma, o que é pior, a recordação persistente de alguma
extinta Lenora.
CABEDELO
VIAGEM À RODA do mundo
Numa casquinha de noz:
Estive em Cabedelo.
O macaco me ofereceu cocos.
Ó maninha, ó maninha,
Tu não estavas comigo!...
- Estavas?...
(1928)
IRENE NO CÉU
IRENE PRETA
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene, Você não precisa pedir licença.
PALINÓDIA
QUEM TE CHAMARA prima
Arruinaria em mim o conceito
De teogonias velhíssimas
Todavia viscerais
Naquele inverno
Tomaste banhos de mar
Visitaste as igrejas
(Como se temesses morrer sem conhecê-las todas)
Tiraste retratos enormes
Telefonavas telefonavas...
Hoje em verdade te digo
Que não és prima só
Senão prima de prima
Prima-dona de prima
- Primeva.
NAMORADOS
O RAPAZ CHEGOU-SE para junto da moça e disse:
- Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
- Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
- A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
- Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
- Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
VOU-ME EMBORA pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
O IMPOSSÍVEL CARINHO
ESCUTA, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
POEMA DE FINADOS
AMANHÃ que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero,
E em verdade estou morto ali.
O ÚLTIMO POEMA
ASSIM EU QUERERIA o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
segunda-feira, 5 de março de 2012
3º tema de redação 2012: Ditadura da Felicidade
Com base na leitura do fragmento abaixo, desenvolva uma dissertação sobre a pergunda proposta: Estamos vivendo uma ditadura da felicidade?
Estamos vivendo uma espécie de ditadura da felicidade. Aceitar a dor sempre fez parte dos costumes e tradições humanas. Hoje, pela primeira vez na história da humanidade, existem tecnologia, remédios e terapias para acabar com a dor.
Hoje você diz às crianças que elas devem se sentir bem de dia e de noite, e se elas não conseguem é porque há algo errado. O resultado é que elas se tornam incapazes de lidar com o desconforto de uma maneira saudável. No futuro, essas crianças serão mais vulneráveis a problemas de saúde mental.
(Steven Hayes, psicologo americano – Revista
domingo, 4 de março de 2012
Estudante mineira é aprovada em 11 vestibulares de Medicina
O medo de não passar em nenhum vestibular fez Mariana Silva Vilas Boas, 19, se inscrever em mais de dez processos seletivos e ser aprovada em oito instituições públicas para medicina, entre elas a USP (Universidade de São Paulo), onde vai estudar. “Eu não tinha segurança, por isso fiz tanto vestibular e passei desse jeito. Fiz muita prova e estudava por elas”, contou a jovem mineira, da cidade de Pouso Alegre, a cerca de 400 quilômetros de Belo Horizonte.
Além da USP, ela também foi aprovada na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), na UFF (Universidade Federal Fluminense), na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), na Famema (Faculdade de Medicina de Marília), na Univás (Universidade do Vale do Sapucaí), na FMIT (Faculdade de Medicina de Itajubá) e na Unifenas (Universidade José do Rosário Vellano). “Acho que de medicina foram essas”, disse a estudante um pouco confusa com tantas aprovações.
A aluna também fez a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e teve média 786, mas não ficou feliz com o resultado. Ela disse que só ficou um pouco mais aliviada quando saiu a primeira aprovação, que foi na Unirio (por meio da nota do Enem). A estudante ficou satisfeita, mas ainda sonhava com outras instituições. “No dia seguinte saiu a UFMG, fiquei muito feliz com a aprovação, acabaram minhas dúvidas e angústias. Ai saiu a USP e eu já tinha arrumado apartamento para ficar em Belo Horizonte, não esperava de jeito nenhum passar na USP. Quando vi meu nome fiquei muito feliz, contei pra minha mãe na hora, depois achei que tinha confundido e passado na Santa Casa, até liguei em São Paulo para saber se era isso mesmo. Ainda não acredito, é muito bom pra ser verdade”, afirmou Mariana.
“Não sou uma ‘nerd’, mas eu gosto de estudar, gosto de ler e gostava de assistir algumas aulas”, diz Mariana. A caloura de medicina diz que não tinha uma rotina de estudos definida e, quando questionada sobre dicas que poderia dar aos vestibulandos, afirmou não ser "o melhor exemplo de rotina e metódos de estudo".
A estudante disse que até a metade do ano se dedicava mais e estudava quase o dia inteiro. “No meio do ano, desanimei muito porque não passei na federal. Todo mundo da sala passou em uma faculdade particular e eu não pude ir por falta de dinheiro. Eu já não ia muito às aulas, perdi meu ritmo. Não gostava muito de assistir todas as aulas."
Mesmo com o desânimo, porém, a jovem não desistiu de estudar e acredita que as aprovações se devem ao conteúdo que aprendeu no colégio, no cursinho e nos processos seletivos: "Fiz muitos vestibulares e estudava pelas provas. Eu vi muita questão parecida em vários exames, se não tivesse caido em uma prova eu não teria acertado na outra. Aprendi muito com isso também".
(Fonte: UOL, 4/3/2012)
sábado, 3 de março de 2012
Exibicionismo pessoal (Redação de minha aluna Letícia Del Picchia a partir do tema "Supervalorização da exposição pessoal neste início de século")
Com o passar do
tempo, a relação entre privado e público foi sendo perdida. Em pleno século
XXI, as pessoas, além de não se importarem com a superexposição de suas vidas,
parecem gostar desta idéia.
As redes
sociais aceleram este processo. Ao colocar em seus perfis online fotos ,
interesses ou compartilhar arquivos, estes indivíduos estão perdendo
conscientemente sua vida privada. Já quem não faz
o mesmo é considerado antiquado e antissocial.
Esta
publicação da vida ao mundo impõe-se como necessária, já que, hoje, "aparecer" se tornou uma
condição para “existir”, substituindo o ato de "pensar", proposto por Rene
Descartes.
O motivo deste
exibicionismo é a busca de importância, ascensão à fama ou o reconhecimetno por
algo, mesmo que seja por uma razão tola. Um exemplo recente disto e que tomou grandes
proporções foi o da "Luiza do Canadá", a qual ficou conhecida por um vídeo de seu
pai.
Mesmo fazendo
parte da nova geração, é preciso tomar cuidado, pois cabe a cada um o
discernimento de saber o que deve ou não ser publicado, levando em conta o que
isso poderá acarretar-lhe no futuro.
(Fonte: Letícia Del Picchia Faria - CARO Objetivo)
sexta-feira, 2 de março de 2012
Banca com três corretores fará avaliação final de redações do Enem com diferença de notas
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) terá uma banca com três corretores para dar a nota final nas redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) que tiverem discrepâncias nas notas dos dois avaliadores iniciais. Até o último exame, apenas um especialista era chamado para avaliar redações que tivessem diferenças de mais de 300 pontos entre as notas dos dois corretores.
A diferença de 300 pontos para chamar a banca também deve mudar. Segundo a assessoria de imprensa do Inep, a diminuição desse número está em discussão, mas nenhuma decisão foi tomada ainda.
No Enem 2011, candidatos entraram com processos na Justiça pedindo a revisão das notas de redação do exame - o edital não previa a possibilidade de recurso e, tampouco, de vista das provas.
O MEC (Ministério da Educação) confirmou que 129 candidatos tiveram notas retificadas em função de "erro material". O Ministério Público Federal conseguiu uma liminar que permitia que todos os candidatos vissem as redações do Enem 2011 corrigidas, mas a liminar foi suspensa pela Justiça.
Fonte: UOL, 28/2/12
quinta-feira, 1 de março de 2012
Após 50 medalhas, jovem do interior de SP obtém vaga em Harvard
Gustavo Haddad Braga, 17, passou nos concorridos vestibulares do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e de medicina da USP, mas desistiu dos cursos. O motivo: garantiu uma vaga para estudar na Universidade Harvard, mais prestigiada universidade dos EUA. Até agora, ele é o primeiro brasileiro selecionado para o segundo semestre de 2012. A instituição tem nove brasileiros cursando a graduação.
Morador de São José dos Campos, no interior paulista, Gustavo já ganhou cerca de 50 medalhas em olimpíadas de conhecimento --de linguística a matemática. Em 2011, foi o primeiro brasileiro a ganhar a Olimpíada Internacional de Física, realizada na Tailândia.
O jovem disse que "gabaritou" a prova de matemática, física e química do SAT (teste usado no processo seletivo de universidades americanas). No SAT de conhecimentos em inglês, tirou 2.350 pontos dos 2.400 possíveis.
O filho de engenheiros químicos, que é fã do físico Stephen Hawking e se diz autodidata em inglês, rejeita o título de "nerd". "Estudo mais tempo que o normal, mas jogo bola, saio, vou ao cinema", afirma ele, que era bolsista de um colégio particular.
Gustavo ainda não escolheu qual curso vai seguir. "Provavelmente relacionado a física, talvez engenharia". Em Harvard, a opção é feita durante a graduação.
(Fonte: UOL, 23/2/12)
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